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Acusada pelo Ministério Público de lucrar com a utilização de um bem público, a Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc) não deverá perder a administração do Parque Aristófanes Fernandes, palco da maior feira agropecuária do estado e uma das maiores do Nordeste: a Festa do Boi. O contrato celebrado entre a associação e o governo do Estado, proprietário do parque, está sendo contestado na Justiça pelo Ministério Público Estadual desde o final do ano passado, mas é o próprio Executivo quem defende a permanência da Anorc à frente da gestão da área. “Esta parceria nos interessa. Queremos mantê-la. É por isso que estamos discutindo uma solução com a Procuradoria Geral do Estado”, afirma o secretário de Agricultura, Tarcísio Bezerra.
Além de não enxergar irregularidades no convênio celebrado com a Anorc, Tarcísio destaca o investimento realizado pela associação, entre os quais estão a ampliação do número de pavilhões de bovinos, pavimentação de todas as ruas e alamedas e duplicação da área construída, como prova de que o dinheiro arrecadado pela entidade com a realização de eventos tem sido reinvestido como foi acordado.
A associação, segundo Marcos Aurélio de Sá, criador e atual presidente da entidade, lucrou menos e gastou mais com a realização da Festa do Boi em 2013, do que em anos anteriores. Três patrocinadores desistiram de participar do evento e o governo do estado, além de reduzir a quota, não repassou a verba, como combinado.
O resultado foi que em vez de R$ 1,7 milhão, a Anorc arrecadou R$ cerca de 1,1 milhão com o evento. E ao invés de gastar R$ 1 milhão, gastou R$ 1,3 milhão. A entidade, explica Sá, foi obrigada a adequar o parque às exigências do Corpo de Bombeiros, dias antes da Festa do Boi, e gastou cerca de R$ 250 mil com as adequações. O problema não parece tão simples de se resolver. A receita de R$ 200 mil oriunda do aluguel do parque a Destaque Promoções para o Carnatal 2013 poderia reequilibrar as finanças, mas foi bloqueada pela Justiça.
A promotora de Parnamirim, Juliana Limeira, determinou o bloqueio dos recursos e a nulidade do contrato por entender que a Anorc e o Governo não observaram os pressupostos legais de licitação do parque, décadas atrás. Procurada pela equipe de reportagem, a promotora preferiu não comentar o assunto até o desfecho do caso.
O Ministério Público Estadual não esclareceu se e quando os recursos serão desbloqueados. Já o governo do Estado confessou não saber quando pagará os R$ 230 mil que prometeu à Anorc pela realização da Festa do Boi.
O dinheiro já está fazendo falta, admite Marcelo Abdon, ex-diretor da associação e hoje um dos responsáveis pela comunicação da entidade. A Anorc deixou de pagar a conta de energia elétrica e teve o fornecimento cortado pela Cosern. O parque passou cerca de 60 dias às escuras e em virtude disso foi alvo de oito arrombamentos, segundo o presidente da Associação Norte-Riograndense dos Criadores de Caprinos e Ovinos (Ancoc), Alexandre Confessor. “Preferimos pagar o salário dos trabalhadores a quitar a conta da energia”, justificou Abdon.
A energia foi restabelecida na última quinta-feira e as atividades aos poucos estão sendo retomadas. Os funcionários que estavam de férias voltam ao trabalho. Eles terão, além da manutenção do equipamento, que limpar três dos 17 estábulos que permaneciam sujos até o final da semana. “Estamos buscando novas receitas para garantir a manutenção do parque”, afirmou Marcelo Abdon.
CRONOLOGIA
1949
O parque de ‘vaquejadas’ é construído
1953
Silvio Pedroza, então governador do RN, amplia o parque, construindo os primeiros galpões de alvenaria
1956
É realizada a primeira mostra de animais e máquinas agrícolas
1961
O então governador Aluízio Alves realiza a primeira grande reforma do parque
1962
É realizada a primeira ‘Festa do Boi’
1978
O então governador Tarcísio Maia moderniza as instalações do parque de ‘vaquejadas’ e promove a Exposição Nacional da Raça Guzerá (de bovinos). Cerca de 500 animais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco e Alagoas são expostos. Festa ganha impulso.
1988
O então governador Geraldo Melo firma convênio com a Associação Norte-RioGrandense dos Criadores (Anorc) e autoriza a associação a realizar os eventos. Anorc se torna gestora do parque de exposições
1992
O então governador José Agripino renova o convênio, em regime de comodato, e mantém a Anorc à frente da gestão
1995
O Sebrae-RN começa a participar da ‘Festa do Boi’
1999
A Anorc passa a cobrar pela entrada de visitantes no parque, durante a exposição. A cobrança é autorizada pelo então governador Garibaldi Alves Filho
2002
40ª edição da festa bate recorde, com mais de 400 mil visitantes, 200 expositores, e R$ 10 milhões em negócios gerados
2010
Festa se consagra como maior evento agropecuário do RN e um dos maiores do Nordeste
2013
Ministério Público Estadual passa a questionar o convênio firmado entre o Governo do Estado e a Anorc, em 1988, e bloqueia recursos destinados à Associação. (Recursos permanecem bloqueados).
Fontes: Anorc / Arquivo TN
Acusada pelo Ministério Público de lucrar com a utilização de um bem público, a Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc) não deverá perder a administração do Parque Aristófanes Fernandes, palco da maior feira agropecuária do estado e uma das maiores do Nordeste: a Festa do Boi. O contrato celebrado entre a associação e o governo do Estado, proprietário do parque, está sendo contestado na Justiça pelo Ministério Público Estadual desde o final do ano passado, mas é o próprio Executivo quem defende a permanência da Anorc à frente da gestão da área. “Esta parceria nos interessa. Queremos mantê-la. É por isso que estamos discutindo uma solução com a Procuradoria Geral do Estado”, afirma o secretário de Agricultura, Tarcísio Bezerra.
Além de não enxergar irregularidades no convênio celebrado com a Anorc, Tarcísio destaca o investimento realizado pela associação, entre os quais estão a ampliação do número de pavilhões de bovinos, pavimentação de todas as ruas e alamedas e duplicação da área construída, como prova de que o dinheiro arrecadado pela entidade com a realização de eventos tem sido reinvestido como foi acordado.
joana lima
Com energia cortada por falta de pagamento, Anorc passou 60 dias fechada e foi alvo de arrombamentos e de depredações
O embate judicial envolvendo a gestão do parque não é, porém, o único problema enfrentado pela associação dos criadores do estado nesse momento. A Anorc atravessa, de acordo com administradores e ex-diretores, a pior crise financeira dos últimos dez anos, provocada em grande parte pela frustração de receitas de eventos.A associação, segundo Marcos Aurélio de Sá, criador e atual presidente da entidade, lucrou menos e gastou mais com a realização da Festa do Boi em 2013, do que em anos anteriores. Três patrocinadores desistiram de participar do evento e o governo do estado, além de reduzir a quota, não repassou a verba, como combinado.
O resultado foi que em vez de R$ 1,7 milhão, a Anorc arrecadou R$ cerca de 1,1 milhão com o evento. E ao invés de gastar R$ 1 milhão, gastou R$ 1,3 milhão. A entidade, explica Sá, foi obrigada a adequar o parque às exigências do Corpo de Bombeiros, dias antes da Festa do Boi, e gastou cerca de R$ 250 mil com as adequações. O problema não parece tão simples de se resolver. A receita de R$ 200 mil oriunda do aluguel do parque a Destaque Promoções para o Carnatal 2013 poderia reequilibrar as finanças, mas foi bloqueada pela Justiça.
adriano abreu
Governo quer preservar parceria, diz Bezerra
A promotora de Parnamirim, Juliana Limeira, determinou o bloqueio dos recursos e a nulidade do contrato por entender que a Anorc e o Governo não observaram os pressupostos legais de licitação do parque, décadas atrás. Procurada pela equipe de reportagem, a promotora preferiu não comentar o assunto até o desfecho do caso.
O Ministério Público Estadual não esclareceu se e quando os recursos serão desbloqueados. Já o governo do Estado confessou não saber quando pagará os R$ 230 mil que prometeu à Anorc pela realização da Festa do Boi.
O dinheiro já está fazendo falta, admite Marcelo Abdon, ex-diretor da associação e hoje um dos responsáveis pela comunicação da entidade. A Anorc deixou de pagar a conta de energia elétrica e teve o fornecimento cortado pela Cosern. O parque passou cerca de 60 dias às escuras e em virtude disso foi alvo de oito arrombamentos, segundo o presidente da Associação Norte-Riograndense dos Criadores de Caprinos e Ovinos (Ancoc), Alexandre Confessor. “Preferimos pagar o salário dos trabalhadores a quitar a conta da energia”, justificou Abdon.
alex regis
Abdon: novas receitas para manutenção
A energia foi restabelecida na última quinta-feira e as atividades aos poucos estão sendo retomadas. Os funcionários que estavam de férias voltam ao trabalho. Eles terão, além da manutenção do equipamento, que limpar três dos 17 estábulos que permaneciam sujos até o final da semana. “Estamos buscando novas receitas para garantir a manutenção do parque”, afirmou Marcelo Abdon.
CRONOLOGIA
1949
O parque de ‘vaquejadas’ é construído
1953
Silvio Pedroza, então governador do RN, amplia o parque, construindo os primeiros galpões de alvenaria
1956
É realizada a primeira mostra de animais e máquinas agrícolas
1961
O então governador Aluízio Alves realiza a primeira grande reforma do parque
1962
É realizada a primeira ‘Festa do Boi’
1978
O então governador Tarcísio Maia moderniza as instalações do parque de ‘vaquejadas’ e promove a Exposição Nacional da Raça Guzerá (de bovinos). Cerca de 500 animais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco e Alagoas são expostos. Festa ganha impulso.
1988
O então governador Geraldo Melo firma convênio com a Associação Norte-RioGrandense dos Criadores (Anorc) e autoriza a associação a realizar os eventos. Anorc se torna gestora do parque de exposições
1992
O então governador José Agripino renova o convênio, em regime de comodato, e mantém a Anorc à frente da gestão
1995
O Sebrae-RN começa a participar da ‘Festa do Boi’
1999
A Anorc passa a cobrar pela entrada de visitantes no parque, durante a exposição. A cobrança é autorizada pelo então governador Garibaldi Alves Filho
2002
40ª edição da festa bate recorde, com mais de 400 mil visitantes, 200 expositores, e R$ 10 milhões em negócios gerados
2010
Festa se consagra como maior evento agropecuário do RN e um dos maiores do Nordeste
2013
Ministério Público Estadual passa a questionar o convênio firmado entre o Governo do Estado e a Anorc, em 1988, e bloqueia recursos destinados à Associação. (Recursos permanecem bloqueados).
Fontes: Anorc / Arquivo TN
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