A Polícia Civil de Chapecó já
desvendou boa parte do crime que tirou a vida do professor Alcides
Bittencourt, neste sábado à tarde (18), em Chapecó. Um menor de idade de
17 anos é o principal suspeito de arquitetar o crime e executar a
vítima. Outros dois jovens, segundo a PC, também tiveram participação no
latrocínio (roubo seguido de morte).
“Alcides e o amigo que estava com ele caíram em uma emboscada. O
adolescente queria os bens e o dinheiro de Alcides e os outros dois
jovens queriam o carro da vítima, provavelmente para desmanche ou
clonagem”, explica o delegado da Polícia Civil de Chapecó, Fábio Baja.
Entenda o crime
De acordo com o delegado Baja, as testemunhas ouvidas até agora, as
imagens de videomonitoramento e evidências no local do crime, mostram
que Alcides Bittencourt não morreu ao acaso. “Há cerca de duas semanas,
ele conheceu o menor de idade de 17 anos em um bate papo. O suspeito
começou a investigar detalhes da vítima, como salário e bens”.
Ontem à tarde, segundo o delegado, Alcides e o suspeito trocaram
mensagens e combinaram de se encontrar no Centro de Chapecó, onde
supostamente teria ocorrido o assalto. “Não foi uma abordagem surpresa, a
vítima já conhecia o suspeito e parou para buscá-lo”, explica o
delegado.
Logo depois, outros dois jovens entraram no veículo armados e
encapuzados. Em seguida, os três conduziram as vítimas até a Linha São
Vendelino, no interior de Chapecó. “Eles pararam o carro em meio ao
mato, fizeram Alcides e o amigo descer, ficar de joelhos e com as mãos
na cabeça. Tiraram anel, pulseira e correntes de ouro do Alcides e
começaram a perguntar onde estava o dinheiro e quanto valia a vida
deles”, conta o delegado Baja.
Os disparos foram em seguida. O amigo foi atingido na orelha, caiu no
chão e se fingiu de morto. Alcides foi atingido na cabeça e nas costas e
morreu na hora.
A investigação
Após colher provas no local e ouvir testemunhas, a Polícia Civil decidiu
tratar o caso como de latrocínio (roubo seguido de morte), já que os
pertences das vítimas foram roubados, assim como o veículo de
Bittencourt, um Corolla preto com placas AQK-5005.
O principal suspeito de cometer o crime não pode ter o nome divulgado
por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que
ele tem 17 anos. De acordo com a PC, o rapaz já tem passagens criminais
por porte de arma de fogo e tentativa de homicídio. Este último,
inclusive, foi o ato infracional cometido pelo jovem em fevereiro.
Apesar de tentar matar uma pessoa há apenas três meses, ele estava
solto.
Velório
O velório de Alcides Bittencourt é realizado na capela da Funerária
Sturmer, no Centro de Chapecó. O enterro será às 16h no Cemitério Jardim
do Éden.
Quem era Alcides Bittencourt
O professor, escritor e colunista social Alcides Bittencourt nasceu em
Ponte Serrada, mas residia em Chapecó desde 1969. Na cidade, foi
colunista do jornal O Iguaçu e Diário do Iguaçu, além de trabalhar em
outros jornais impressos e no SBT. Também foi membro e publicou livros
através da da Associação Chapecoense de Escritores (ACHE).
Alcides também era doutor em Ciências da Educação. Atualmente, era
coordenador do curso de mestrado na Universidade Pontifícia Católica do
Paraná.
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