Do UOL, em São Paulo
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Gaston Brito/Reuters
O senador da oposição boliviana Roger Pinto, que pediu de asilo político ao Brasil
Roger Pinto chegou por volta da 1h ao aeroporto de Brasília em um jatinho particular vindo de Corumbá (MS) e estava acompanhado do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
À "GloboNews", no desembarque, Roger Pinto não quis comentar a vinda para o Brasil sem o salvo-conduto do governo boliviano (permissão necessária para deixar o país), apenas fez um agradecimento ao governo brasileiro. "Devo agradecer ao Brasil e às autoridades brasileiras", declarou.
Ainda segundo a "GloboNews", o senador boliviano viajou neste sábado (24) da embaixada brasileira na Bolívia em um veículo da chancelaria nacional escoltado por fuzileiros navais e policiais federais. Na capital federal, Roger Pinto ficará hospedado na casa de Ricardo Ferraço.
Existe a expectativa de que o senador conceda uma entrevista coletiva nas próximas horas de hoje, em Brasília, segundo declaração à agência Efe de um dos advogados de Roger Pinto, o brasileiro Fernando Tibúrcio. "[O senador] já está no Brasil e nas próximas 48 horas convocará uma entrevista coletiva, que possivelmente será em Brasília", disse.
Ainda de acordo com a agência Efe, a família do senador está a caminho de Brasília e deve se reunir com ele também neste domingo (25).
A confirmação de que Roger Pinto chegou ao Brasil neste sábado (24) foi dada ao jornal "Folha de S.Paulo" pelo advogado do senador, Luís Vasquez. O Itamaraty não quis comentar a informação.
Acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, o opositor refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012, e, em junho, recebeu asilo político com o argumento de que é perseguido pelo governo Evo Morales.
"Tempestade diplomática"
O senador veio para o Brasil salvaguardado pelo governo brasileiro, já que não possui o salvo-conduto da Bolívia (permissão necessária para deixar o país), em uma decisão que pode culminar numa "tempestade diplomática" entre os dois países. Essa é a opinião de fontes consultadas pela agência Efe.A aposta desses analistas é a de que a Bolívia prepara uma "resposta duríssima" para a saída de Pinto da embaixada, e que em La Paz se considera que houve uma "ruptura" da "confiança" entre ambos os governos.
Bolívia fala em "fuga"
Neste domingo (25), o governo boliviano confirmou a vinda do senador opositor ao Brasil, em um primeiro pronunciamento oficial sobre o assunto, e, em um breve comunicado, tratou Roger Pinto como "fugitivo"."Depois de estabelecer contatos com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia informou o público que o Sr. Roger Pinto Molina fugiu do país para a República Federativa do Brasil", diz a nota.
No entendimento do governo boliviano, "a fuga do país torna o Sr. Pinto um fugitivo da Justiça".
Neste sábado (24), rumores da vinda de Pinto ao Brasil foram ventilados publicamente pela deputada opositora Norma Piérola: "uma pessoa de confiança me disse que Pinto está no Brasil".
Consultada sobre o caso, no momento, a ministra boliviana da Comunicação, Amanda Dávila, disse que "oficialmente, e até que o Brasil informe o contrário por via diplomática, o senador Pinto está na embaixada do Brasil na Bolívia, porque o governo boliviano não concedeu qualquer salvo-conduto para o senador, para viajar ao Brasil ou a qualquer outro país".
Senador é acusado de corrupção
O senador, acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012.Após dez dias de ser recebido na embaixada, o governo brasileiro concedeu ao senador o status de asilado político.
A Bolívia, no entanto, não forneceu o salvo-conduto necessário para Pinto viajar ao Brasil, sob a alegação de que o senador deve responder a diversas acusações de corrupção.
Em junho, o político foi condenado a um ano de prisão por um tribunal boliviano, que o declarou culpado de danos econômicos ao Estado calculados em cerca de US$ 1,7 milhão.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse dias depois que o governo da presidente Dilma Rousseff "garantia" a segurança do senador boliviano.
O chanceler também explicou que o governo prosseguia com negociações "confidenciais" com as autoridades bolivianas para tentar solucionar a situação. (Com agências internacionais)
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