segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Tecendo o fio das palavras


 
- Por que está sozinha?
- Estou esperando o homem certo.
Quantas e tantas mulheres vivem nesse ideal, um vai e vem de relacionamentos em busca do tal “homem certo”. Ou ainda à espera desse príncipe que chegará no cavalo branco e raptará a mocinha para serem felizes para sempre, aquele romantismo tipicamente cinematográfico.
Penso que não existe nem homem certo, nem mulher certa, nem contos de fadas. Existem pessoas com suas fraquezas, defeitos, qualidades, virtudes e imperfeições. Mas, os que se dão conta de
sua imperfeição, sabem que o outro também o é. E assim creio que o amor acontece. O amor é imperfeito, o amor são duas imperfeições que se unem para continuar imperfeitos. Pois o contrário disso é idealização, é o final feliz das novelas e dos filmes.
O homem certo é aquele imperfeito como você, cheio de defeitos como você, mas que você decidiu amar desse jeitinho. Você decidiu somar a sua imperfeição a dele, vocês decidiram ser imperfeitos juntos.
“As pessoas projetam romantismo em tudo e esquecem da realidade.” Sou romântica, até demais. E esse romantismo me faz enxergar o amor assim, como algo real, bem próximo a mim.
Um amor que se constrói nas diferenças, um amor que assim como a nossa vida real, é construído dia a dia, com sabores e dissabores, com alegrias e tristezas. Uma vida que não tem roteiro, nem se pode regravar a cena. É real, é pulsante, é vida.
Então, essa ideia de homem certo e mulher certa nos aliena, nos leva a crer que eles existem. Mas não, a pessoa “certa” é incerta, sendo propositadamente paradoxal.
A gente pensa que essa pessoa certa vai ter aquela pecinha que falta para encaixar na nossa engrenagem e pronto, felizes para sempre!!
Mas, a tal da pessoa “certa” vai ter, muitas vezes, peças que vão se embaralhar com as nossas e juntos vamos montando um quebra-cabeça, que talvez nunca se complete porque haverá sempre uma peça faltando e a falta dela é o que nos impulsionará a continuar vivendo, a continuar amando, a continuar errando, a continuar sendo incertos num mundo de “certezas incertas”.
E esse quebra-cabeça pode nos ensinar que as relações humanas, embora imperfeitas, podem contribuir para uma vida mais feliz. Ainda que não enquadrada em um modelo.
Mas, será que estamos certos disso?

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