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Os
corredores da Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal, foram
transformados em enfermarias improvisadas. Segundo a diretoria, a
unidade já trabalha acima da capacidade, mas desde a semana passada o
movimento foi intensificado. A solução encontrada foi transferir as 35
pacientes excedentes para os corredores. A sala de pré-parto e as salas
de cirurgia também estão abrigando as mães com os recém-nascidos.
A
direção da maternidade - que é gerida pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN) - atribuiu a superlotação à falta de estrutura
das redes municipal e estadual de saúde. Segundo o Governo do Estado, as
unidades estaduais estão funcionando e o hospital Santa Catarina, que
realiza partos na capital, está superlotado devido à desassistência
municipal. Já a secretária de Saúde de Natal, Joilka Bezerra, disse que
os atendimentos foram normalizados nas três maternidades municipais.
“A
superlotação a esse ponto é inédita. Com os pacientes dispostos dessa
maneira, não é possível fornecer o tratamento que elas necessitam.
Acabaram de passar por uma cirurgia e não têm direito a uma cama. Ficam
expostas e sem conforto com os filhos que acabaram de nascer”, lamentou
Maria Daguia Medeiros, diretora e médica da Maternidade Januário Cicco.
Esse
é o caso de Aline de Farias, de 20 anos. Ela passou por uma cesariana
na noite desta quarta-feira (14) e, sem leito, dormiu em uma maca no
corredor. Na manhã desta quinta (15), ela foi 'transferida' para uma
cadeira no mesmo local.
“Sinto
muitas dores. Ficar sentada depois da cirurgia é muito doloroso. Não
ter um leito dentro do quarto é triste. Tudo que a pessoa quer é ficar
num canto reservado com o bebê. Mas o que tenho é isso”, desabafou
Aline.
“É
um absurdo. Ver minha filha assim é triste. Mas espero que ela receba
logo alta amanhã (16) e fique repousando numa cama na nossa casa”, Lúcia
de Farias, mãe de Aline.
A
história de Aline se repete com as 35 mulheres distribuídas em
corredores, salas de pré-parto e centros cirúrgicos. Todos os lugares
viraram enfermarias improvisadas.
“A
mulher acaba de parir e não tem vaga nem no corredor. O jeito é
deixá-la na mesa de cirurgia. O problema é que isso atrasa o parto das
outras que estão na sala de espera. Mas só posso tirar a paciente da
mesa se tiver onde colocá-la, se não, ela dorme no centro cirúrgico”,
afirmou a diretora.
Maria
da Silva veio de Senador Georgino Avelino, cidade a 50 quilômetros de
Natal. Chegou na capital na tarde desta quarta-feira, passou pela
cesariana e desde então está se recuperando da cirurgia numa cadeira,
também no corredor.
“A
gente não tem privacidade, fica aqui sendo atendida pelo médico na
frente de todo mundo. Além do incômodo de ficar dia e noite sentada. Mas
o tratamento é bom, tem médico, então vou enfrentar isso”, disse Maria.
A
equipe médica está assistindo 127 pacientes, quando deveria atender a
92, a capacidade da maternidade. Para não perder o controle e
administrar os medicamentos corretamente, os funcionários deram nomes
aos leitos: Cadeira 1, Cama 2, Maca 3.“Tivemos que improvisar nisso
também. Chegou ao cúmulo de considerar uma cadeira no meio do corredor
como leito. Estamos atendo os pacientes nos lugares mais improváveis. É
lamentável”, enfatizou Nickson da Silva, técnico de enfermagem.
As
duas salas do Centro Cirúrgico estão ocupadas com pacientes que
acabaram de parir. Os partos só serão recomeçados quando as mães foram
transferidas. “Isso só acontecerá quando alguma cadeira vagar lá em
baixo”, disse Maria Daguia.
Ainda
de acordo com a direção, a superlotação na Januário Cicco é
consequência da má gestão dos governos estadual e municipal. “As outras
maternidades estão desabastecidas, por isso todas as parturientes correm
para cá. A governadora não liga a mínima a para a saúde da mulher no
Rio Grande do Norte”, finalizou a diretora.
http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia
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