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Zico acenava da escada do avião com a mulher Sandra e dois filhos
pequenos. Vascaínos vibravam e flamenguistas lacrimejavam. O
desmancha-prazeres dos cruzmaltinos finalmente ia embora para a Itália
enquanto os órfãos e viúvos rubro-negros pareciam tomados pela
perplexidade do luto.
Tristes, os flamenguistas sequer comemoravam o tricampeonato brasileiro, ganho com folga sobre o Santos em esplêndida exibição do seu melhor jogador, que já sabia, estava se despedindo da extensão de sua casa, o Ex-Maracanã. Zico fez o primeiro, deu o passe para o segundo, de Leandro e iniciou a jogada do terceiro, cabeçada de Adílio: 3×0.
Zico acenava do avião da Alitália e o Globo Esporte encerrava a edição tentando ser criativo e caindo na pieguice. Enquanto subiam os créditos, as letrinhas identificando os responsáveis pela edição do dia, soltaram Ciao, Ciao, Bambina, sucesso dos anos 1960, do italiano Domenico Modugno.
Na tradução ao português, Adeus Menina, um apelo de um homem apaixonado à mulher fugidia. Zico não era uma donzela desalmada e partia para a Itália praticamente obrigado. Nunca quis deixar o Flamengo. Foi começar a construir sua independência financeira consolidada somente quando parou de vez e foi ensinar futebol no Japão, lá pelos idos de 1990.
Zico partiu e nós, os vascaínos, ainda esperaríamos quatro anos para ganhar um campeonato de novo. Com ele de volta. Em sua ausência, só deu Fluminense, de Paulo Vitor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco, Jandir, Delei e Assis, Romerito, Washington e Tato, o Tricolor do Casal 20, Tri em 1983/84 e 85.
O certo é que a vida continuou. Notícias de Zico, tínhamos apenas aos domingos, tarde da noite, pelos gols do Fantástico, golaços de sem-pulo e de falta. Ou em raríssimas reportagens compradas pela Revista Placar às agências internacionais de notícias. O Brasil não ficou refém de Zico.
Nem de Sócrates, Júnior, Cerezo, vendidos depois, a exemplo do que ocorrera com Edinho e Falcão, primeiros a partir ao Eldorado do Cálcio. Falcão, o mais brilhante Rei de Roma, desde os tribunos do Senado e dos Bórgias, incestuosos.
A seleção brasileira sofreu. Sem Zico, variávamos nosso repertório de palavrões espinafrando os substitutos escolhidos por Parreira. É, gente boa, Parreira sucedeu Telê Santana em 1983 e entregou a camisa 10 da CBF a Carlos Alberto Borges, do Palmeiras.
Piada? Não. Está no Google. Pesquise. Carlos Alberto Borges, um espigado meia-armador do Palmeiras, que nós chamávamos lá nas arruaças do bairro do Tirol em Natal de Carlos Alberto Bosta. Foi o primeiro a usar a camisa de Zico. Um raio atingiu Carlos Alberto num treino do Verdão e o futebol que ele já não tinha, desapareceu até ele sumir num redemoinho de nuvem qualquer.
Jorginho Azarado(nunca foi campeão), do Palmeiras, Tita, bom jogador dotado de uma inveja patológica do Galinho, do qual imitava até o corte de cabelo, Renato Pé-Murcho, Pita, esperança morta de lentidão, Arthurzinhodo Vasco, Bangu e Corinthians, Assis do Fluminense e, apocalipse, sim, Casagrande, vestiram o manto do Filho de Quintinho até ele voltar em 1985.
O Brasil sofreu, mas não morreu. Zico voltou a ser notícia frequente quando retornou ao Flamengo. A vida é fato local. Pelé na delirante passagem pelo Cosmos dos Estados Unidos aparecia, mas de vez em quando, marcando gols de bicicleta jogando em gramados sintéticos contra times amadores.
A mídia brasileira recomeça a por em prática o plano de destruição da carreira de Neymar. Ele é noticiado o tempo inteiro no Barcelona. Neymar, ficou provado em sua estreia, é mais um na constelação. Significa um bocado. É um craque a mais. Não o protagonista. Acabou o tempo da careta, da frase boba, do drible sem sentido.
No Barcelona, quem deve noticiar Neymar é a imprensa espanhola. Palavra do jornalismo brasileiro sobre ele vale um cruzado, moeda extinta dos tempos de José Sarney. Neymar está com anemia.
É noticia de forma alguma. Notícia é Juninho Pernambucano dando um drible de forró no zagueiro do Botafogo e Seedorf mandando numa partida sem olhar um instante para a bola, em intimidade soberana. Notícia é o gol de letra do atacante do Flamengo. Notícia é o martírio do ABC e do América na Série B.
Neymar com diarreia, Neymar na praia, Neymar comendo paella, Neymar falando ao celular, Neymar fazendo embaixadinha, Neymar sentado no banco, Neymar entrando no segundo tempo, Neymar interrompendo a programação de TV aberta e fechada. Deixa Neymar para lá. Deixa ele imitar Messi. O gênio que detesta holofotes e só quer saber de encantar o mundo.
Tristes, os flamenguistas sequer comemoravam o tricampeonato brasileiro, ganho com folga sobre o Santos em esplêndida exibição do seu melhor jogador, que já sabia, estava se despedindo da extensão de sua casa, o Ex-Maracanã. Zico fez o primeiro, deu o passe para o segundo, de Leandro e iniciou a jogada do terceiro, cabeçada de Adílio: 3×0.
Zico acenava do avião da Alitália e o Globo Esporte encerrava a edição tentando ser criativo e caindo na pieguice. Enquanto subiam os créditos, as letrinhas identificando os responsáveis pela edição do dia, soltaram Ciao, Ciao, Bambina, sucesso dos anos 1960, do italiano Domenico Modugno.
Na tradução ao português, Adeus Menina, um apelo de um homem apaixonado à mulher fugidia. Zico não era uma donzela desalmada e partia para a Itália praticamente obrigado. Nunca quis deixar o Flamengo. Foi começar a construir sua independência financeira consolidada somente quando parou de vez e foi ensinar futebol no Japão, lá pelos idos de 1990.
Zico partiu e nós, os vascaínos, ainda esperaríamos quatro anos para ganhar um campeonato de novo. Com ele de volta. Em sua ausência, só deu Fluminense, de Paulo Vitor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco, Jandir, Delei e Assis, Romerito, Washington e Tato, o Tricolor do Casal 20, Tri em 1983/84 e 85.
O certo é que a vida continuou. Notícias de Zico, tínhamos apenas aos domingos, tarde da noite, pelos gols do Fantástico, golaços de sem-pulo e de falta. Ou em raríssimas reportagens compradas pela Revista Placar às agências internacionais de notícias. O Brasil não ficou refém de Zico.
Nem de Sócrates, Júnior, Cerezo, vendidos depois, a exemplo do que ocorrera com Edinho e Falcão, primeiros a partir ao Eldorado do Cálcio. Falcão, o mais brilhante Rei de Roma, desde os tribunos do Senado e dos Bórgias, incestuosos.
A seleção brasileira sofreu. Sem Zico, variávamos nosso repertório de palavrões espinafrando os substitutos escolhidos por Parreira. É, gente boa, Parreira sucedeu Telê Santana em 1983 e entregou a camisa 10 da CBF a Carlos Alberto Borges, do Palmeiras.
Piada? Não. Está no Google. Pesquise. Carlos Alberto Borges, um espigado meia-armador do Palmeiras, que nós chamávamos lá nas arruaças do bairro do Tirol em Natal de Carlos Alberto Bosta. Foi o primeiro a usar a camisa de Zico. Um raio atingiu Carlos Alberto num treino do Verdão e o futebol que ele já não tinha, desapareceu até ele sumir num redemoinho de nuvem qualquer.
Jorginho Azarado(nunca foi campeão), do Palmeiras, Tita, bom jogador dotado de uma inveja patológica do Galinho, do qual imitava até o corte de cabelo, Renato Pé-Murcho, Pita, esperança morta de lentidão, Arthurzinhodo Vasco, Bangu e Corinthians, Assis do Fluminense e, apocalipse, sim, Casagrande, vestiram o manto do Filho de Quintinho até ele voltar em 1985.
O Brasil sofreu, mas não morreu. Zico voltou a ser notícia frequente quando retornou ao Flamengo. A vida é fato local. Pelé na delirante passagem pelo Cosmos dos Estados Unidos aparecia, mas de vez em quando, marcando gols de bicicleta jogando em gramados sintéticos contra times amadores.
A mídia brasileira recomeça a por em prática o plano de destruição da carreira de Neymar. Ele é noticiado o tempo inteiro no Barcelona. Neymar, ficou provado em sua estreia, é mais um na constelação. Significa um bocado. É um craque a mais. Não o protagonista. Acabou o tempo da careta, da frase boba, do drible sem sentido.
No Barcelona, quem deve noticiar Neymar é a imprensa espanhola. Palavra do jornalismo brasileiro sobre ele vale um cruzado, moeda extinta dos tempos de José Sarney. Neymar está com anemia.
É noticia de forma alguma. Notícia é Juninho Pernambucano dando um drible de forró no zagueiro do Botafogo e Seedorf mandando numa partida sem olhar um instante para a bola, em intimidade soberana. Notícia é o gol de letra do atacante do Flamengo. Notícia é o martírio do ABC e do América na Série B.
Neymar com diarreia, Neymar na praia, Neymar comendo paella, Neymar falando ao celular, Neymar fazendo embaixadinha, Neymar sentado no banco, Neymar entrando no segundo tempo, Neymar interrompendo a programação de TV aberta e fechada. Deixa Neymar para lá. Deixa ele imitar Messi. O gênio que detesta holofotes e só quer saber de encantar o mundo.
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