sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Copa mais difícil de todas entra na sua fase decisiva. Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e EUA vão ter de suar sangue para chegar às quartas…



"Eu nunca vi na minha vida uma Copa de tão alto nível."
A frase acaba de ser dita por Fabio Capello, treinador da eliminada Rússia. E ele tem razão. A primeira fase da Copa no Brasil foi excelente. Emocionante. Dentro do campo acabou sendo impressionante.

As ausências já incomodam. Como a do melhor jogador do mundo pela Fifa. Cristiano Ronaldo não teve condições físicas de ser protagonista. Seguiu sua maldição com Portugal. Três Copas, apenas um gol por Mundial.
Suas pinças de sobrancelhas serão despachadas com as malas italianas, inglesas, russas, espanholas. Haverá muitas lágrimas nos aeroportos que não foram modernizados. Mas merecidas. Não houve injustiça alguma em quem não conseguiu passar pela primeira fase. Todos caíram pela própria incompetência.
Das 32 seleções, restaram 16. Os confrontos estão declarados. O caminho até a título pode ser traçado, imaginado. Mas antes vem a fase do mata-mata. São oito decisões. Várias inesperadas. Quem poderia apostar em Costa Rica e Grécia? Mas a bola pune e premia quem merece.
Os confrontos começam com Brasil e Chile. Esta partida já foi debatida até a exaustão. O resumo simples da situação. A Seleção anfitriã tem mais talento, jogadores que podem desequilibrar em um lance, mais improviso. Ainda há a estatura dos brasileiros contra o time mais baixo do Mundial. O apoio dos mineiros é inconstante. Não é cego.
Os chilenos têm maior variação tática. Tentarão passar a responsabilidade pela vitória para o time de Felipão, cujo esquema Sampaoli decorou. A promessa de uma marcação fortíssima. Principalmente em quem decide: Neymar. Famigeradas duas linhas de quatro. E muita correria pelos lados do campo. Possivelmente com Vargas e Sánchez. Toda atenção em Vidal, o mais criativo e talentoso jogador andino.
O Brasil é favorito.
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Colômbia e Uruguai jogarão no Maracanã. O campeão sul-americano tem um elenco envelhecido e que está atrás do seu último feito. Toda alegria pela sobrevivência no grupo da Morte se foi. O banimento de Luizito Suárez foi pesado. Óscar Tabarez está sendo mais psicólogo do que técnico. Seu time é busca na firmeza da defesa a base para fazer de cada partida uma guerra.
Mas os próprios uruguaios admitem que perderam grande do poder de definição, da técnica. Sobraram Cavani, Maxi Pereira, Lodeiro, Álvaro Pereira. E muita entrega, coração. Vão tentar fazer da desgraça a força. E prometem seguir em frente por Suárez.
Os colombianos por sua vez estão em estado de graça. Conseguiram o que parecia impossível. Superar a ausência de Falcão Garcia. E isso se deve ao seu camisa 10, James Rodrigues. De apenas 22 anos, o canhoto tem feito a diferença. Misturado raça, talento e muita visão de jogo. Ele é o dínamo da moderna equipe.
O argentino Peckerman sabe como montar times competitivos. A Colômbia é compacta, veloz. Quando tem espaço para jogar consegue surpreender. Seu maior desafio neste duelo de vida ou morte será exatamente esse. Buscar campo para atacar. E não expor sua defesa, calcanhar de Aquiles.
A velocidade, o vigor físico e a confiança levam o favoritismo para os colombianos.
França e Nigéria em Brasíia. Os jogadores de Didier Deschamps não são exatamente a melhor geração de jogadores que saíram da França. O treinador sabe disso e optou por montar um time muito seguro. E que tem na sua maior arma o conjunto. Suas intermediárias são sobrecarregadas.
A França primeiro busca ditar o ritmo de jogo. Com marcação fortíssima e velocidade nos contragolpes. A procura por Benzema é até prejudicial. Individualmente é uma equipe que não empolga. Mas a entrega como time pode surpreender.
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A Nigéria disputou sua grande decisão neste Mundial com a Bósnia. O time que usa e abusa da força física venceu por 1 a 0. Resultado controverso. Empatou com o Irã em 0 a 0 e perdeu para a Argentina. A campanha pífia combina com o time cujo maior mérito é se defender. A pegada é muito forte do meio para trás.
A perspectiva é de um duelo de muita marcação. E faltas. Os franceses têm maiores possibilidades de sobreviverem.
O Beira-Rio terá o jogo que parece o mais previsível das oitavas. Alemanha e Argélia. O time que Low levou para ganhar experiência na África está pronto. Os valores são excelentes como Thomas Müller, Lahm, Schweinsteiger, Götze, Ôzil, Podolski, Neuer, Boateng.
Jogadores que foram preparados para ganhar essa Copa. Mas o time fortíssimo não vem empolgando. Goleou Portugal por 4 a 0. Mas depois diminuiu o ritmo. Falta vibração, triangulações, ataque em bloco, gana. Foi burocrático. A desculpa é que havia a certeza de classificação. Tem o adversário ideal para começar a assustar o mundo.
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Já os argelinos estão em êxtase. Fizeram história hoje eliminando a Rússia. Equipe treinada pelo bósnio Vahid Halilhodzic. O país conseguiu pela primeira vez a classificação para as oitavas de uma Copa. É um time competitivo, mas fraco tecnicamente. Não há nem grau de comparação. Terá todo o apoio da torcida gaúcha. Lutará. Mas não possui recurso técnico para segurar os alemães.
Holanda e México em Fortaleza. Esse encontro tem tudo para ser um dos mais interessantes. Os holandeses espantaram o mundo ao golearem os espanhóis por 5 a 1. Van Gaal tem uma equipe vibrante, experiente. Com vários jogadores que foram vice na África. O grande destaque é Robben. Jogando muito bem.
O time é assumidamente ofensivo. Entra para se impor desde os primeiros minutos. Chega a atacar com quatro jogadores pressionando a saída de bola adversária. Corre o risco calculado da busca frenética para a vitória.
Tudo isso terá pela frente a equipe mais tinhosa da Copa. Os mexicanos conseguem complicar qualquer jogo. Sua dedicação ferrenha às duas linhas de quatro montadas a cimento por Miguel Herrera e a velocidade de seus contragolpes têm feito sucesso. O time se encaixou de vez no Mundial, depois de suar sangue nas Eliminatórias.
Será o duelo da equipe que mais entusiasmou com a mais chata. O confronto tem grande grau de imprevisibilidade. Se os mexicanos fizerem o primeiro gol principalmente. Jogo difícil demais na teoria para apontar um vencedor. Mas fico pelo talento: Holanda.
Costa Rica e Grécia em Recife. Se o time sensação da América Central não se empolgar, vence os gregos. A força física mais a disposição tática segura, fechando os espaços nas intermediárias dá um favoritismo gritante aos comandados por Jorge Luís Pinto.
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Os gregos sabem de sua limitação técnica. Buscam primeiro se defender a todo custo. O português Fernando Santos é um especialista em contragolpes. Sabe ter nas mãos uma equipe limitada. Tentará usar a possível empolgação adversária. Além das bolas aéreas.
Se tudo correr dentro da normalidade, Costa Rica vai além do que jamais imaginou.
O Itaquerão receberá Messi. A sua instável e desestimulante Argentina terá pela frente a Suíça. O time europeu não é nada confiável. Está nas oitavas porque venceu a partida obrigatória contra Honduras. E virou no tudo ou nada contra os equatorianos. Contra um time bem montado, foi goleado. Os suíços perderam por 5 a 2 para os franceses.
Messi levou a Argentina nas costas na fase de classificação. Quatro gols que não disfarçaram um time sem força para marcar a saída de bola adversária. Lento, uma decepção até aqui. Venceu Irã, Nigéria e Bósnia. Mas conseguiu deixar a imagem péssima. De equipe extremamente dependente do seu camisa 10. E insegura na defesa.
Embora a zaga e o goleiro assustem demais, os argentinos deverão passar.
Bélgica e Estados Unidos na Fonte Nova. Os americanos tiveram um grande progresso nas mãos do alemão Klinsmann. É um time moderno. De muita marcação, força física. Mas carente de talento. Os belgas de Marc Wilmots têm talento. Mas na Copa não conseguiu formar o mesmo time vibrante que surpreendeu a Europa.
As vaias no Itaquerão hoje para a vitória da Bélgica contra a Coréia do Sul não foram por acaso. A equipe está desencontrada, insegura. Talvez a expectativa tenha sido grande demais para um país sem tradição em Copa. Venceu seus três jogos, mas sem empolgar nem os parentes dos jogadores.
A dedicação norte-americana pode mudar um cenário que há um mês seria mais do que previsível.
Os oito confrontos têm características completamente diferentes. Mostram a diversidade de estilos, de estratégia. A maneira que um povo escolhe jogar para tentar ser campeão do mundo. Tudo isso no nosso quintal. É um privilégio.
Quem puder vá ao estádio. A Copa do Mundo entra na sua reta final. O dos duelos. Onde apenas uma equipe sobrevive enquanto a outra vai embora, sem nova chance.
A dramaticidade, a alegria, a superação, a decepção. Os ingredientes começam a se misturar nas oitavas. E vão culminar na final, no dia 13 de julho, no Maracanã. Já começa a dar saudade de uma Copa que ainda nem acabou...
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