quinta-feira, 19 de junho de 2014

Jararaca: De cangaceiro a “santo”

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Percebi um bom debate sobre o cangaço brasileiro, em especial, o cangaceiro 'Jararaca' e canonização. Reproduzo abaixo por que se trata de conhecimento e reviver a historia: 

Jararaca: De cangaceiro a “santo”


O pernambucano José Leite de Santana, ex-soldado do Exército, virou integrante do bando de Lampião e atuou na fracassada invasão à cidade de Mossoró (RN) no dia 27 de junho de 1927, ocasião na qual foi baleado e deixado para trás após a retirada de seus comparsas, que acreditavam que ele havia morrido durante o tiroteio. Mesmo ferido, baleado no do tórax, o cangaceiro foi levado para a delegacia, onde foi torturado e condenado a morte sem julgamento.


Jararaca foi condizido para o cemitério para a realização da execução exatamente diante de sua futura cova. Segundo o comandante policial da cidade, “foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia”. Mas a cova, cavada às pressas, era pequena para o corpo do cangaceiro e a solução encontrada pela polícia foi prática: Quebraram as pernas do cadáver. Há também quem diga que Jararaca foi enterrado vivo, pois ainda na agonia da morte a terra foi sendo jogada sobre ele até que o cangaceiro fosse totalmente soterrado.

As circunstâncias da morte causaram comoção entre as pessoas mais pobres e o túmulo do cangaceiro virou ponto de romaria.


Opinião de Kildare Holanda


"O episódio de Jararaca desperta em mim muitos questionamentos. Não há santidade que resista aos fatos equivocados constituídos ao longo dessa existência. Do mesmo modo que não existem heróis quando aproveita-se da fragilidade momentânea do adversário.


De quantas experiências necessitamos para acordar desta triste realidade? Quantas vezes precisamos aprender que vingar-se a partir do Estado não resolve os nossos problemas? E quantas vítimas particulares forçosamente faremos quando a vingança privada se legaliza nas mãos de quem está com o poder coercitivo.


Resistir ao mal não significa exterminá-lo à base de sangue e tortura. Esse binômio só nos trouxe decepção, extermínio, dor e desesperança. Lutar pelo ideal não significa que as marcas tenham necessariamente que serem desenhadas a custa de uma vida. Lembro-me sempre de que quando usamos as mesmas armas mortíferas do inimigo tornamo-nos iguais a ele. O duelo é um exemplo muito arriscado de fazer justiça com as próprias mãos.

A história tem-nos mostrado que as ações coletivas em desalinho com as regras estabelecidas na convivência social gera desequilíbrios e injustiças. É hora de refletirmos coletivamente sobre o nosso passado, a construção de nosso presente e os efeitos que iremos suportar no futuro."


O internauta Roberto Costa questionou a opinião Kildare Holanda dizendo:" Estou vendo a hora se querer criar uma comissão da verdade para punir quem matou jararaca, ô Brasil-zão sem porteira!" Por essas e outras que o Brasil está assim.É muita ingenuidade e até hoje se "faz Santos" para atender a todas as necessidades e gosto. jararaca não sofreu nada perante o que ele com o bando protagonizou, assaltos, sequestros, estupros, torturas, pilhagens, mim espanta como brasileiros tem a capacidade de inversão de valores, Lampião, Fernando da Gata, Lucio Flavio, Lula, Dilma, D.Pedro I, a nossa História é construída por bandidos, com bandidos e para bandidos!


Kildare  respondeu:"Caro Roberto Costa, de forma muito civilizada quero discordar de suas insistentes e desfocadas ideias. Creio que não fiz nenhuma menção política de relação e apoio a criminalidade.


Tenho me esforçado bastante para fazer valer os meus conhecimentos jurí
dicos conquistados com muito esforço ao longo desses anos. Busco ainda mais valorizar as mentes que dividem comigo algumas reflexões, quer seja no âmbito penal, quer no civil, quer no constitucional.


Confesso que busco utilizar o conhecimento construído ao longo desse tempo para tornar a justiça social um pouco mais em evidência no debate. Não se se trata aqui de constituir "Comissão da Verdade" para punir quem realmente eliminou o cidadão José Leite de Santana, até porque o crime cometido pelos seus algozes certamente já estaria prescrito há bastante tempo.


O que não podemos obscurecer é a truculência e aspectos de ilegalidade patrocinados à época por pessoas que estavam representando o Estado e, ao mesmo tempo, vitimizando alguém que não teve o seu direito de defesa respeitado.


Ademais, não constituo espaços públicos para eleger a digressão como forma de ataque, senão como espaço de diálogo sadio e na busca de resultados benéficos, sem o que não alcançaríamos os bons índices de convivência social.


Vamos amadurecer academicamente nossas relações de diálogo, quem sabe não evitaremos a disseminação de ideias que têm corrompido muitas gerações e ainda insistido em reviver a truculência do passado. Esse passado deve, na minha humílima concepção, representar apenas um ódio e ignorância que não devem ser repetidos. Apenas isso. O demais assuntos da digressão a gente resolve com consciência política."

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