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O Centenário de Parelhas enfrentava o Flamengo de Bento Fernandes no ancestral Estádio Juvenal Lamartine.
Era 1987 e os prefeitos das duas cidades mobilizaram delegações e tantos ônibus que não caberiam na Rodoviária da Cidade da Esperança.
Decisão do Matutão.
O Centenário de Parelhas sempre foi tradicional nas disputas regionais do Seridó e nos interioranos estaduais criados pelo jornalista Everaldo Lopes. Seu grande ídolo foi Canteiro, um estilista, segundo meu amigo e colega da antiga TV Cabugi, Remo de Macedo.
- Canteiro jogava demais, Canteiro jogava demais!, costumava dizer Remo, saudosista e repetindo a frase inicial, sua mania ou tique nervoso.
Portanto, favorito era o Centenário em 1987, com suas camisas azuis celestes. Lembro das Centenaretes, garotas de shortinhos entrando com o time que tinha na ponta-direita Amorim de Parnamirim e Batucada de meia-esquerda, com Júnior na ponta-de-lança.
Todas as esperanças do Flamengo de Bento Fernandes estavam confiadas a um crioulo(afrodescendente é muito mais preconceituoso), esguio, cabeleira black power, com duas pulseiras de tenista nos braços, camisa 10 às costas, elegante, rebolado, malandro, hábil nas embaixadinhas antes da partida.
Sentado na arquibancada de cimento duro do Frasqueirão do JL, em frente às tribunas de madeira, perguntei a um rapaz com camisa de propaganda política quem era aquele boçal, parecido com Alberi:
- Conhece não menino? Aquele é Tó. Nêgo Tó. Joga demais. Melhor do que os daqui de Natal.
Na época, Adalberto vestia a 10 do ABC e Valério a do América. Dois craques. Perdidos para a boêmia.
A final foi renhida. Canelas pareciam partir a cada dividida. Jogo no JL era uma maravilha. Nêgo Tó marcado em cima. Reclamava, balançava a cabeça e nenhuma jogada de efeito. Só toquinhos laterais. Os companheiros, que se matavam, pareciam querer assassiná-lo por justa causa: Malandragem.
O Centenário, pimba, 1×0, puft, 2×0, dois de Júnior, que, em 1990, seria campeão potiguar na reserva de Silvinho, do ABC. Invasão do povo de Parelhas, Matutão ganho, derrotados reclamando da arbitragem. Meu colega de assistência não titubeou, depois de umas 20 doses de Pitu:
- Nêgo Tó foi comprado. Não é possível. Quando ele quer, não tem quem ganhe da gente.
Nêgo Tó. Batucada, Amorim e Júnior.
Muito melhor lembrá-los do que comentar algo sobre ABC e América, dois times que, garanto e topo aposta, não chegariam às quartas nos bons tempos de Matutão.
Era 1987 e os prefeitos das duas cidades mobilizaram delegações e tantos ônibus que não caberiam na Rodoviária da Cidade da Esperança.
Decisão do Matutão.
O Centenário de Parelhas sempre foi tradicional nas disputas regionais do Seridó e nos interioranos estaduais criados pelo jornalista Everaldo Lopes. Seu grande ídolo foi Canteiro, um estilista, segundo meu amigo e colega da antiga TV Cabugi, Remo de Macedo.
- Canteiro jogava demais, Canteiro jogava demais!, costumava dizer Remo, saudosista e repetindo a frase inicial, sua mania ou tique nervoso.
Portanto, favorito era o Centenário em 1987, com suas camisas azuis celestes. Lembro das Centenaretes, garotas de shortinhos entrando com o time que tinha na ponta-direita Amorim de Parnamirim e Batucada de meia-esquerda, com Júnior na ponta-de-lança.
Todas as esperanças do Flamengo de Bento Fernandes estavam confiadas a um crioulo(afrodescendente é muito mais preconceituoso), esguio, cabeleira black power, com duas pulseiras de tenista nos braços, camisa 10 às costas, elegante, rebolado, malandro, hábil nas embaixadinhas antes da partida.
Sentado na arquibancada de cimento duro do Frasqueirão do JL, em frente às tribunas de madeira, perguntei a um rapaz com camisa de propaganda política quem era aquele boçal, parecido com Alberi:
- Conhece não menino? Aquele é Tó. Nêgo Tó. Joga demais. Melhor do que os daqui de Natal.
Na época, Adalberto vestia a 10 do ABC e Valério a do América. Dois craques. Perdidos para a boêmia.
A final foi renhida. Canelas pareciam partir a cada dividida. Jogo no JL era uma maravilha. Nêgo Tó marcado em cima. Reclamava, balançava a cabeça e nenhuma jogada de efeito. Só toquinhos laterais. Os companheiros, que se matavam, pareciam querer assassiná-lo por justa causa: Malandragem.
O Centenário, pimba, 1×0, puft, 2×0, dois de Júnior, que, em 1990, seria campeão potiguar na reserva de Silvinho, do ABC. Invasão do povo de Parelhas, Matutão ganho, derrotados reclamando da arbitragem. Meu colega de assistência não titubeou, depois de umas 20 doses de Pitu:
- Nêgo Tó foi comprado. Não é possível. Quando ele quer, não tem quem ganhe da gente.
Nêgo Tó. Batucada, Amorim e Júnior.
Muito melhor lembrá-los do que comentar algo sobre ABC e América, dois times que, garanto e topo aposta, não chegariam às quartas nos bons tempos de Matutão.
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