quinta-feira, 21 de novembro de 2013

“Existe é uma rivalidade desportiva”

Vinícius Menna - repórter
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed) sustenta a tese de que os crimes ocorridos após o jogo entre ABC e Asa de Arapiraca não tenham ligação com rixas de torcidas. Em entrevista, o secretário adjunto de Segurança Pública, Clidenor da Silva Júnior, afirmou que indícios preliminares apontam para “outros problemas” dos jovens. Ele disse ainda que não há estrutura para um monitoramento contínuo e permanente das torcidas nas redes sociais e que não há previsão de criar uma força-tarefa para esse tipo de crime. Ontem, terceiro dia de investigação, a delegada do caso de Neópolis, Alzira Veiga, da 10ª DP, ouviu duas pessoas que prestaram socorro e uma das vítimas alvejadas. “Ainda estamos juntando informações para chegar a uma linha de investigação”, disse.
Alex RégisClidenor da Silva Júnior: Crimes dessa natureza, em que o pessoal passa atirando, são comunsClidenor da Silva Júnior: Crimes dessa natureza, em que o pessoal passa atirando, são comuns
A Sesed não vê vinculação dos crimes com torcidas organizadas. Por quê?
Foi um dia de jogo, havia muitas pessoas com camisa do time, mas pode ter havido uma coincidência. Não há indícios que liguem os crimes a torcidas organizadas.

Os primeiros relatos mostram semelhança na forma como os acusados alvejaram as vítimas, de dentro de um carro...

Mas até agora a gente ainda não pode afirmar que exista essa relação. Crimes dessa natureza, em que o pessoal passa atirando, são comuns. Quando se atira em um alvo móvel, geralmente se atira de um carro.

Então há indícios de que os acusados queriam ferir esses jovens especificamente, não um torcedor qualquer?

Existem indícios de que esses jovens tinham outros problemas. Pode ser que mude tudo na nossa convicção, mas por enquanto, não.

Quais as linhas de investigação consideradas?

Na verdade, consideramos todas, mas isso faz parte da investigação, não podemos revelar nada ainda. 

O Conselho de Direitos Humanos apontou que, neste ano, 14 casos de homicídios estariam relacionados a rixas de torcidas. Esses casos foram solucionados?

O que acontece nessas situações é que quem investiga é a delegacia do bairro, não existe uma delegacia específica para esse tipo de crime e nem poderia ter, na atual situação do Estado. Muitas vezes, os casos são tratados de maneira estanque, não temos como reunir as informações.

Por que não empregar a inteligência da Polícia para mapear torcidas e integrantes violentos, como disse o diretor de Polícia da Grande Natal, Odylon Teodósio?

Ele [Odylon Teodosio] é quem vai determinar esse trabalho. O setor de inteligência é subordinado ao DPGran, que responde a ele e ao delegado geral [Ricardo Sérgio].

Mas existe estrutura para monitorar as torcidas? 

Nunca há estrutura para monitorar isso de forma contínua e permanente. Nós temos diversas coisas para monitorar. Essa é apenas uma delas. A estrutura hoje é só a delegacia do bairro e um banco de dados, que também é alimentado com base nas redes sociais.

Existe alguma força-tarefa para investigar casos desse tipo?

Não. O mais importante hoje é uma força-tarefa de homicídos. Preciso dela funcionando e não consegui que ela fosse colocada para funcionar. Já são 1.200...

Mas a Sesed admite que a rivalidade entre torcidas tem levado a práticas de violência? E quanto a crime de ódio?

O que que existe é uma rivalidade desportiva. Na maioria das vezes, os crimes são de disputas pessoais. Para ser um crime de ódio, tem que ter uma motivação específica.

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