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Tolerância
Com o tempo, é preciso maior exposição para obter a mesma sensação prazerosa do início. No caso da bebida, aumentar as doses; no do jogo, subir o valor das apostas ou dedicar mais tempo à atividade.
Relevância
A droga - ou a ação compulsiva - passa a ser a coisa mais importante, fonte exclusiva de prazer.
Abstinência
Ao ser privada da substância química ou abandonar o comportamento, a pessoa sente irritação, inquietação, tremores, suor frio.
Recaída
Está ligada à vontade incontrolável de usar a droga ou de repetir o comportamento após a abstinência. Mesmo depois de uma ou mais recaídas, é possível superar a dependência.
A lista de compulsões não para de crescer em nossa sociedade. Os vícios mais comuns são de comida, jogos, compras, sexo, exercícios físicos, trabalho e pequenos furtos. Saiba como evitar essas dependências
Reportagem: Cristina Nabuco - Edição: MdeMulher
Conteúdo CLAUDIA-Viamdemulher
Para dar a volta por cima, é necessário reconhecer o custo da dependência
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Beber e se divertir em excesso, apostar alto, navegar na Internet,
fazer sexo, comer e comprar além do necessário. A lista de compulsões
não para de crescer em nossa sociedade, em que o prazer intenso e
instantâneo é valorizado. Saiba como se proteger:
Sistema de recompensa
Sistema de recompensa
Passar horas no computador libera dopamina (um neurotransmissor) e
ativa os mesmos circuitos cerebrais que as drogas. Esse neuro-hormônio
que integra o sistema de recompensa estimula a repetição de ações
vitais, como comer, fazer sexo e se abrigar do frio. O circuito media
também outras relações com o prazer, como ouvir música e tomar uma taça
de vinho. Certos casos acabam em dependência, segundo esta explicação: a
dopamina faz com que se associe o estímulo externo (usar drogas,
apostar em jogos, atacar a geladeira) a um bem-estar extremo.
Predisposição genética, fatores socioculturais ou transtornos
psiquiátricos podem levar à liberação do neurotransmissor em maior
quantidade. Na repetição seguida do uso da substância psicoativa ou do
comportamento, a ação da dopamina se esgota. A pessoa se sente mal e
precisa recorrer com maior frequência ao estímulo externo para manter os
níveis do neuro-hormônio no sistema.
Estudos confrontam a dependência química com a causada por apostas em cavalo, carteado, jogos virtuais, máquinas de bingo e caça-níqueis. Segundo o psiquiatra Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo do Instituto de Psiquiatria da USP, o sinal de que a atividade deixou de ser lazer para se tornar problema é jogar para recuperar o dinheiro gasto nas apostas anteriores ou para afogar as mágoas e aliviar as angústias. Essas justificativas são apresentadas, sobretudo, pelas mulheres, as principais vítimas entre os 4% da população brasileira que está envolvida com jogos.
Motivos semelhantes levam as mulheres a tentar resolver a solidão e o abandono por meio de compras compulsivas: 80% dos dependentes pertencem ao sexo feminino. “Abusos como estourar o cartão de crédito e adquirir supérfluos ocorrem quando estão mais deprimidas ou ansiosas”, diz Daniel Spritzer. Durante a compra, experimentam uma sensação de excitação semelhante à vivida pelos usuários de drogas. Apesar dos prejuízos financeiros e do arrependimento, elas não conseguem resistir ao novo impulso para gastar mais. Comprar uma coisinha qualquer é como o primeiro gole para o alcoólico.
No caso da compulsão por exercício físico, a vigorexia, os rapazes são os protagonistas. Eles exageram nos treinos para ficar sarados, ignorando as advertências de treinadores. O sexo masculino também abusa mais do corpo e da mente no quesito trabalho. Para os workaholics, o trabalho assume tamanha importância que eles não conseguem estabelecer relacionamentos de qualidade, ir ao cinema, passear, viajar.
Estudos confrontam a dependência química com a causada por apostas em cavalo, carteado, jogos virtuais, máquinas de bingo e caça-níqueis. Segundo o psiquiatra Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo do Instituto de Psiquiatria da USP, o sinal de que a atividade deixou de ser lazer para se tornar problema é jogar para recuperar o dinheiro gasto nas apostas anteriores ou para afogar as mágoas e aliviar as angústias. Essas justificativas são apresentadas, sobretudo, pelas mulheres, as principais vítimas entre os 4% da população brasileira que está envolvida com jogos.
Motivos semelhantes levam as mulheres a tentar resolver a solidão e o abandono por meio de compras compulsivas: 80% dos dependentes pertencem ao sexo feminino. “Abusos como estourar o cartão de crédito e adquirir supérfluos ocorrem quando estão mais deprimidas ou ansiosas”, diz Daniel Spritzer. Durante a compra, experimentam uma sensação de excitação semelhante à vivida pelos usuários de drogas. Apesar dos prejuízos financeiros e do arrependimento, elas não conseguem resistir ao novo impulso para gastar mais. Comprar uma coisinha qualquer é como o primeiro gole para o alcoólico.
No caso da compulsão por exercício físico, a vigorexia, os rapazes são os protagonistas. Eles exageram nos treinos para ficar sarados, ignorando as advertências de treinadores. O sexo masculino também abusa mais do corpo e da mente no quesito trabalho. Para os workaholics, o trabalho assume tamanha importância que eles não conseguem estabelecer relacionamentos de qualidade, ir ao cinema, passear, viajar.
O peso da culpa
O descontrole e a culpa são características dos comportamentos compulsivos. Loucos por comida,
por exemplo, apresentam pelo menos dois episódios de assalto à
geladeira por semana. “Nada escapa, nem pratos congelados. Eles comem
sozinhos, rapidamente, em grande quantidade, sem sentir fome”, descreve o
psiquiatra Táki Cordás, coordenador-geral do Ambulatório de Bulimia e
Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da USP. Depois,
sentem-se culpados e podem adotar medidas drásticas para evitar ganho de
peso, como provocar o vômito ou recorrer a laxantes e diuréticos, o que
configura a bulimia nervosa.
O arrependimento é maior quando a compulsão se dá por ações mais condenadas socialmente, como a cleptomania (impulso para furtar objetos, geralmente de baixo valor) e a dependência de sexo (superexposição e seleção inadequada de parceiros). Esta última passa a ser a única forma de estabelecer contato humano.
O arrependimento é maior quando a compulsão se dá por ações mais condenadas socialmente, como a cleptomania (impulso para furtar objetos, geralmente de baixo valor) e a dependência de sexo (superexposição e seleção inadequada de parceiros). Esta última passa a ser a única forma de estabelecer contato humano.
Busca de ajuda
Para dar a volta por cima, é necessário reconhecer o custo da
dependência (conflitos no trabalho, na família, rombos no orçamento),
sem falar nas questões éticas, já que se mente para ocultar os excessos.
O objetivo pode ser alcançado por meio de psicoterapia. Medicamentos
são prescritos em casos severos de impulsividade; para alguns
dependentes de álcool; e quando há depressão e transtornos psiquiátricos
associados. A psiquiatra Maria Thereza de Aquino recomenda procurar
auxílio especializado: “Ninguém se livra sozinho. É fundamental o apoio
do outro para administrar o vazio interior e reconstituir a vida”.
Características comuns
Nas dependências químicas ou comportamentais ocorrem:Tolerância
Com o tempo, é preciso maior exposição para obter a mesma sensação prazerosa do início. No caso da bebida, aumentar as doses; no do jogo, subir o valor das apostas ou dedicar mais tempo à atividade.
Relevância
A droga - ou a ação compulsiva - passa a ser a coisa mais importante, fonte exclusiva de prazer.
Abstinência
Ao ser privada da substância química ou abandonar o comportamento, a pessoa sente irritação, inquietação, tremores, suor frio.
Recaída
Está ligada à vontade incontrolável de usar a droga ou de repetir o comportamento após a abstinência. Mesmo depois de uma ou mais recaídas, é possível superar a dependência.
Boa tarde!
ResponderExcluirEsta parte falou alto comigo: "A droga - ou a ação compulsiva - passa a ser a coisa mais importante, fonte exclusiva de prazer."
É como se a vida da pessoa fosse "sem sal" e com emoções angustiantes sem aquela prática prazerosa.
Mas Jesus Cristo vive para nos dizer que: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
Excelente texto sobre vício!>>>