quarta-feira, 1 de junho de 2011

Há 14 anos morria Frei Damião


Pio Giannotti, seu nome de batismo, nasceu a cinco de novembro de 1898. Era filho de camponeses e começou a formação religiosa aos doze anos, quando foi estudar num colégio de padres. Aos dezenove anos foi convocado para o exército italiano e participou da Primeira Guerra Mundial. Aos 27, diplomou-se em teologia pela Universidade Gregoriana em Roma e foi docente do Convento de Vila Basílica e do Convento de Massa.
Ordenado sacerdote em 25 de agosto de 1923, emigrou do norte da Itália para o Brasil no início da década de 30, fixando-se no Convento de São Félix da Ordem dos Capuchinhos. Fazia peregrinações por cidades, ofertando comunhões, realizando confissões, casamentos e batismos. Apesar de polêmico, por suas posições ortodoxas, era considerado “santo” por muitos nordestinos. Atualmente, está em curso no Vaticano o processo de beatificação.
As “missões” de Frei Damião constituíam espécie de cruzadas, que se estendiam por vários dias. Ele falava de um palanque ao ar livre, com alto-falantes encarregados de reproduzir seus sermões. Dizia querer livrar os fiéis do demônio, e chegou a ter sua presença vetada em algumas paróquias. Grupos evangélicos acusavam-no de estimular o fanatismo, incentivando hostilidades e perseguições a religiosos de outras seitas cristãs. Mesmo assim, atraía multidões e foi encarado como um fenômeno de comunicação e de popularidade, somente comparável ao Padre Cícero Romão Batista, de Juazeiro do Norte (Ceará). Ostentava, invariavelmente, um terço e um crucifixo, e tinha como braço direito o Frei Fernando, que organizava as ‘romarias’ em sua direção. Faleceu no Hospital Português, do Recife, e teve seu corpo enterrado na capela de Nossa Senhora das Graças, no Convento São Félix, no bairro do Pina.
Há estátuas e monumentos erigidos em sua homenagem em inúmeras localidades. Em Guarabira, no brejo paraibano, foi inaugurado em 2004 o Memorial Frei Damião, com uma estátua considerada uma das maiores do Brasil. Há um busto do capuchinho na calçada da Igreja Matriz de Catolé do Rocha, e uma estátua em Sousa, no sertão paraibano.
 
Fonte de inspiração para poetas e escritores cordelistas, que relataram supostos milagres, ele enfrentava uma deformação oriunda de problemas de cifose (corcunda), e escoliose, o que lhe dificultava a fala e a respiração. Os últimos anos de sua vida foram muito sofridos. Desde jovem, o frade sofria de insuficiência cardiovascular periférica e erisipela, doenças que se agravaram com o tempo, devido às peregrinações. Por dezenove dias esteve em coma profundo.
Recebeu centenas de medalhas e condecorações, além de títulos de cidadania honorária em quase trinta cidades. Bozzano era um vilarejo da cidade de Massarosa, a 460 quilômetros de Roma. A participação na Primeira Guerra Mundial deixou-lhe profundas e amargas recordações, diante da carnificina que presenciou.
Ele chegou ao Brasil no navio Cante Rosso, desembarcando no Rio de Janeiro e seguindo, depois, para Recife. Celebrou sua primeira missa em cinco de abril de 1931 na cidade de Gravatá, agreste pernambucano.
No início, tinha dificuldade em se comunicar com os fiéis. Utilizou-se de uma linguagem gestual, que logo se desfez ao conhecer melhor a língua portuguesa, conforme narra Regina Coeli Vieira Machado, servidora da Fundação Joaquim Nabuco.
Em 1997, veio a óbito, na capital pernambucana, no dia 31 de maio.
Postado por Vlaudey Liberato
Blog de aluiziolacerda

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