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De Sérgio Henrique Santos, especial para O Poti
Páscoa significa renascimento. Palavra forte que muitas pessoas podem não compreender o quanto têm força e representação em suas vidas. Percebe melhor o sentido do renascimento quem passou por situações limítrofes ou lida com problemas diariamente.
Para estes, renascer tem um significado diferente. Neste Domingo de Páscoa, celebrado pelos cristãos como um rememorar da ressurreição de Jesus Cristo, O Poti/Diário de Natal foi em busca de pessoas com histórias de vida interessantes para contar, que tenham relação com a superação ou o renascimento.
Descobriu pessoas que não se importam com os infortúnios da vida, que dizem que sempre há esperança de viver dias melhores. É o caso de José Aurimar Correia de Morais, o "Tuquinha', advogado e hoje empresário, que sofreu um acidente de carro que o deixou paralítico em 1983. Não bastasse isso, recentemente ele teve três cânceres malignos. E sobrevive, forte como uma rocha e com muito orgulho de ser admirado por amigos e familiares. Igualmente exemplar é o relato da jornalista Nelly Carlos, que quase morreu quando ficou presa nas ferragens de um carro e de uma parada de ônibus, derrubada com a força do impacto num acidente no longínquo 1995, ano em que considera que "nasceu de novo".
Também algo a ensinar sobre o sentido de renascer têm o casal Valter e Janaína (nomes fictícios), que sofreram o trauma de viver um sequestro relâmpago, sob a ameaça frequente de dois bandidos, ou o médico intensivista Rodrigo Furtado, que já se acostumou, mas nunca foi indiferente aos pacientes terminais. Ele vê o 'renascimento' ali mesmo, na rotina de seu trabalho. Ou ainda o jovem estudante universitário Waldemar Neto, que escreveu um livro contando o lado positivo de ter um tumor cerebral maligno, que insiste em tentar lhe tirar a alegria de viver.
A intenção de relatar histórias como essas na edição de Páscoa de O Poti é a de que também o leitor pode tirar lições de suas próprias pedras no meio do caminho. Embora ninguém tenha feitos como os fatos bíblicos relatados na Palestina dos primeiros séculos da Era Cristã, ou salvado a humanidade com sua morte, histórias como as que ilustram essas páginas demonstram que, cada um, pode sim retirar de sua vivência, exemplos de renascimento. E se isso ocorreu com um punhado de superação, o tornando uma pessoa ainda melhor, que seja. Certamente foi mais proveitoso.
João Aurimar Correia de Morais // Pedra fundamental da família
Já são mais de 30 anos sobre uma cadeira de rodas, mas praticamente ele nunca deixou de fazer o que gosta: aproveitar a vida. Trabalhar, estudar, viajar, se divertir, viver. Todos esses são verbos intimamente relacionados ao advogado e empresário Tuquinha, como prefere ser chamado João Aurimar Correia de Morais, de 62 anos. Anos muito bem vividos, destaque-se. Antes do acidente de carro que o tornou cadeirante, Tuquinha passou por uma situação difícil em casa.
Um acidente doméstico no banheiro da piscina quase resultou na amputação da perna de uma de suas filhas, Cláudia, na época com 9 anos. "Ela tentou pegar papel higiênico e subiu no sanitário. A louça quebrou e rasgou a perna dela. Foi preciso uma cirurgia, feita no Rio de Janeiro, e várias sessões de fisioterapia, sob pena de ela ficar cadeirante. Quando fui pegá-la, no Rio, subi os 365 degraus do Cristo Redentor e fiz uma promessa, lá em cima. Preferia que antes ocorresse comigo do que com minha filha", relata. Cláudia não teve sequelas.
Quase três anos depois, Tuquinha sofreu o acidente. Ocorreu em 12 de março de 1983, um sábado. Ele vinha do trabalho, no bairro da Ribeira, e se dirigia à casa da família em Ponta Negra pela Via Costeira, na época já aberta, mas ainda não inaugurada, com pouco trânsito e ainda não sinalizada. "Reconheço que vinha em alta velocidade no meu Opala, estava doido pra chegar porque os meninos esperavam pra gente ir à praia. Tinha uma casa de veraneio na Redinha", conta. No meio do percurso, o pneu traseiro do lado do motorista estourou. Ele perdeu o controle do carro e aconteceu o pior. A partir de então a vida mudou completamente. "Nunca reclamei, mas a vida muda sim. A cabeça pensa, mas o corpo não consegue atender".
Outra coisa que mudou foi o apego maior à vontade de viver, com sua mulher, seus três filhos e nove netos. Altruísta, Tuquinha revelou-se forte até mesmo ao anunciar à família que tinha um câncer linfático nas amígdalas em 2004. Um tumor maligno e extremamente agressivo. "Reuni todo mundo, filhos e netos, e disseque estava feliz. Que ninguém se preocupasse com o câncer porque eu aguentaria. Disse que se fosse com algum de meus filhos ou netos, ai sim, eu não suportaria", anunciou. Tuquinha ainda teve mais dois cânceres, a reincidiva do tumor anterior e um problema nos pulmões.
O câncer linfático trouxe problemas de dicção e o impediu de continuar advogando na área trabalhista, como fazia até então. Tuquinha criou, então, uma empresa de terceirização de mão-de-obra, que mantém até hoje. "Nem doente, todo entubado, com traquiostomia, ele nunca teve descanso na doença dele. Mas sempre foi assim, antenado, aventureiro, homem de fé e de garra. Costumava dar ordens prestes a ir pra sala de cirurgia. Ele é o esteio, o porto seguro da nossa família. Os filhos e netos o respeitam muito. Somos loucos por ele", diz a mulher, a aposentada Antônia Morais.
Tuquinha não costuma falar que nasceu de novo, e de novo e de novo, após tudo que viveu. Diz ele: "Não vejo como renascimento, nem que nasci de novo. Acho que são as vicissitudes da vida mesmo. Prefiro acreditar que estava escrito em algum lugar que eu passaria por isso. Mas nada mudou, nem religiosamente, nem moralmente na minha vida. Continuo o mesmo, com os defeitos e as virtudes que sempre tive".
Rodrigo Furtado // Amor incondicional pela profissão
O jovem médico intensivista Rodrigo Furtado, 38 anos, trabalha em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) há 10 anos, e há um ano coordena a Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, que funciona no Hospital Walfredo Gurgel, o maior do Estado. Está acostumado a ver situações limítrofes, de pessoas que estão entre a vida e a morte. Para ele, a palavra 'renascimento' tem um significado diferente. "Não faço consultório, não trabalho com situações tranquilas. Meu prazer é trabalhar com doentes críticos, que estão entre a vida e a morte. Tentamos ao máximo fazer tudo para salvá-los. Se não for possível, tentamos confortar sua dor", diz.
Seja um câncer terminal ou infarto fulminante, o médico explica que os dramas desses pacientes requerem também uma atenção especial à família da pessoa doente, não raramente tão debilitada quanto o enfermo. "O século 21 é o século da humanização. As gerações anteriores à minha foram treinadas para curar. Todo mundo fazia assim na medicina. Só que com o passar do tempo vimos quenão tinha sentido esse afã pela cura, porque sabemos que muitas vezes a cura não é possível. Nesses casos, ficar junto, tentar tirar a dor, não usar terapias inúteis pra uma cura que não vem é o mais importante".
Histórias como a de um adolescente com 13 anos de idade, de família carente de Baía Formosa, que precisava fazer um transplante de válvula cardíaca, espécie de porteira do coração que regula a passagem de sangue por dentro do órgão, marcam a vida profissional e pessoal de Rodrigo. "Esse menino estava com o coração deteriorado, com as funções comprometidas, ele já não conseguia fazer mais atividades comuns a qualquer adolescente: andar e correr, por exemplo. Vivia deitado na cama". Graças ao trabalho de busca ativa por um órgão para que o garoto pudesse fazer o transplante, a equipe de Rodrigo conseguiu fazê-lo renascer. "Ele conseguiu uma válvula cardíaca de um Banco de Multienxertos em Curitiba (PR). A cirurgia foi um sucesso. Em dois meses ele já estava conseguindo restabelecer sua vida. Hoje eleadora surfar", conta o médico, com orgulho.
Orgulho, por sinal, é o que mais o motiva na profissão que escolheu, a Medicina, quando decidiu estudar para o vestibular da UFRN em 1991, e de onde saiu para se especializar no Sudeste do país, na Escola Paulista de Medicina, em 2007. "O que me motiva é esse amor incondicional pela profissão. Pacientes que estão próximo à morte e que conseguimos reverter tudo isso, trazendo-os à vida normal ou muito próximo disso como era antes. Ver esse menino agora, grandão, forte e saudável é uma sensação indescritível".
O fato de trabalhar na Central de Transplantes também trouxe um diferencial à carreira do médico intensivista. Agora ele salva a vida de pessoas que nem conhece, uma vez que o sistema funciona como uma rede de busca e entrega de órgãos por todo o país. "Mesmo no trabalho burocrático de administrar a Central, ainda é amor incondicional. A gente lida com órgãos, e embora 95% das vezes não saibamos quem são as pessoas que salvamos, me sinto realizado. Sou uma pessoa melhor".
Nelly Carlos // Decisões impensadas nunca mais
A jornalista Nelly Carlos, 47 anos, atual presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RN (Sindjorn), costuma dizer que faz aniversário duas vezes ao ano. A data em que nasceu, 31 de maio, e o dia 4 de dezembro, quando renasceu após sobreviver a um acidente automobilístico depois de uma festa, em 1995. "Tomei uma atitude inconsequente. Saímos do Vila Folia, em Parnamirim, onde eu bebi muito e não percebi o perigo de vir de carona com uma pessoa que também havia bebido. Era um conhecido. Viemos eu e mais duas pessoas no carro, que capotou três vezes em frente ao Campus Universitário. Derrubou uma parada de ônibus. Fui levada ao hospital sem saberem se eu estava viva ou morta".
Nelly passou oito dias em coma, e mais 20 dias hospitalizada. Teve fratura de crânio, edema cerebral e fratura do mastóide, um osso que fica por trás da orelha. Além das fraturas na cabeça, teve lesões na clavícula direita, onde colocou três pinos, uma fratura no braço esquerdo (ainda usa platina) e o cotovelo estilhaçado, com pinos e um enxerto do osso do quadril. Vítima que mais sofreu sequelas dos ocupantes do veículo, a jornalista ficou dois meses sem reconhecer ninguém após receber alta.
"Tudo que sei do acidente foi o que me contaram, não lembro de nada. Passei por várias fases. Primeiro falava igual a uma criança, repetia muito as coisas, o médico achou que meu cérebro estava desconfigurado. Inclusive tenho histórias engraçadas dessa época. No início as pessoas em casa diziam que eu conhecia todo mundo. Mas teve um dia que acordei e perguntei o que havia acontecido. Dai perceberam o motivo que, quando vinha determinada visita me ver, falavam que eu estava contando segredo de todo mundo, afirmando que Fulana traia o marido, que Beltrano vendia cocaína, essas coisas", conta, relembrando.
Apesar dos momentos de descontração, Nelly também sofreu muito com o acidente. "Pra mim foi um choque muito grande porque era uma situação pesada. Sofri depressão, fiz terapia. O acidente aconteceu no mesmo dia do Burro Elétrico [a jornalista é diretora do bloco], na véspera do Carnatal, e o bloco saiu porque a direção confiou que no ano seguinte eu estaria lá, brincando com eles", diz.
A vida voltou ao normal quase dois anos depois. Na época, Nelly era chefe de pauta e reportagem e produtora de rede nacional da TV Tropical. Só que a rotina atribulada e o corre-corre da redação, por recomendação médica, foram diminuídos. "Como lição, aprendi a nunca mais tomar decisões inconsequentes, entre elas não entrar no carro com alguém que bebeu e vai dirigir. Eu aprendi a dirigir depois do acidente, mas antes de sair sozinha no carro, tive muito medo. Só aprendi com 20 aulas [o normal são 10]. Embora não goste de dirigir, prefiro fazê-lo porque sei dos meus limites, e claro que não dirijo depois de beber. Sei que nasci de novo uma vez, tive uma nova chance".
Como numa redação, a vida de Nelly é pautada em antes e depois do acidente. "Tenho muito que agradecer a Deus. Não era meu momento, tenho certeza.", afirma. Católica praticante, depois do trauma Nelly também viu que o que move as pessoas é a fé. "Hoje, em tudo que faço ou digo, coloco um 'Graças a Deus'. Costumo dar um significado a isso porque sei que só o fato de viver já é uma bênção".
Valter Melo e Janaína Lobo // Os traumas de um sequestro relâmpago
O casal Valter Melo, 36, e Janaína Lobo, 31 anos [nomes fictícios], passou por um trauma quando ainda namoravam. Em 11 de abril de 1999, ela tinha 18 e ele, 23 anos de idade. "Estávamos vindo de uma festa de formatura de uma colega de faculdade dele. Eram umas 3 horas da manhã e ele foi me deixar em casa no carro dele. Eu morava com meus pais, em Morro Branco. Chegando próximo de casa vi de longe dois homens com roupas de vigias andando na rua. Estavam apitando, e vinham na direção contrária à nossa. Poucas casas tinham portão automático e eu já estava com a chave na mão para entrar. Tive um pressentimento ruim, e quando desci, ao colocar a chave no portão, eles se aproximaram e anunciaram um assalto", contou Janaína.
Tanto Valter quanto Janaína não observaram armas, mas um objeto pontiagudo dentro do casaco de um dos homens que os ameaçavam. Levaram bolsa, relógio, som do carro, celular, o salário de Valter e joias. Baixaram as roupas do casal, em busca de mais coisas que pudessem ser roubadas. O vigia da casa vizinha viu tudo, mas nada fez. Não bastasse isso, os bandidos os sequestraram por cerca de duas horas. Ameaçaram e pediram que entrassem no carro, já vestidos de novo. Valter foi obrigado a conduzir o veículo até a Via Costeira. Um dos homens ficou ao seu lado e o outro, mais ríspido com as palavras e mais agressivo, acompanhando Janaína, acossada por trás do banco de passageiros. Ao menor movimento dela, que estava com a cabeça entre as pernas, o bandido dava socos. Valter também apanhou.
A caminho da Via Costeira, o casal temeu que o pior fosse acontecer. "Eles poderiam nos matar e também tive medo de ser estuprada. Eles pareciam muito drogados, usuários de crack, cocaína, não sei. Também pareciam ter muito pouca idade", disse ela. "Meu marido percebeu que eles não sabiam dirigir. Ficavam batendo na marcha, então ele começou a diminuir a velocidade, usar segunda marcha. Dizia que o carro estava sem força. Eu rezava muito". Na região do Campus Universitário da UFRN, Valter parou o veículo embaixo de um poste, região iluminada e mais segura, imaginou. Disse que estava tonto de tanto apanhar. Nesse momento, um dos bandidos tentou dirigir o veículo. Sem sucesso. O casal foi arrancado de dentro do carro. Continuaram batendo, mas atiraram a chave do carro para longe e saíram correndo.
"Sai do carro, ajudei meu namorado a levantar no chão. Encontramos a chave e passou aquele sentimento de fúria, de tentar ir atrás deles. Mas deixamos para lá. Voltamos para a casa dos meus pais. Depois fizemos Boletim de Ocorrência (BO), fiquei um tempo traumatizada, em estado de choque. No carro, minha mãe percebeu que um deles deixou cair a carteira de estudante. Levamos à delegacia e a polícia descobriu, com os dados colhidos na escola, o lugar onde ele morava. Eram adolescentes, todos dois, mas há tempos não iam em casa. A mãe de um dos meninos, inclusive, disse que se achassem o filho dela por favor o prendessem. Só assim ele não faria mal a ninguém", continuou Janaína Lobo.
Depois de alguns dias, os dois adolescentes foram pegos. Um delatou o outro. "Fomos reconhecê-los. Um deles estava a um mês de completar a maioridade. Na ficha policial deles, o que era mais tranquilo e estava no banco do passageiro, ao lado do meu marido, já era procurado por agressão, estupro e assassinato. Já o que foi mais agressivo, que estava ao meu lado, tinha a ficha mais limpa, embora também tivesse passagem pela Febem".
Hoje o casal superou o trauma e continua junto. Casados, só souberam notícias dos seus algozes dois anos depois do sequestro relâmpago. "Soube que eles haviam morrido, vítimas da violência urbana. Me senti mal, sabe? Não tínhamos mais rancor, até passou um sentimento de perdão, mas tive pena. Tinha esperança que eles pudessem se recuperar. Vimos o desespero da mãe de um deles. Sabemos que as pessoas fazem escolhas, mas as deles não foram as melhores".
Waldemar de Almeida Neto // História de glória e de luta
Waldemar de Almeida Neto, estudante universitário de 23 anos ou simplesmente Neto, como é chamado por amigos e familiares, também tem uma história de vida de superação. Em 2001, quando tinha 12 e durante uma aula, Waldemar sentiu uma dor de cabeça tão forte que chegou a desmaiar. A diretora de sua escola ligou para sua tia, a única parente que poderia responder por ele, uma vez que seus pais são surdo-mudos. Waldemar foi encaminhado imediatamente para o hospital e após uma série de exames, uma tomografia mostrou o que seria uma das mudanças mais radicais na vida de uma criança: Waldemar tinha um tumor maligno, de cura difícil.
O Meduloblastoma Neoplasia, nome oficial do tumor cerebral maligno que se originou no cerebelo de Waldemar, pareceu significar o sinal de que havia chegado o momento de morrer. Para ele, foi o contrário. Era hora de crescer, agir e lutar. O médico responsável pelo tratamento disse à família na época que o tratamento seria difícil, que a cirurgia poderia causar grandes sequelas e que, muito possivelmente, não poderia retirar todo o tumor. A opção foi pelo tratamento. Seis meses depois, Waldemar recebeu o anúncio de que estava curado.
Começava ai uma nova vida. A família considerou um milagre mesmo. A cada novo exame de rotina, o milagre se reafirmava. Foi nesse período que Waldemar começou a viver sua vida intensamente, como qualquer jovem rapaz. Andava com os amigos, praticava esportes, estudava e também passou a ter mais fé em Deus. Segundo ele, a experiência de passar por uma doença tão difícil e conseguir a cura era a representação de Deus em sua melhor forma. Esse momento de união com uma divindade superior o fez começar a visitar hospitais e pessoas que passaram pelo mesmo sofrimento que ele, sempre mostrando que sempre há um lado positivo e que a cura pode ser alcançada, mesmo com o pior diagnóstico.
Só que, em 2009, num exame de rotina, os médicos descobriram que o tumor havia voltado. "Fiz o tratamento completo de quimioterapia e radioterapia e fiquei curado até então. Inclusive, para a medicina, se após cinco anos não houver remissão você está curado.
De Sérgio Henrique Santos, especial para O Poti
Páscoa significa renascimento. Palavra forte que muitas pessoas podem não compreender o quanto têm força e representação em suas vidas. Percebe melhor o sentido do renascimento quem passou por situações limítrofes ou lida com problemas diariamente.
Para estes, renascer tem um significado diferente. Neste Domingo de Páscoa, celebrado pelos cristãos como um rememorar da ressurreição de Jesus Cristo, O Poti/Diário de Natal foi em busca de pessoas com histórias de vida interessantes para contar, que tenham relação com a superação ou o renascimento.
Descobriu pessoas que não se importam com os infortúnios da vida, que dizem que sempre há esperança de viver dias melhores. É o caso de José Aurimar Correia de Morais, o "Tuquinha', advogado e hoje empresário, que sofreu um acidente de carro que o deixou paralítico em 1983. Não bastasse isso, recentemente ele teve três cânceres malignos. E sobrevive, forte como uma rocha e com muito orgulho de ser admirado por amigos e familiares. Igualmente exemplar é o relato da jornalista Nelly Carlos, que quase morreu quando ficou presa nas ferragens de um carro e de uma parada de ônibus, derrubada com a força do impacto num acidente no longínquo 1995, ano em que considera que "nasceu de novo".
Também algo a ensinar sobre o sentido de renascer têm o casal Valter e Janaína (nomes fictícios), que sofreram o trauma de viver um sequestro relâmpago, sob a ameaça frequente de dois bandidos, ou o médico intensivista Rodrigo Furtado, que já se acostumou, mas nunca foi indiferente aos pacientes terminais. Ele vê o 'renascimento' ali mesmo, na rotina de seu trabalho. Ou ainda o jovem estudante universitário Waldemar Neto, que escreveu um livro contando o lado positivo de ter um tumor cerebral maligno, que insiste em tentar lhe tirar a alegria de viver.
A intenção de relatar histórias como essas na edição de Páscoa de O Poti é a de que também o leitor pode tirar lições de suas próprias pedras no meio do caminho. Embora ninguém tenha feitos como os fatos bíblicos relatados na Palestina dos primeiros séculos da Era Cristã, ou salvado a humanidade com sua morte, histórias como as que ilustram essas páginas demonstram que, cada um, pode sim retirar de sua vivência, exemplos de renascimento. E se isso ocorreu com um punhado de superação, o tornando uma pessoa ainda melhor, que seja. Certamente foi mais proveitoso.
João Aurimar Correia de Morais // Pedra fundamental da família
Já são mais de 30 anos sobre uma cadeira de rodas, mas praticamente ele nunca deixou de fazer o que gosta: aproveitar a vida. Trabalhar, estudar, viajar, se divertir, viver. Todos esses são verbos intimamente relacionados ao advogado e empresário Tuquinha, como prefere ser chamado João Aurimar Correia de Morais, de 62 anos. Anos muito bem vividos, destaque-se. Antes do acidente de carro que o tornou cadeirante, Tuquinha passou por uma situação difícil em casa.
Um acidente doméstico no banheiro da piscina quase resultou na amputação da perna de uma de suas filhas, Cláudia, na época com 9 anos. "Ela tentou pegar papel higiênico e subiu no sanitário. A louça quebrou e rasgou a perna dela. Foi preciso uma cirurgia, feita no Rio de Janeiro, e várias sessões de fisioterapia, sob pena de ela ficar cadeirante. Quando fui pegá-la, no Rio, subi os 365 degraus do Cristo Redentor e fiz uma promessa, lá em cima. Preferia que antes ocorresse comigo do que com minha filha", relata. Cláudia não teve sequelas.
Quase três anos depois, Tuquinha sofreu o acidente. Ocorreu em 12 de março de 1983, um sábado. Ele vinha do trabalho, no bairro da Ribeira, e se dirigia à casa da família em Ponta Negra pela Via Costeira, na época já aberta, mas ainda não inaugurada, com pouco trânsito e ainda não sinalizada. "Reconheço que vinha em alta velocidade no meu Opala, estava doido pra chegar porque os meninos esperavam pra gente ir à praia. Tinha uma casa de veraneio na Redinha", conta. No meio do percurso, o pneu traseiro do lado do motorista estourou. Ele perdeu o controle do carro e aconteceu o pior. A partir de então a vida mudou completamente. "Nunca reclamei, mas a vida muda sim. A cabeça pensa, mas o corpo não consegue atender".
Outra coisa que mudou foi o apego maior à vontade de viver, com sua mulher, seus três filhos e nove netos. Altruísta, Tuquinha revelou-se forte até mesmo ao anunciar à família que tinha um câncer linfático nas amígdalas em 2004. Um tumor maligno e extremamente agressivo. "Reuni todo mundo, filhos e netos, e disseque estava feliz. Que ninguém se preocupasse com o câncer porque eu aguentaria. Disse que se fosse com algum de meus filhos ou netos, ai sim, eu não suportaria", anunciou. Tuquinha ainda teve mais dois cânceres, a reincidiva do tumor anterior e um problema nos pulmões.
O câncer linfático trouxe problemas de dicção e o impediu de continuar advogando na área trabalhista, como fazia até então. Tuquinha criou, então, uma empresa de terceirização de mão-de-obra, que mantém até hoje. "Nem doente, todo entubado, com traquiostomia, ele nunca teve descanso na doença dele. Mas sempre foi assim, antenado, aventureiro, homem de fé e de garra. Costumava dar ordens prestes a ir pra sala de cirurgia. Ele é o esteio, o porto seguro da nossa família. Os filhos e netos o respeitam muito. Somos loucos por ele", diz a mulher, a aposentada Antônia Morais.
Tuquinha não costuma falar que nasceu de novo, e de novo e de novo, após tudo que viveu. Diz ele: "Não vejo como renascimento, nem que nasci de novo. Acho que são as vicissitudes da vida mesmo. Prefiro acreditar que estava escrito em algum lugar que eu passaria por isso. Mas nada mudou, nem religiosamente, nem moralmente na minha vida. Continuo o mesmo, com os defeitos e as virtudes que sempre tive".
Rodrigo Furtado // Amor incondicional pela profissão
O jovem médico intensivista Rodrigo Furtado, 38 anos, trabalha em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) há 10 anos, e há um ano coordena a Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, que funciona no Hospital Walfredo Gurgel, o maior do Estado. Está acostumado a ver situações limítrofes, de pessoas que estão entre a vida e a morte. Para ele, a palavra 'renascimento' tem um significado diferente. "Não faço consultório, não trabalho com situações tranquilas. Meu prazer é trabalhar com doentes críticos, que estão entre a vida e a morte. Tentamos ao máximo fazer tudo para salvá-los. Se não for possível, tentamos confortar sua dor", diz.
Seja um câncer terminal ou infarto fulminante, o médico explica que os dramas desses pacientes requerem também uma atenção especial à família da pessoa doente, não raramente tão debilitada quanto o enfermo. "O século 21 é o século da humanização. As gerações anteriores à minha foram treinadas para curar. Todo mundo fazia assim na medicina. Só que com o passar do tempo vimos quenão tinha sentido esse afã pela cura, porque sabemos que muitas vezes a cura não é possível. Nesses casos, ficar junto, tentar tirar a dor, não usar terapias inúteis pra uma cura que não vem é o mais importante".
Histórias como a de um adolescente com 13 anos de idade, de família carente de Baía Formosa, que precisava fazer um transplante de válvula cardíaca, espécie de porteira do coração que regula a passagem de sangue por dentro do órgão, marcam a vida profissional e pessoal de Rodrigo. "Esse menino estava com o coração deteriorado, com as funções comprometidas, ele já não conseguia fazer mais atividades comuns a qualquer adolescente: andar e correr, por exemplo. Vivia deitado na cama". Graças ao trabalho de busca ativa por um órgão para que o garoto pudesse fazer o transplante, a equipe de Rodrigo conseguiu fazê-lo renascer. "Ele conseguiu uma válvula cardíaca de um Banco de Multienxertos em Curitiba (PR). A cirurgia foi um sucesso. Em dois meses ele já estava conseguindo restabelecer sua vida. Hoje eleadora surfar", conta o médico, com orgulho.
Orgulho, por sinal, é o que mais o motiva na profissão que escolheu, a Medicina, quando decidiu estudar para o vestibular da UFRN em 1991, e de onde saiu para se especializar no Sudeste do país, na Escola Paulista de Medicina, em 2007. "O que me motiva é esse amor incondicional pela profissão. Pacientes que estão próximo à morte e que conseguimos reverter tudo isso, trazendo-os à vida normal ou muito próximo disso como era antes. Ver esse menino agora, grandão, forte e saudável é uma sensação indescritível".
O fato de trabalhar na Central de Transplantes também trouxe um diferencial à carreira do médico intensivista. Agora ele salva a vida de pessoas que nem conhece, uma vez que o sistema funciona como uma rede de busca e entrega de órgãos por todo o país. "Mesmo no trabalho burocrático de administrar a Central, ainda é amor incondicional. A gente lida com órgãos, e embora 95% das vezes não saibamos quem são as pessoas que salvamos, me sinto realizado. Sou uma pessoa melhor".
Nelly Carlos // Decisões impensadas nunca mais
A jornalista Nelly Carlos, 47 anos, atual presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RN (Sindjorn), costuma dizer que faz aniversário duas vezes ao ano. A data em que nasceu, 31 de maio, e o dia 4 de dezembro, quando renasceu após sobreviver a um acidente automobilístico depois de uma festa, em 1995. "Tomei uma atitude inconsequente. Saímos do Vila Folia, em Parnamirim, onde eu bebi muito e não percebi o perigo de vir de carona com uma pessoa que também havia bebido. Era um conhecido. Viemos eu e mais duas pessoas no carro, que capotou três vezes em frente ao Campus Universitário. Derrubou uma parada de ônibus. Fui levada ao hospital sem saberem se eu estava viva ou morta".
Nelly passou oito dias em coma, e mais 20 dias hospitalizada. Teve fratura de crânio, edema cerebral e fratura do mastóide, um osso que fica por trás da orelha. Além das fraturas na cabeça, teve lesões na clavícula direita, onde colocou três pinos, uma fratura no braço esquerdo (ainda usa platina) e o cotovelo estilhaçado, com pinos e um enxerto do osso do quadril. Vítima que mais sofreu sequelas dos ocupantes do veículo, a jornalista ficou dois meses sem reconhecer ninguém após receber alta.
"Tudo que sei do acidente foi o que me contaram, não lembro de nada. Passei por várias fases. Primeiro falava igual a uma criança, repetia muito as coisas, o médico achou que meu cérebro estava desconfigurado. Inclusive tenho histórias engraçadas dessa época. No início as pessoas em casa diziam que eu conhecia todo mundo. Mas teve um dia que acordei e perguntei o que havia acontecido. Dai perceberam o motivo que, quando vinha determinada visita me ver, falavam que eu estava contando segredo de todo mundo, afirmando que Fulana traia o marido, que Beltrano vendia cocaína, essas coisas", conta, relembrando.
Apesar dos momentos de descontração, Nelly também sofreu muito com o acidente. "Pra mim foi um choque muito grande porque era uma situação pesada. Sofri depressão, fiz terapia. O acidente aconteceu no mesmo dia do Burro Elétrico [a jornalista é diretora do bloco], na véspera do Carnatal, e o bloco saiu porque a direção confiou que no ano seguinte eu estaria lá, brincando com eles", diz.
A vida voltou ao normal quase dois anos depois. Na época, Nelly era chefe de pauta e reportagem e produtora de rede nacional da TV Tropical. Só que a rotina atribulada e o corre-corre da redação, por recomendação médica, foram diminuídos. "Como lição, aprendi a nunca mais tomar decisões inconsequentes, entre elas não entrar no carro com alguém que bebeu e vai dirigir. Eu aprendi a dirigir depois do acidente, mas antes de sair sozinha no carro, tive muito medo. Só aprendi com 20 aulas [o normal são 10]. Embora não goste de dirigir, prefiro fazê-lo porque sei dos meus limites, e claro que não dirijo depois de beber. Sei que nasci de novo uma vez, tive uma nova chance".
Como numa redação, a vida de Nelly é pautada em antes e depois do acidente. "Tenho muito que agradecer a Deus. Não era meu momento, tenho certeza.", afirma. Católica praticante, depois do trauma Nelly também viu que o que move as pessoas é a fé. "Hoje, em tudo que faço ou digo, coloco um 'Graças a Deus'. Costumo dar um significado a isso porque sei que só o fato de viver já é uma bênção".
Valter Melo e Janaína Lobo // Os traumas de um sequestro relâmpago
O casal Valter Melo, 36, e Janaína Lobo, 31 anos [nomes fictícios], passou por um trauma quando ainda namoravam. Em 11 de abril de 1999, ela tinha 18 e ele, 23 anos de idade. "Estávamos vindo de uma festa de formatura de uma colega de faculdade dele. Eram umas 3 horas da manhã e ele foi me deixar em casa no carro dele. Eu morava com meus pais, em Morro Branco. Chegando próximo de casa vi de longe dois homens com roupas de vigias andando na rua. Estavam apitando, e vinham na direção contrária à nossa. Poucas casas tinham portão automático e eu já estava com a chave na mão para entrar. Tive um pressentimento ruim, e quando desci, ao colocar a chave no portão, eles se aproximaram e anunciaram um assalto", contou Janaína.
Tanto Valter quanto Janaína não observaram armas, mas um objeto pontiagudo dentro do casaco de um dos homens que os ameaçavam. Levaram bolsa, relógio, som do carro, celular, o salário de Valter e joias. Baixaram as roupas do casal, em busca de mais coisas que pudessem ser roubadas. O vigia da casa vizinha viu tudo, mas nada fez. Não bastasse isso, os bandidos os sequestraram por cerca de duas horas. Ameaçaram e pediram que entrassem no carro, já vestidos de novo. Valter foi obrigado a conduzir o veículo até a Via Costeira. Um dos homens ficou ao seu lado e o outro, mais ríspido com as palavras e mais agressivo, acompanhando Janaína, acossada por trás do banco de passageiros. Ao menor movimento dela, que estava com a cabeça entre as pernas, o bandido dava socos. Valter também apanhou.
A caminho da Via Costeira, o casal temeu que o pior fosse acontecer. "Eles poderiam nos matar e também tive medo de ser estuprada. Eles pareciam muito drogados, usuários de crack, cocaína, não sei. Também pareciam ter muito pouca idade", disse ela. "Meu marido percebeu que eles não sabiam dirigir. Ficavam batendo na marcha, então ele começou a diminuir a velocidade, usar segunda marcha. Dizia que o carro estava sem força. Eu rezava muito". Na região do Campus Universitário da UFRN, Valter parou o veículo embaixo de um poste, região iluminada e mais segura, imaginou. Disse que estava tonto de tanto apanhar. Nesse momento, um dos bandidos tentou dirigir o veículo. Sem sucesso. O casal foi arrancado de dentro do carro. Continuaram batendo, mas atiraram a chave do carro para longe e saíram correndo.
"Sai do carro, ajudei meu namorado a levantar no chão. Encontramos a chave e passou aquele sentimento de fúria, de tentar ir atrás deles. Mas deixamos para lá. Voltamos para a casa dos meus pais. Depois fizemos Boletim de Ocorrência (BO), fiquei um tempo traumatizada, em estado de choque. No carro, minha mãe percebeu que um deles deixou cair a carteira de estudante. Levamos à delegacia e a polícia descobriu, com os dados colhidos na escola, o lugar onde ele morava. Eram adolescentes, todos dois, mas há tempos não iam em casa. A mãe de um dos meninos, inclusive, disse que se achassem o filho dela por favor o prendessem. Só assim ele não faria mal a ninguém", continuou Janaína Lobo.
Depois de alguns dias, os dois adolescentes foram pegos. Um delatou o outro. "Fomos reconhecê-los. Um deles estava a um mês de completar a maioridade. Na ficha policial deles, o que era mais tranquilo e estava no banco do passageiro, ao lado do meu marido, já era procurado por agressão, estupro e assassinato. Já o que foi mais agressivo, que estava ao meu lado, tinha a ficha mais limpa, embora também tivesse passagem pela Febem".
Hoje o casal superou o trauma e continua junto. Casados, só souberam notícias dos seus algozes dois anos depois do sequestro relâmpago. "Soube que eles haviam morrido, vítimas da violência urbana. Me senti mal, sabe? Não tínhamos mais rancor, até passou um sentimento de perdão, mas tive pena. Tinha esperança que eles pudessem se recuperar. Vimos o desespero da mãe de um deles. Sabemos que as pessoas fazem escolhas, mas as deles não foram as melhores".
Waldemar de Almeida Neto // História de glória e de luta
Waldemar de Almeida Neto, estudante universitário de 23 anos ou simplesmente Neto, como é chamado por amigos e familiares, também tem uma história de vida de superação. Em 2001, quando tinha 12 e durante uma aula, Waldemar sentiu uma dor de cabeça tão forte que chegou a desmaiar. A diretora de sua escola ligou para sua tia, a única parente que poderia responder por ele, uma vez que seus pais são surdo-mudos. Waldemar foi encaminhado imediatamente para o hospital e após uma série de exames, uma tomografia mostrou o que seria uma das mudanças mais radicais na vida de uma criança: Waldemar tinha um tumor maligno, de cura difícil.
O Meduloblastoma Neoplasia, nome oficial do tumor cerebral maligno que se originou no cerebelo de Waldemar, pareceu significar o sinal de que havia chegado o momento de morrer. Para ele, foi o contrário. Era hora de crescer, agir e lutar. O médico responsável pelo tratamento disse à família na época que o tratamento seria difícil, que a cirurgia poderia causar grandes sequelas e que, muito possivelmente, não poderia retirar todo o tumor. A opção foi pelo tratamento. Seis meses depois, Waldemar recebeu o anúncio de que estava curado.
Começava ai uma nova vida. A família considerou um milagre mesmo. A cada novo exame de rotina, o milagre se reafirmava. Foi nesse período que Waldemar começou a viver sua vida intensamente, como qualquer jovem rapaz. Andava com os amigos, praticava esportes, estudava e também passou a ter mais fé em Deus. Segundo ele, a experiência de passar por uma doença tão difícil e conseguir a cura era a representação de Deus em sua melhor forma. Esse momento de união com uma divindade superior o fez começar a visitar hospitais e pessoas que passaram pelo mesmo sofrimento que ele, sempre mostrando que sempre há um lado positivo e que a cura pode ser alcançada, mesmo com o pior diagnóstico.
Só que, em 2009, num exame de rotina, os médicos descobriram que o tumor havia voltado. "Fiz o tratamento completo de quimioterapia e radioterapia e fiquei curado até então. Inclusive, para a medicina, se após cinco anos não houver remissão você está curado.
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