sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Lewandovski arrepia a grande imprensa e Noblat pede o seu "enquadramento"

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Revisor do mensalão, o ministro Ricardo Lewandoski votou ontem pela absolvição do deputado federal João Paulo Cunha das acusações de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro - contrariando o pensamento do relator Joaquim Barbosa e da Procuradoria-Geral da República.Como consequência, a grande imprensa ficou toda arrepiada e, é claro, indignada.
Em sua primeira página, o jornal O Globo publicou em destaque a foto dos advogados de defesa "comemorando" a decisão de Lewandovski e na manchete garrafal diz que o ministro "agora absolve político do PT". Lá dentro, na reportagem, o texto longo termina com a lembrança de que no dia anterior o mesmo Lewandovski havia condenado Henrique Pizolatto, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, por acusações parecidas feitas a ele.
No O Estado de S.Paulo, o texto de Fausto Macedo e Felipe Recondo mostra o seu lado já na ironia do primeiro parágrafo. "Ricardo Lewandowski devolveu a esperança, a confiança e o sorriso à defesa dos réus do mensalão. A absolvição do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) fez seu advogado, o criminalista Alberto Zacharias Toron, deixar o Supremo Tribunal Federal no início da noite reverenciando "a densidade" do voto do ministro revisor e se declarando "muito feliz, muito feliz mesmo", enquanto era cumprimentado e beijado por colegas de beca. "Toron, você é dez, dez, dez", abraçou-o Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, que defende o marqueteiro Duda Mendonça", escreveram os jornalistas.
A Folha de S.Paulo segue a mesma linha, destilando veneno no matéria que conta o surpreendente voto de Lewandovski e lembrando que o "candidato a prefeito de Osasco nas eleições deste ano, João Paulo mandou a mulher buscar R$ 50 mil numa agência bancária em 2003, quando o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza distribuiu milhões de reais a políticos do PT e outros partidos que apoiavam o governo Lula no Congresso.
Pouco depois do saque, a Câmara dos Deputados assinou com uma das agências de propaganda de Valério um contrato de R$ 10 milhões."
Josias de Souza, agora voltado apenas para o seu blog, diz em um longo e tortuoso texto que o voto de Lewandovski é "duro de roer".
Mas cabe a Ricardo Noblat, em artigo postado ontem à noite em seu blog, a crítica mais feroz a Lewandovski. O jornalista chega a escrever que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Brito, "tem até a próxima segunda-feira para amansar ou enquadrar" o ministro.
Parece mentira, mas não é.
Leiam:
Se Carlos Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, não for capaz de pesar a mão, o julgamento do processo do mensalão não chegará ao fim. Ou não chegará ao fim bem.
O papel do ministro-revisor do processo é importante, mas secundário. Não se equipara ao do ministro-relator, o responsável pela condução do processo.
Cabe ao ministro-revisor apontar eventuais inconsistências e contradições no voto do relator e, naturalmente, discordar do voto dele se for o caso.
Lewandowski, o ministro-revisor, decidiu funcionar como uma espécie de ministro-relator do B. Está tentando fazer o papel de contra-ponto do relator, o ministro Joaquim Barbosa.
Se Barbosa vestiu a toga da acusação, como dizem alguns juristas com amplo trânsito no Supremo, Lewandovski vestiu a toga da defesa.
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por exemplo, foi apontado por Barbosa como tendo cometido quatro crimes. O publicitário Marcos Valérios e seus sócios outros tantos. Lewandowski absolveu todos.
Nada de mais haveria nisso se Lewandovski não emitisse fortes sinais de que pretende se comportar assim até o fim do julgamento. Barbosa dirá "A". Lewandowski dirá "B".
Não é possível que "a verdade processual" seja algo tão diferente para um e para outro.
Ayres Brito tem até a próxima segunda-feira para amansar ou enquadrar Lewandowski, que ameaçou se afastar do julgamento se não desfrutar dos mesmos direitos de Joaquim.
Como ministros eles têm direitos iguais, sim. Como relator e e revisor, não - e isso está muito claro no regimento interno do tribunal.
Aconselha-se a Joaquim que tome cajuína para manter a calma

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