No lúgubre silêncio do vasto cemitério,
acha-se conhecida e singular figura:
Calado, indiferente, irreverente, sério,
impassível artífice de marcial postura.
No drama final da vida, fatal mistério,
não vê nos outros lágrimas de amargura,
parece insensível máquina de necrotério,
e o gemido alheio pouco se lhe afigura.
Preparada a tumba para o funéreo ritual,
frio, ausente, num gesto quase maquinal,
sepulta quem para ele nunca foi alguém.
Ó operário da morte, a cruel fatalidade !
Ó obreiro involuntário da fria realidade !
Dia virá que outro te sepultará também..
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