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Por Leonardo Dantas Silva...
Vitorina
morava no Angu, em Nazaré da Mata.Já descambava no sem
jeito,
quando
apareceu um casamento imprevisto: um velho.Foi conselho
daqui,
conselho
d’acolá, e como o estômago está na frente do amor, Vitorina
resolveu
topar, porque o velho tinha umas casas que davam para deixá-la a
locé.
Casaram-se,
e como o velho não era tão velho assim, tiveram três filhos.
Depois,
o velhinho ficou doente e não deu mais nada.
O
velhinho cada vez mais fraco e Vitorina cada vez mais fogosa.
Um
negociante de madeira, freguês do velho, a quem vendia material
para
conserto
de suas casas, entrou na jogada. Foi visto com Vitorina em
lugares
distantes
e inexplicados. O falatório começou.
Morto
o velho, Vitorina herdou suas casas, e o “homem dos paus” entrou
no
espólio, casando-se com Vitorina. Vieram mais três filhos e
Vitorina
continuava
fogosa como nunca. Acostumara-se com fugas, negaças, tapeações,
e
o gosto do amor parecia mais picante com esses pequenos riscos.
O
segundo marido não aguentou o “peso da cabeça” e pediu o
desquite.
Na
partilha dos meninos houve um impasse. O terceiro do primeiro
(casamento)
era reclamado pelo segundo (marido), mas a mulher sustentava
que
era filho do velho.
Na
audiência, o juiz perguntou ao querelante:
-
Que provas tem o senhor para afirmar que o filho é seu, se na época
da
concepção
sua mulher era casada com outro homem?”
–
É que nesse tempo, doutor, o velhinho já estava cansado e eu
vinha
“ajudando”
ele!
Foi
quando ponderou o magistrado:
-
Muito bem! Com os precedentes de sua mulher, o senhor agora me deixa
em
dificuldades
para entregar-lhe seus próprios filhos, porque não sei se alguém
andou
ajudando o senhor também.
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