quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Para nelorista ortodoxo, a raça indiana virou brasileira

Marcelo Abdon

O boi do futuro para ele tem nome – é nelore. Antonio José Junqueira Vilela, o AJJ, seleciona um rebanho de elite em Euclides da Cunha (SP) e multiplica essa genética na vacada comercial da Fazenda Inhandu, em Novo Mundo (MT), onde produz tourinhos e faz cria, recria e engorda a pasto. Ele consegue abater os animais com média de três anos, alguns lotes até aos dois anos e meio. “O nelore é o gado que melhor se adaptou ao clima tropical. Prova disso é que mais de 80% do plantel de bovinos do país é da raça trazida da Índia. Como imaginar o boi europeu no calor tórrido de Mato Grosso e comendo somente capim?”, desafia.
Para AJJ, a evolução do zebuíno nos últimos anos foi acelerada e decisiva para os ganhos na pecuária. “O boi era abatido com cinco, seis anos de idade, em média. Hoje, no Brasil Central, essa média, com a ajuda do nelore, caiu para três anos, o que se traduz em eficiência e giro financeiro rápido, além de menos comida, remédio, água e trabalho,” afirma.
Segundo ele, o caminho é investir cada vez mais na raça, cujo sangue corre nas veias de mais de 90% do rebanho em estados de pecuária extensiva como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. “Anote aí: em uma década, devemos baixar para dois anos e meio o tempo de abate do nelore no país. E, quando atingirmos esse estágio, o Brasil estará pronto para abastecer o mundo de carne”, prevê AJJ. Ele considera válido o cruzamento industrial do zebu com o europeu, mas o foco deve ser o aprimoramento constante do nelore. “É o gado do Brasil”, resume

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários serão avaliados antes de serem liberados

PRF apreende anfetamina com caminhoneiro em João Câmara

A Polícia Rodoviária Federal abordou, na última sexta-feira 17, em João Câmara, um motorista de caminhão e apreendeu uma cartela com 12 com...