Para o casal, a bênção do papa foi uma emoção muito grande, mas de acordo com Lucena, o encontro teve o objetivo de pedir a interferência do pontífice para que a presidenta Dilma Rousseff vete o projeto de lei, aprovado pelo Congresso, que permite o aborto de fetos com má-formação ou sem cérebro - os anencéfalos. “Essa criança está com um ano e cinco meses e os dois são gêmeos da mesma placenta. Pela interseção do beato João Paulo II é que essa criança está aqui. Nossa finalidade de ter saído do Rio Grande do Norte até aqui é só para pedir à presidenta que não assine [o projeto de] lei. Mais nada nos interessa”, comentou.
A família saiu de caicó para Aparecida, em São Paulo, na tentativa de ter um contato com o papa na quarta-feira (24). Segundo a mãe das crianças, os quatro só chegaram quando a missa na basílica da padroeira do Brasil já tinha acabado. “Fomos até Aparecida só que quando chegamos lá a missa tinha terminado e não deu tempo de chegar até ele. Ficamos tristes, mas o padre Pedro nos ajudou e trouxe a gente para cá”.
O diretor dos Eventos Pró-vida e Pró-Família Nacional, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Lago Azul, de Novo Gama, em Goiás, padre Pedro Stepien, foi quem ajudou o casal a chegar até o papa. Ele informou que manteve contatos com representantes da Igreja no Rio para conseguir o encontro. O padre disse que, como voluntário, acompanha o processo legislativo no Congresso Nacional sobre leis que tratam do tema. De acordo com o religioso polonês, a luta é contra a proposta de lei, que segundo ele, considera o aborto profilaxia da gravidez. “Isso é abominável. A Constituição garante a inviolabilidade da vida humana”, esclareceu. Depois do encontro com o papa a família foi cercada por vários religiosos. A madre Maria Teresa do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda, de Vila Isabel, zona norte do Rio, pegou a menina no colo e a abençoou. “É o milagre da vida”, disse.
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