quarta-feira, 27 de julho de 2011

MENINOS, EU VI SHOW DE JESSIER QUIRINO

Sábado, 25 de julho, no Teatro Riachuelo, assisti o grande espetáculo que sempre sonhei: Jessier Quirino. Depois comprei o livro 'PAISAGEM DE INTERIOR'.
BLOG DO GALINHO
 
JESSIER NO PROGRAMA DO JÔ

Ler e ouvir Jessier envolve-me num sentimento regionalista de matuto sertanejo. Ele recupera a ingênua fala do homem do campo, além dos sotaques, da cultura e do jeito de ser. Também faz poesia contando hábitos e utensílios valorizando a alma poética e guerreira de um povo que não se rende.
Entrevista ao Diário de Natal: Paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Ele não é matuto, mas parece. Não é sertanejo, mas é entusiasta de lá.  Enxerga as modernidades do progresso, mas prefere viver da nostalgia. Jessier Quirino parece a contradição em pessoa, mas exala autenticidade na poesia popular, na rima e na métrica. É o artista popular mais pop do Brasil. E aí mora outro paradoxo: a poesia popular é pop? Mas o paraibano sabe se colocar como artista e imprimir sua visão acerca da poesia matuta.
Nutro uma espécie de idolatria pela natureza do homem sertanejo. O caboclo de pé no chão viaja mais pelo coração do que pela cabeça, mas nos dá aula de sabedoria de como se desvencilhar da dureza do campo e da realidade. A partir daí vem o processo de observação que nos leva à prosa e à poesia.

Tenho influência forte da linha dos repentistas. Eles cantam os valores do campo com linguagem métrica muito apropriada. Outros poetas, mais antigos, também: Zé da Luz, Patativa do Assaré, Renato Caldas (poeta açuense), José Laurentino. Eles têm, digamos, essa linguagem campeira. Eram pessoas do campo. Bebo da fonte deles. Claro, coloco alguma contemporaneidade na poesia, também. Falar em estudiosos do sertão lembra Oswaldo Lamartine: um não-matuto exímio conhecedor das coisas do sertão. No caso de Oswaldo, ele é o sertanejo próprio, mas é também cientista. Talvez seja mais sertanejo do que todos nós. Ele conhece o sertão a partir da abordagem científica. No caso do matuto há a abordagem sentimental, até cômica do seu dia a dia. Então me inspiro também em obras de Oswaldo Lamartine pra imprimir em minha poesia elementos de pesquisa.
Minha poesia é saudosista. Ela encontra aplausos nesse elmento. A modernidade tem de fato conseguido matar o sertão, que é tão forte. Como eu busco insistentemente a imagem poética, preciso fugir do cenário atual porque ele já não é poético. Por isso o meu poema é mais visto de forma pretérita. Procuro renovar, também. Tenho certa liberdade para isso e uma visão cosmopolita além da sertaneja. Isso acaba sendo uma coisa necessária, moderna. Mas a base do meu trabalho são as imagens antigas do sertão.
A poesia do sertão de nunca mais é o meu repertório. Ainda do tempo das cancelas velhas. Quando colocarem vidros nas porteiras é porque o sertão acabou de vez.
Escrito por MARCOS CALAÇA

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