sábado, 15 de fevereiro de 2014

Lugar de Criança é na escola e de Bandido é na Cádeia

Alunos depredam escola e PM entra em confronto com crianças em São Simão

Uma confusão em uma escola estadual de São Simão (278 km de São Paulo) acabou com a depredação do estabelecimento e uma briga envolvendo a Polícia Militar e crianças, que alegam ter sido agredidas.
O problema começou na quarta-feira (12), quando um aluno do oitavo ano da escola estadual Capitão Virgílio Garcia disse ter tido um cartão de memória furtado.
De acordo com a polícia, ele ameaçou colegas e professores com um pedaço de pau e a direção chamou a Polícia Militar, que levou o aluno até a delegacia.
A partir daí houve o início da confusão, com a denúncia dos próprios estudantes de que os policiais agrediram o adolescente encaminhado até a delegacia.

Milena Aurea/"A Cidade"
Policiais e estudantes em confronto em frente à escola estadual Capitão Virgílio Garcia, em São Simão
Policiais e estudantes em confronto em frente à escola estadual Capitão Virgílio Garcia, em São Simão
O advogado Matheus Augusto Ambrósio, que representa o aluno, afirmou que houve excessos de violência dos policiais.
"Não foi uma atividade policial comum e a ação foi testemunhada por alunos e familiares", afirmou o advogado, que levará a denúncia ao comando da PM.
Por causa da ação, nesta quinta-feira um grupo de alunos fez um protesto que resultou na destruição de cortinas e janelas na escola. O protesto foi organizado como resposta à ação considerada violenta da polícia.
Durante o protesto dos estudantes, os policiais agiram novamente de forma truculenta, conforme os relatos, com alunos sendo puxados pelos cabelos e agarrados pelos braços.
O capitão da PM Maurício Tavares, comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar, negou que tenha havido agressão aos alunos.
Segundo ele, os policiais tiveram de conter os estudantes porque eles estavam jogando pedras na escola.
"O policial é treinado. Todos os procedimentos adotados foram para conter os adolescentes", afirmou.
Ele disse que foi instaurada uma investigação para apurar a conduta dos policiais, mas já descartou excessos.
Em nota enviada pela sua assessoria de imprensa, a Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto informou que repudia qualquer ato de vandalismo e que a direção da escola apura quais são os alunos envolvidos para tomar as providências baseadas no regimento escolar.
A direção registrou um boletim de ocorrência para que a Polícia Civil investigue o caso.
REFORÇO
Por causa dos incidentes dos últimos dois dias, a Prefeitura de São Simão contratou temporariamente oito seguranças patrimoniais para reforçarem a vigilância na escola estadual.
Os seguranças deverão prestar o serviço ao menos até a próxima terça-feira (18).

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