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Publicado no Jornal de Hoje:
A liberdade da expressão humana esteve em Marinho Chagas jogando futebol. Marinho encantou o mundo com sua cabeleira loira em 1974 na Copa da Alemanha pela modernidade de moldura à essência brasileira do jogo: A habilidade, o domínio de bola, a perfeição nos fundamentos.
Marinho Chagas, menino sempre criança, inventou o meio-campista a cintilar pela
lateral-esquerda. Claro, Nilton Santos, a Enciclopédia, foi o primeiro a transpor o limite conservador e tático no Mundial em que fez o técnico Vicente Feola berrar ao vê-lo correr pela defesa da Áustria e fazer o terceiro gol brasileiro na estreia da campanha do primeiro título.
Nilton Santos é a perfeição ieternizada. Defendia como um beque e desarmava na sutileza de um Didi. Seu estilo atravessou quase uma década e meia sem nenhuma semelhança até o garoto nascido em Natal explodir no mesmo Botafogo em que o precursor dos rebeldes esquerdistas dos gramados, brilhou como líder e protetor espiritual.A liberdade da expressão humana esteve em Marinho Chagas jogando futebol. Marinho encantou o mundo com sua cabeleira loira em 1974 na Copa da Alemanha pela modernidade de moldura à essência brasileira do jogo: A habilidade, o domínio de bola, a perfeição nos fundamentos.
Marinho Chagas, menino sempre criança, inventou o meio-campista a cintilar pela
lateral-esquerda. Claro, Nilton Santos, a Enciclopédia, foi o primeiro a transpor o limite conservador e tático no Mundial em que fez o técnico Vicente Feola berrar ao vê-lo correr pela defesa da Áustria e fazer o terceiro gol brasileiro na estreia da campanha do primeiro título.
Marinho Chagas luziu em 1974 no medíocre time de Zagallo, um time feito para empatar e ser covarde. Que precisou de um frango do goleiro do Zaire para se classificar à segunda fase onde foi triturado pela Laranja Mecânica de Cruijff.
Revendo os jogos daquela Copa, não é exagero dizer que o lugar de Marinho Chagas, por justiça, seria na Holanda, circulando por todo o campo, sem obrigações de prancheta, sem numeração convencional de camisa, driblando, lançando em todas as faixas do campo, completando um time mágico e trágico , feito o Brasil de 1982.
Marinho Chagas começou no Riachuelo, clube da Marinha em Natal. Foi para o ABC em troca de material esportivo depois de perdido(para o alvinegro) o Campeonato Estadual de 1969.
Enquanto o Brasil era tricampeão do mundo no México, o ABC começava a jornada do tetracampeonato em 1970 com um jovem de 18 anos assombrando aqueles que frequentavam o velho Estádio Juvenal Lamartine. O ABC foi campeão e, em 1971, Marinho Chagas estava no Náutico(PE). Jogou um ano em Recife.
O suficiente para ser incluído na seleção do Náutico e de Pernambuco do século passado. Em 09 de setembro de 1972, contratado pelo Botafogo, estreou contra o Santos de Pelé fazendo um gol no Maracanã(RJ) e surpreendendo a imprensa nacional.
No dia 10 de maio de 1973, convocado pela primeira vez(foto) para a seleção brasileira que excursionou para a Europa. Estreou contra a Suécia, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, onde Nilton Santos comemorou a conquista da Taça Jules Rimet em 1958.
O Brasil perdeu o amistoso de 73 por 1×0 e Marinho foi escolhido melhor da partida. Ganhou a posição de Marco Antônio, remanescente do México e considerado titular absoluto.
Em 1974, eleito o melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo, ainda com a pífia campanha brasileira, um quarto lugar e apenas seis gols em sete partidas. Valorizado, passou poucos dias sem se adaptar ao Schalke 04 da Alemanha – a Revista Placar número 260, de março de 1975, fala abertamente em boicote ao brasileiro.
De volta ao Botafogo(RJ), foi a solitária estrela do clube até 1977. O Fluminense queria tê-lo a qualquer custo e cedeu três craques de seleção brasileira em troca do seu passe: Rodrigues Neto(seu reserva na seleção), o polêmico Paulo César Caju e o ponta-direita Gil.
Do Fluminense, Marinho Chagas viveu o sonho de 11 entre 10 boleiros dos anos 1970: Jogar no Cosmos, time norte-americano para onde foi Pelé virar milionário depois de deixar o Santos.
Marinho Chagas jogou com o alemão Beckenbauer, um dos dez melhores jogadores da história, com o italiano Chinagllia, titular da Azzurra e o paraguaio Romerito. Passou pelo Strikers, de Los Angeles.
Retornou ao Brasil para o São Paulo. Melhor lateral do Brasil, Bola de Prata(pela terceira vez) em 1981, campeão paulista. Em 1983, foi para o Bangu. Depois, Harkekin, da Alemanha. Fortaleza(CE) e América(RN), jogando um primeiro turno em 1985, no meio-campo, a convite do empresário Flávio Rocha, à época dirigente de futebol.
O currículo de Marinho Chagas qualquer cidadão na média dos 40 anos sabe de trás para frente. Ele é – ao menos deveria ser – um patrimônio cultuado pelo Rio Grande do Norte.
O pobre texto ora rabiscado fica à disposição da Jovem Guarda do jornalismo global televisivo, que omitiu Marinho Chagas na reportagem sobre a visita, esta semana, do Secretário-Geral da Fifa, Jérôme Valcke, às obras do Estádio Arena das Dunas.
No material posto no ar, são citadas as autoridades constituídas, a dupla obediente Bebeto e Ronaldo e Marinho Chagas, que segurava um cheque simbólico, é esquecido, como ficava qualquer marcador seu.
Tudo bem que jornalismo é, em primeiro plano, o presente. Mas não precisa dar canelada na memória. A vida é um fato local. Marinho Chagas deslocado em casa, na reserva em qualquer plano, nem na ficção.
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