Nao identificado e Wenias Wagner Waguinho
A Polícia Civil dos Estados de Mato
Grosso e Tocantins desarticulou a quadrilha do “Novo Cangaço”, que
roubou três agências bancárias e os Correios, no dia 9 de setembro, no
município de Vila Rica. Dez mandados de prisão preventiva e 11 buscas e
apreensão foram cumpridos nesta sexta-feira na cidade de Palmas e
Paraíso do Tocantins.
Sete homens foram presos no estado do
Tocantins na operação desencadeada pela Gerência de Combate ao Crime
Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, em
conjunto com a Delegacia Especializada Investigações Criminais Complexas
(Deic), da Polícia Civil do Tocantins e a Delegacia de Repressão a
Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Pará, que
mobilizou 35 policiais.
Diego e Francisco Evanaldo Mimiu
Durante ação, as polícias dos estados
apreenderam R$ 50 mil do dinheiro roubado em Vila Rica, 16 veículos,
sendo dois caminhões e cinco motocicletas, além de duas pistolas ponto
40, dois revólveres e carregador com munição de fuzil 7,62. Entre os
automóveis estão um Toyota Corolla, zero km, comprado na quinta-feira,
com dinheiro do assalto, um Honda Civic, um Golf, um Siena, uma
EcoSport, um Celta e outras modelos populares.
Boy Regi e Ivanildo de Ze da Barragem
Os presos Francisco Evanaldo Gomes,
Regis Wagnes Alves de Lima, Ivanildo Pereira Cavalcante, Wenias Wagner
Rodrigues e Antonio Aparecido de Oliveira Ferreira, tiveram mandados de
prisão cumpridos, sendo quatro em Palmas e um em Paraíso do Tocantins.
As ordens de prisão foram decretadas pela comarca de Vila Rica, em Mato
Grosso.
Outros dois suspeitos, Diego Rones
Bezerra e Sanael Silva, foram presos em flagrante por porte de arma de
fogo de uso proibido e posse de munição e carregador de uso restrito e
será apurada a participação deles com a quadrilha. O preso Regis Wagnes
Alves de Lima, além do mandado cumprido, foi autuado em flagrante por
uso de documento falso.
Antonio Aparecido de Oliveira - O Tata
Ele se apresentou aos policiais com o
nome Edson Soares da Silva, a qual usa desde o ano de 2012. Na casa dele
a delegada do GCCO, Cleibe Aparecida de Paula, que acompanhou a
operação em Palmas, apreendeu cédula de identidade, habilitação e até
cartão de conta bancária, todos no nome falso.
O delegado titular do GCCO, Flávio
Henrique Stringueta, disse que foi montada uma força-tarefa envolvendo
os três estados com objetivo de apreender armas de grosso calibre,
dinheiro e prender pessoas da quadrilha que por 50 minutos aterrorizou a
cidade com a ação criminosa, usando vários cidadãos como escudos
humanos durante o tiroteio na frente às agencias bancárias e depois
foram feitos reféns na fuga.
“Acreditamos que o grupo se dividiu para
não perder todo o dinheiro, uma parte ainda pode estar refugiada na
mata e outra parte conseguiu chegar até o Tocantins”, ressaltou o
delegado Flávio Stringueta.
O delegado explicou que as buscas ao
grupo criminoso, estimado em pelo menos 15 integrantes, foram imediatas e
contatos com os estados do Pará, Tocantins, Maranhão e Goiás ajudaram
na rápida identificação das pessoas que atuam no apoio ao bando e
requisição de medidas judiciais, como as prisões e buscas concedidas
pela Justiça da comarca de Vila Rica.
“Houve um intenso trabalho das Polícias
Civis do Pará, Maranhão e Tocantins, através suas inteligências e
divisões de roubos a bancos, até mesmo com equipes no local da ação
criminosa para auxiliar nas investigações. Tudo isso visando interesses
comuns”, destacou o delegado Flávio Stringueta.
A delegada Liliane Albuquerque Amorim,
da Delegacia Especializada Investigações Criminais Complexas (Deic), do
Tocantins, informou que há dois meses a Deic monitorava a quadrilha,
cujos membros são oriundos do Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco,
Mato Grosso, Alagoas e Tocantins. “Uma das bases deles era aqui
[Palmas], mas não identificamos roubos dessa quadrilha no Estado. Eles
costumavam fazer assaltos fora do Tocantins”, pontua.
A delegada acredita que o dinheiro
apreendido com os assaltantes seja oriundo do roubo de Vila Rica. “São
notas sequenciais de caixas eletrônicos”, disse.
Liberados
A Polícia Civil descartou o envolvimento
de Francisco Anterio Filho, 60, e Bruno da Silva Aguiar (sem idade) com
a quadrilha que assaltou as agências em Vila Rica. O primeiro foi preso
na última sexta-feira, na cidade de Conceição do Araguaia, no Sul do
Pará e o segundo preso no dia 16 de setembro, em Vila Rica. Os dois
foram liberados na noite do último sábado.
De acordo com as investigações, havia
fortes indícios da participação deles no apoio ao resgate da quadrilha.
No entanto, depois de suas prisões ficou confirmado que não havia
vínculo com o grupo investigado. “A prisão era para investigação, para
que pudéssemos confirmar se havia ou não envolvimento deles”, disse o
delegado Flávio Stringueta.
Confronto
No dia 16 de setembro, dois dos
criminosos foram mortos em confronto com policiais do Batalhão de
Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar. O confronto ocorreu em
uma região de mata, na divisa de Mato Grosso com o estado Pará,
localidade onde também foi preso Bruno da Silva Aguiar, oriundo do Pará,
autuado em flagrante nos crimes de roubo qualificado com uso de arma de
fogo de uso restrito, concurso de pessoas e organização criminosa.
Os dois criminosos mortos estavam com
identidades falsas em nome Antônio de Oliveira, 47 anos e Cássio Almeida
de Souza, 28 anos. A Polícia Civil confirmou que Antônio de Oliveira é
na verdade Antônio Moura, conhecido por “Nego Véi”, líder de quadrilha
de roubos a bancos que atuou nos estados do Pará, Maranhão, Rio Grande
do Norte, Mato Grosso, também considerado um dos criadores da modalidade
“Novo Cangaço”, que começou na década de 90, no Nordeste brasileiro.
O segundo assaltante morte, usava
identidade em nome de Cássio Almeida de Souza, mas trata-se de Rafael
Carvalho Gonçalves, 30, oriundo do estado do Tocantins.
Um fuzil AK 47, calibre 7,62mm e uma
pistola ponto 40, cinco carregadores e munições foram apreendidas com os
assaltantes mortos. Com eles também foram recuperados R$ 15,6 mil, em
dinheiro.
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