domingo, 29 de julho de 2012

Um ponta de nome inesquecível

Lavanderia, ex-América e Globo, narra suas experiências no futebol do Nordeste
Rosana Pimentel
Rosanapimentel.rn@dabr.com.br

O apelido ele ganhou antes de começar a jogar. Trabalhava numa lavanderia, entregava roupa aos clientes e quando chegou ao América, o nome já era comum entre os amigos. Com os jogos transmitidos pelo rádio, o nome passou a ser repetido, no início como brincadeira, mas depois todo mundo o chamava de Lavanderia.
Jogava no ataque, era um dos melhores pontas de lança de sua época. Lavanderia começou a jogar no América em 1958, tinha 17 anos e logo se destacou. Quando o alvirrubro se licenciou ele foi para o Globo. Atuou lá durante um ano até que se mudou para Campina Grande, onde foi defender o Treze.
Ex-atacante aposentou-se como soldador e mora sozinho no bairro de Mãe Luiza. Foto: Eduardo maia/dn/d.a. press
Passou pelo Santa Cruz, pelo Guarabira, jogou em times de quase todo o Nordeste e participou de grandes equipes. "Pelos times que eu passei, se fosse hoje em dia eu tava riquíssimo. Joguei contra Belini, Telê Santana, Fontana lá do Recife. Teve uma época que eu dava em todo mundo. Mas eu me cuidava, pra poder fazer um trabalho bom", diz. Só não eram bons os contratos que eram feitos nesse período. "O futebol veio melhorar de 70 pra cá, nessa parte financeira. Os contratos eram muito ruins, eram contratos de gaveta, não tinha esse salário como tem hoje".

No Treze, ele diz que recebia 12 mil reis e só de hotel pagava 7 mil, então foi buscar outras oportunidades. "O Treze era um time só de nome, mas não tinha dinheiro, o salário era pequeno". Mas Lavanderia conta que o o time de Campina Grande divulgou no Diário da Borborema que queria mantê-lo na equipe e a torcida certamente se ressentiu com a saída do atacante. Com isso, vieram os xingamentos: "a gente foi jogar lá num amistoso, era pra dar renda pro Treze, mas quando entrei no campo era todo mundo gritando: Ladrão!, Ladrão! Roubou o Treze! (risos). Mas era essas coisas de futebol mesmo. Tenho é muita lembrança boa", avalia.
Já a fase que passou no Ferroviário rendeu bons frutos ao ex-jogador. Além do salário ser bom, o "bicho" sempre melhorava a situação da equipe. "Foi o melhor dinheiro que eu ganhei como profissional etinha gente que ganhava mais, porque tinha jogador que vinha do Botafogo emprestado. Eu recebia 180 mil reis, era dinheiro, na época, viu? Se eu tivesse continuado jogando futebol, hoje eu tava bem no Ferroviário, eu já tava aposentado.", afirma.
Mas ele não ficou muito tempo no futebol. Pendurou as chuteiras em 1967, pouco tempo depois de fazer uma cirurgia de menisco. Depois da operação ficou um tempo fora de campo, voltou a jogar, mas se machucou novamente. Diz que ainda hoje sente dor no joelho. Longe dos gramados, a vida mudou. "Quando saí fui trabalhar. Trabalhei de ajudante, trabalhei de soldador, hoje eu sou aposentado como soldador. Trabalhei numa firma por 10 anos, me casei, divorciei, tenho família que mora em Fortaleza, três filhos lá, duas filhas aqui e hoje moro só, em Mãe Luiza". 
PaqueradorLavanderia fazia sucesso no campo e fora dele. "É.. eu era danadinho", brinca. "Eu gostava quando entrava em campo, nas arquibancadas em todo lado tinha uma paquera", lembra. Na época que morava em Fortaleza, começou a namorar uma moça de família com dinheiro. Segundo ele, os pais dela eram do tipo que comiam no mesmo prato de barro e a menina sempre dizia: "Pereira, você não me engane", até que um dia a mãe dele decidiu fazer uma visita sem avisar e a primeira coisa que os amigos fizeram foi apresentar a moça para a futura sogra. "Disseram: ó dona fulana, essa aqui é a namorada de Pereira. Aí ela fez: como? Ele é noivo em Limoeiro! Pronto, aquilo ali quebrou a panela de barro", conta

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