quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poesia do dia - VERSOS AO COVEIRO(Atahualpa Vianna )


No lúgubre silêncio do vasto cemitério,
acha-se conhecida e singular figura:
Calado, indiferente, irreverente, sério,
impassível artífice de marcial postura.

No drama final da vida, fatal mistério,
não vê nos outros lágrimas de amargura,
parece insensível máquina de necrotério,
e o gemido alheio pouco se lhe afigura.

Preparada a tumba para o funéreo ritual,
frio, ausente, num gesto quase maquinal,
sepulta quem para ele nunca foi alguém.

Ó operário da morte, a cruel fatalidade !
Ó obreiro involuntário da fria realidade !
Dia virá que outro te sepultará também..

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários serão avaliados antes de serem liberados

PRF apreende anfetamina com caminhoneiro em João Câmara

A Polícia Rodoviária Federal abordou, na última sexta-feira 17, em João Câmara, um motorista de caminhão e apreendeu uma cartela com 12 com...