sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Nunca mostrei serviço, como é que vão confiar em mim?"

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Felipe Gurgel - Repórter de Esportes
Aos 38 anos de idade e mais de oito dedicados ao futebol, Alexandre Irineu recebeu a proposta mais difícil na sua curta carreira: deixar de ser preparador físico para se tornar técnico de um clube que vem passando por uma crise financeira e que vai ficar sem jogar uma partida oficial pelos próximos 15 dias, quando vai se iniciar o primeiro turno do campeonato potiguar. Mesmo assim, o profissional aceitou o convite do presidente do América, Alex Padang, para substituir Roberto Fernandes, demitido após a eliminação precoce na Copa do Nordeste.
Júnior SantosAlexandre Irineu, treinador do américaAlexandre Irineu, treinador do américa

Como você vê esse seu novo momento no futebol?


Não fazia parte do meu plano nesse momento. Não era meu ideal e não estava pensando nisso agora. Fui pego de surpresa com o convite mas não me assustei, até porque, venho me preparando e me capacitando para isso há algum tempo, amadurecendo a ideia e fazia parte dos meus planos daqui há dois anos, aos 40 anos de idade, parar de ser preparador físico e me tornar técnico de futebol. Isso nunca foi exposto para ninguém, exceto para os meus familiares. Vi essa oportunidade com bons olhos. Na verdade, as oportunidades surgem quando você menos espera. Me sinto capacitado, de certa forma, para iniciar esse projeto. Só estou antecipando um ideal, uma meta que tinha para minha carreira.

Conversou com Roberto Fernandes (ex-técnico do América), antes de aceitar o convite?

Antes mesmo do convite. Nós conversamos, até porque, tem que se tomar muito cuidado em qualquer situação. Temos que ser cuidadosos com as palavras. Vim para o América através do Roberto Fernandes. Ele quem abriu as portas do clube para mim. Então, qualquer decisão que fosse ser tomado, tinha que ser de comum acordo com ele. Roberto foi o primeiro a me dar força, a apoiar essa minha decisão. O próprio presidente, Alex Padang, conversou com o Roberto Fernandes antes de me convidar e todos disseram que isso seria uma decisão natural, mesmo sem saber da minha vontade de me tornar técnico, já que nunca tinha comentado com ninguém sobre isso.

Como é iniciar essa carreira de técnico em um clube quem vem atravessando um momento financeiro tão difícil?

Na verdade, a oportunidade surgiu por causa desses problemas que o clube atravessa, não adianta se iludir. Mas, tenho muita esperança. A expectativa dos dirigentes é de que as coisas comecem a clarear, voltem a melhorar e, dentro desse cenário atual, vou tentar fazer o meu melhor para ajudar o América nas competições que vão começar. O que pedi aos atletas é que eles fiquem motivados, empenhados no objetivo. Não adianta mais ficar olhando para trás. Temos que reerguer a cabeça. Temos que ter prazer em fazer bem feito, em sentir dor e ultrapassar os nossos limites no dia a dia. Só assim vamos reverter o que aconteceu e ajudar o América a sair dessa situação.

Como é trabalhar com a desconfiança por parte dos torcedores, já que a grande maioria não lhe conhecia?

A desconfiança é de todo mundo. Inclusive, tenho certeza, que dos atletas também. Mas, fui muito bem recebido, tenho o apoio deles e tenho também, a convicção dessa desconfiança. Isso é natural. Nunca mostrei serviço, como é que vão confiar em mim? As únicas pessoas que confiam em mim são meus familiares e treinadores com quem já trabalhei. Inclusive, recebi várias ligações desses profissionais, me parabenizando por essa decisão. Isso só aumenta a minha auto-estima. Tomei essa decisão e agora não vai ter mais volta. Se estou pronto para resolver os problemas do América, só o tempo é que vai dizer. Mas, irei treinar, me capacitar e só o futuro é que vai dizer em que nível vou chegar como treinador.

Se a torcida e os atletas desconfiam do seu trabalho, você confia em você?

Com certeza, senão, não teria iniciado esse trabalho. Não tive medo em momento algum. O presidente me perguntou e um segundo depois já tinha dado a resposta. Fui pego de surpresa, mas, como disse, isso já estava na minha cabeça, já tinha essa vontade de me tornar treinador nos próximos anos. Em momento algum fiquei com medo ou tive dúvidas. Muitos podem ficar com desconfianças pela incógnita que ainda sou. O trabalho tem que se iniciar, para que eu vá conquistar a confiança de cada um no dia a dia. A minha meta é conquistar a confiança dos atletas, não como pessoa, que isso já tenho e sim como treinador, com líder, como chefe de um grande clube que estou e isso, só com trabalho.

Você conversou com o presidente Alex Padang em relação a contratações?

Dentro da realidade do clube, ele vai contratar sim. Ele sabe da carência, desse momento difícil, financeiramente. O presidente sabe das necessidades, principalmente em quantidade de jogadores em algumas posições. Estamos trabalhando com alguns nomes, conversando com alguns amigos de profissão, atletas que admiro e quem podem acrescentar algo, dentro da realidade financeira do clube. Vamos buscar fazer, não na mesma qualidade dos atletas que foram liberados, mas, alguns devem chegar para compor o elenco.

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