segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Poetas e escritores potiguares retratam a cidade de Natal em verso e prosa

De Paulo Nascimento especial para a redação do Diário de Natal
 (Fábio Cortez/DN/D.A Press)
Seja Trampolim da Vitória, Noiva do Sol ou simplesmente Natal, a cidade é amada e cantada em verso e prosa por todos os seus escritores. E no aniversário da capital papa-jerimum, comemorado neste domingo (25), O Poti convidou alguns dos escritores e poetas de renome em nossa terra para gentilmente retratarem em palavras os pontos que sintetizam o que é a cidade, através de suas construções, belezas naturais e seus habitantes.

Da cidade em que cada esquina surge um poeta e uma beleza, saíram estas homenagens especiais aos 412 anos de Natal.
O rio Potengi é uma das lembranças mais fortes de minha infância em Natal. Nossa turma nadava até o meio do rio e ficava brincando por lá. De vez em quando, alguém gritava: "Olhe o cação!" Todos sabiam que era mentira, mas sempre havia alguém que se apavorava. Muitas vezes gazeei aulas do Atheneu para ir brincar nas águas do Potengi amado. "- Nei Leandro de Castro
O Alecrim foi meu primeiro universo urbano. Soma de todas as feiras do sertão. De venda e troca, de tudo em volta, mercadoria e gente. Lá, até Mario é negócio. E se guardo essa confusa cidade, numa feira de memória, armo uma banca invisível para vender e trocar saudade." - Francois Silvestre
A convivência diária com o bairro do Alecrim durante 30 anos autoriza-me a dizer que é baixíssimo o seu nível de violência. Ao contrário do que se vê em lugares ricos ou charmosos como Tirol e Petrópolis, as lojas do bairro popular funcionam sempre de portas abertas, sem fechaduras nem campainhas. O que falta nele, e sempre faltou, é interesse do poder público em dar um aspecto mais bonito àquela festa cotidiana de gente." - Demétrio Diniz
Enquanto existiu, o Machadão foi o principal marco da engenharia e da arquitetura do RN. Leve em seu formato ondulado, foi a paisagem de concreto que mais manteve identidade com o povo e o local que a edificou e aprendeu a amá-la como quem ama um produto maior da arte por si elaborada e laborada, geografia, verso, prancheta e cálculo: resultado material de sonho de muitos, gol. O poema de concreto de Lagoa Nova se vai para sempre em desnecessária imolação, crime. Ficará como eterno cartão postal da cidade do já teve. Castração. Saudade." - Eduardo Alexandre "Dunga"
Tardes da Redinha/ Deus baixa à terra/
senta num tamborete/ toma cerveja gelada com cachaça/As ondas lhe lambem os pés agradecidas.
O céu sacode tufos brancos/gaivotas caem no mar./O Forte apruma suas escamas/
a água espanca seus costados.
Os bêbados gritam pelos mortos/
gemem saudades ensandecidas.
Os mortos acocoram-se nos terraços/e contam formigas/com dedos leves e transparentes." - Armadilha de vidro, Diva Cunha
Vejo a Ponte Newton Navarro todos os dias. Deslumbro-me, mirando-a através da janela do meu quarto, principalmente com o mar e o rio que a cercam, obras da natureza: o que mais me apetece na visão. Parece distante, mas nem tanto, aqui do décimo-oitavo andar. Imagino o olhar de Neruda em sua poltrona, por ele chamada Nuvem, no alto da casa do Valparaíso, vendo as embarcações indo e voltando pelas águas do Pacífico. Tento descobrir quem são as pessoas que estão naqueles pequenos e grandes barcos no entorno atlântico da nossa ponte, além dos seres inquietos que viajam diariamente sobre a mesma, sentidos Natal-Redinha e Redinha-Natal. O que se passa na rotina e na cabeça desses grandes e pequenos viajantes?" - Lívio Oliveira
Ribeira Velha de Guerra, às tuas noites de paz retornam velhas figuras que os anos não trazem mais. Em frente à Pernambucana do livreiro Luiz Romão meia-noite para um carro dirigido por cancão. Vem nele Roberto Freire, Luiz de Barros e o tão falado Luiz Tavares, pela força de Sansão; Vem Cascudo e Zé Areia, Zé Alexandre Garcia Newton Navarro e Albimar com o "vade mecum" na mão. Sentam todos na calçada do "Carneirinho de Ouro" em velhas mesas de "Antarctica" e entre sorrisos e abraços e muitas "louras geladas" vai começar a função. - Trecho do poema Ribeira Velha de Guerra, Deífilo Gurgel (Agosto, 1993)
eu: humana, multidão
você: mineral, sozinho
ainda criança, no seu topo
tornei-me rainha
mirante maior
lembro-me: eu tão menina correndo
aos sábados e domingos
descendo, subindo
seu corpo quente
arenoso
nos outros dias da semana
meu pensamento voando até você
meu coração encontrando o seu
nutrindo-me do seu calor
tornei-me mulher sem nunca deixar de te ver
há 15 anos vim morar ao seu lado
registrei todos os ataques a você
mas você é forte
renasce a cada golpe
ressurge, selvagem
na memória de uma cidade
que se quer todas -
Marize Castro, Ponta Negra (dezembro/2011)
A Ribeira Memorial em três tempos:1- Na calçada da Peixada Potengi cerveja&licor boss, radiola de ficha e um dançarino de uma perna só apoiado em muletas, boêmios, prostitutas, radiola "de ficha" em alguns domingos ou após o final de estágio noturno em revisão de texto de um periódico local; 2 - No Largo da Rua Chile, entre o Bar das Bandeiras e o Rio Potengi o show de Oswaldinho do Acordeon com a Orquestra Sinfônica do RN 'duetando' com o carnatal e 3 - Na mesma Rua Chile, Itamar Assumpção primeira e única vez em Natal o Gigante Negão, o Nego Dito, vulgo Beleléu aportou na esteira, nos paralelepípedos em sons e poesias avessas via Projeto Nação Potiguar. A Ribeira de geografias humanas, de massas verbais e sonoras. - Dácio Galvão
Canto as tuas praias
Desertas.
Teus poetas.
Tua Igreja do Galo;
Santo Antônio,
Livrai-nos do mal
Nas cantorias das beatas
No átrio da Catedral." - Trecho de Carta aberta para amuito amada Cidade de Natal, Dorian Gray Caldas
A Fortaleza é uma estrela de pedra de cinco pontas assentada sobre os arrecifes. Espreita, no mar vizinho, a larga boca da barra do rio Potengi. É a mais preservada, bela e singular edificação militar do País. Um dia, por seu passado de heroísmo na construção do Brasil, a Fortaleza dos Reis Magos será reconhecida, pelo UNESCO, como Patrimônio Histórico da Humanidade. - Diógenes da Cunha Lima 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários serão avaliados antes de serem liberados

PRF apreende anfetamina com caminhoneiro em João Câmara

A Polícia Rodoviária Federal abordou, na última sexta-feira 17, em João Câmara, um motorista de caminhão e apreendeu uma cartela com 12 com...