Defensor afirma que não alegará que sua cliente sofria de insanidade ou outro distúrbio mental ao matar e esquartejar marido
Valmar Hupsel Filho
A defesa de Elize Matsunaga afirmou nesta quinta-feira que não vai
alegar que sua cliente sofria de insanidade ou qualquer outro distúrbio
mental no momento do assassinato do empresário Marcos Matsunaga, em
maio. Elize já confessou à Polícia o assassinato e esquartejamento do
marido. "Está descartada essa alegação", diz advogado Luciano Santoro,
que representa Elize. "Ela é uma pessoa normal e tinha pleno domínio de
suas faculdades mentais na hora do crime."
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Aos olhos da psiquiatria, o assassinato e posterior esquartejamento de
Matsunaga por Elize pode ser dividido em duas etapas, segundo avaliação
do psiquiatra forense Guido Palomba a partir das informações divulgada
pela Polícia Civil de São Paulo até agora. A primeira fase, passional e
impensada, coincide com o momento em que Elize dispara contra o marido,
provavelmente movida por uma crise de ciúmes. A segunda é relativa ao
esquartejamento do corpo de Marcos, 12 horas após o crime. Apesar de não
ser premeditada, a conduta é ordenada e revela um grau anormal de
insensibilidade e indiferença, segundo o estudioso.
Elize secionou o corpo do marido no quarto de hóspedes do apartamento
do casal, na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital paulista, enquanto a
filha deles brincava com a babá em outro cômodo. “O esquartejamento é
sempre característica de pessoas com alta periculosidade: afinal,
trata-se uma cena dantesca à qual poucas pessoas têm estômago para
assistir”, diz o psiquiatra.
Palomba ressalta que, em geral, o assassino não planeja esquartejar a
vítima. Esse pensamento só aparece posteriormente, após o assassinato,
como resultado da necessidade de se livrar do corpo. Para saber se Elize
possui traços de psicopatia, no entanto, é preciso uma análise detida
sobre fatos de seu passado, segundo o médico. "É necessário saber se ela
apresentou distúrbios de comportamento, como maltratar animais."
O psiquiatra chama a atenção ainda para o fato de o assassinato de
Matsunaga ser o primeiro caso conhecido em que uma mulher realiza
sozinha um esquartejamento. E acrescenta que não tem dúvidas de que se
trata de um crime passional. "Nada foi planejado", diz. Para ele, Elize
teve uma crise de ciúmes, motivada por informações fornecidas por
detetives contratados por ela que revelaram que o marido a traía. "Não
existe crime passional sem ciúmes."
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