quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Poema da Noite

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Assim seja - Cruz e Sousa

Fecha os olhos e morre calmamente!
Morre sereno do Dever cumprido!
Nem o mais leve, nem um só gemido
traia, sequer, o teu Sentir latente.
Morre com alma leal, clarividente,
da Crença errando no Vergel florido
e 
o Pensamento pelos céus brandido
como um gládio soberbo e refulgente.
Vai abrindo sacrário por sacrário

do teu Sonho no templo imaginário,
na hora glacial da negra Morte imensa…
Morre com o teu Dever!
Na alta 
confiança de quem triunfou
e sabe quem descansa desdenhando
de toda a Recompensa!

João da Cruz e Sousa (Florianópolis, Santa Catarina, 24 de novembro de 1861 - Estação de Sítio, 19 de março de 1898). Poeta considerado um dos precursores do simbolismo no Brasil. Conhecido por Dante Negro ou Cisne Negro. Publicou em vida os livros de poemas Broquéis, Missal e Tropos e Fantasias. É membro da Academia Catarinense de Letras.

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