domingo, 28 de outubro de 2012

A Menina Sanfoneira

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"Tem sangue nos olhos!", afirmou o maestro José Luiz, "saxofonista de primeira linhagem que vive correndo o estado com bandas de música", conforme relata o produtor musical José Dias em sua mensagem por e-mail esta semana.

Para Zé Dias afirmar isso, tem coisa aí, pensei comigo. E Zé continua: "Estou com 53 Anos e profissionalmente com a música, trabalho desde 1995 quando iniciei o "Seis e Meia" (programa semanal que levava ao palco do Teatro Alberto Maranhão artistas locais e convidados de renome da MPB nacional).
"Na música do meu estado já vi quase de tudo e sou um apaixonado pelo que se produz
aqui.  Fazer a homenagem a Gonzaga na Festa do Boi, está sendo um desafio que, pela aceitação do público, tem me deixado feliz. Ontem, no Camarim, vários músicos me alertaram sobre uma MENINA de 13 Anos chamada de Valbeane, nascida em Monte Alegre e criada em Lagoa Salgada. Juntamente com o irmão, Valber, de 9 anos, tocava em alguns espaços da festa e era muito bem recebida.", relata o produtor musical e marido da cantora e compositora Khrystal.
Zé fez questão de destacar, em seu linguajar característico que "encheram tanto o saco que mandei chamá-la. Chega a MENINA com uma Sanfona MEIA BOCA, acompanhada da mãe e de bate-pronto perguntei se ela toparia tocar uma canção com a banda de Raimundo Flor. Ela, com os olhos brilhando, disse que sim e eu lhe afirmei que se fosse bom, ela estaria contratada para o sábado às 18hs, ganhando um cachê igual aos outros artistas da Festa."


Emocionado, o produtor cultural e grande incentivador da boa música potiguar, conta em detalhes que "no Camarim, afinando o instrumento precário, maestro Zé Luiz, saxofonista de primeira linhagem, que vive correndo o Estado com Bandas de Música, me alertou: TEM SANGUE NOS OLHOS. Subiu ao palco, a platéia chegou mais próximo e ela em vez de uma, tocou três, sendo ovacionada por todos. Me emocionei tanto, que a lágrima caiu e ela estará sábado na ASSEMBLEIA DE GONZAGÃO, às 18hs, com a Banda que a acompanhou. Valbeane, por sí só, já justificou a HOMENAGEM a GONZAGA. A missão está cumprida. Falta muito, mas ela tem "sangue nos olhos"."
Fui lá, para ver de perto esta nova descoberta na música potiguar. Conheci a família de Valbeane. O pai, José Valmir do Nascimento, músico que toca teclado e zabumba. A mãe, Neide Francisca do Nascimento, e o irmão, José Valber do Nascimento, de 9 anos.
Dona Neide (foto, a primeira à esquerda)

 

conta que Valbeane (seu nome completo é Maria Valbeane do Nascimento, natural de Monte Alegre, mas criada em Lagoa Salgada) aos seus 4 anos de idade começou a cantar as canções regionais nordestinas. Aos 8 anos ganhou deles o seu primeiro instrumento, um teclado. Aos 11 anos e 6 meses, os pais trocaram o teclado por uma "sanfoninha bem cansadinha, de cor verde. Ela se apaixonou pela sanfona e pelo forró pé de serra de Luiz Gonzaga", faz questão de dizer sua mãe.
Quando completou 12 anos, Valbeane já se apresentava em Parnamirim, Vera Cruz, Serra Talhada, São Paulo e São Pedro do Potengi. Também já se apresentou em Fortaleza e, ano passado tocou na recepção à ministra da Cultura. A família reconhece e manifesta gratidão pelo apoio que sempre recebeu do empresário e sanfoneiro potiguar Marcos Lopes, que conduz em São José do Mipibu o conhecido e popular "Forró da Lua".

 

"Acho interessante. É raro uma mulher tocar sanfona hoje", responde Valbeane quando indaguei sobre como ela vê este momento atual de sua descoberta pelo público e por alguns produtores e músicos. Mas mostra o seu lado humano e simples quando diz que "agradeço as oportunidades que estou tendo. Agradeço a Deus e vou procurar me aprimorar cada vez mais."
A "Menina Sanfoneira", como gosta de se apresentar em público, estuda no 9º ano do Ensino Fundamental de Lagoa Salgada. Admira e pesquisa as obras de Luiz Gonzaga, Marinez, Valdoniz, Elba Ramalho e outros músicos, compositores e cantores de nossa MPB. Gosta da sanfona, como instrumento musical, pela sua sonoridade, suavidade no tocar e pelo formato do instrumento. Toca, além de forró, chorinho, samba, seresta e pagode.

Assisti e vibrei com o show da "Menina Sanfoneira", acompanhada na zabumba pelo seu irmãozinho Valber. O público aplaudiu diversas vezes, para um Zé Dias que estava alí, num cantinho do palco, calado, atento e com a emoção à flor da pele.
Valbeane é uma artista nata! Tem estrela! Merece oportunidade e apoio. Apelo para a Escola de Música da UFRN e para o Instituto Valdemar de Almeida da Fundação José Augusto. Ela precisa de aperfeiçoamento e de ensino e aprendizagem em teoria musical. Conto com vocês, amigos e colegas professores.
Quando você quiser um acompanhamento musical, mantenha contato com os pais de Valbeane pelos telefones (84) 8869.5539 ou 8834.4413.

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