sábado, 18 de maio de 2013

ALZHEIMER PRECOCE

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Meu amigo Washington. E olha que alguém ser chamado de amigo por mim precisa passar por todos os testes silenciosos de um escolado pela vida. Washington passou. É o cara que melhor me atende na pousada onde vez por outra me escondo quando posso em feriados. 
No cotidiano, saio de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Com o celular tilintando. Na tal pousada, escondida na floresta do litoral indígena e divisório da irmã Paraíba, não pega sinal de celular.

Algum resquício de wireless, fraquinho, na recepção. Normalidade mesmo no centro da cidade, para onde fui enviar e-mails(dois) de dentro da casa de outra enorme figura humana, o blogueiro Francisco Galvão, do qual não vou dar muitas pistas. Aí vai ser mais fácil descobrir onde estive. 

Voltemos a Washington. Batizado assim pelo pai, torcedor do Fluminense. Washington em homenagem ao Washington de 1983/1984/1985, o Washington do Casal/20, em dupla com Assis, não o Coração Valente, mais recente. Washington, 30 anos, lembra pouco daquele tricolor que duelava com o Flamengo de Zico, Adílio, Andrade e Bebeto, Vasco de Geovani, Roberto Dinamite, Mauricinho e Romário, um Vasco que valia discussão em boteco. 

Começamos a discutir futebol e, depois da segunda cerveja, entrou Copa do Mundo. Washington comparou Neymar a um jogador da praia que ornamenta a pousada, Bazóia. "Neymar parece jogador de beira de praia, corre sem destinação". Não sou o jornalista e crítico de Neymar, Alex Medeiros, mas tive uma vontade danada de conhecer Bazóia. Estava pescando e é meio enjoado, abusado. É Neymar. 

Washington gosta do futebol de Ganso, que até parece com ele, alto, brancão e espigado. Fiquei calado. Ganso pra mim deixou o futebol suave e macio em 2010 ou 2011. Foi como paixão fulgurante quando termina, vira desamor. 

Escolhi a Espanha favorita e ele achou que o Brasil tem chance. Por conta da CBF, das maracutais e da arbitragem. Triste de quem faz aos cambalachos e pensa que o povo, por mais longe que esteja, está alienado. 

Na comunidade mais tapuia, pela parabólica, tem lá um Neto comentando bobagem, a repercussão do discurso de um Romário, um jornal que sobra na cadeira do barbeiro. Ou na poltrona do ônibus que transporta ao distrito vizinho. 

Washington tocou num ponto perigoso. Elogiou Dunga. Meti porrada verbal. Rimos em camaradagem. Fomos escalar o time do vexame de quatro anos atrás. Esqueci do lateral-esquerdo. Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e... Gilberto Silva, Felipe Melo( et caterva), Kaká e Elano; Robinho Eu Sou Neymar Amanhã e Luís Fabiano. 

Washington não conseguiu também. Lembrei Nilton Santos, Marinho Chagas, Marco Antônio, Júnior, Mazinho, Branco, Roberto Carlos, a cotovelada de Leonardo em Tab Ramos dos Estados Unidos em 1994 e...nada. 

- Era um cara de cabelo enrolado, muito menos enrolado que o de Marcelo!

A pista de Washington ainda era fraca. 

Fiquei com vergonha. De mim que sei decorado o time do ABC vice-campeão de 1969, um ano antes de nascer: Floro; Gaspar, Piaba, Ivan Matos( que não jogou a final e foi substituído por Gaspar que foi substituído por Batista) e Cidão; Arandir e Beto; Izulamar, Alberi, João Galego e Esquerdinha. 

Fui pensando, pensando e pedi licença a Washington. Peguei a chave do quarto e estava o Guia da Copa de 2010. O nome é Michel Bastos. Juro que não lembrava. Washington também não.

Tomei mais duas cervejas.

Alzhemier precoce , amnésia, ou o cara que não jogava porra nenhuma. Washington, tão solidário, escolheu a terceira alternativa. Não troco de pousada por dinheiro nenhum. 

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