domingo, 29 de junho de 2014

Principais frutas do RN sofrem baixa

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A fruticultura do RN registrou queda de 5,43% nas exportações de janeiro a maio de 2014, em relação ao mesmo período do ano passado. Principal item da pauta de frutas, o melão registrou queda de 7,51%. Para especialistas, a situação é resultado da concorrência de países da América Central como Honduras, Costa Rica e Guatemala, além do aumento da demanda no mercado interno. A castanha de caju também impactou nos números globais da fruticultura: a queda foi de 26,14% e tem como principal motivo os efeitos da seca prolongada dos últimos dois anos.

Em 2013, o valor exportado de melões potiguares entre janeiro e maio foi equivalente a 16,4 milhões de dólares. No mesmo período de 2014, esse valor encolheu em 1,2 milhão de dólares, ficando em cerca de 15,2 milhões de dólares.
Emanuel AmaralPor trás da queda das exportações de melão tem ao menos um fator negativo: a concorrência internacional, apontam fruticultoresPor trás da queda das exportações de melão tem ao menos um fator negativo: a concorrência internacional, apontam fruticultores


Na avaliação do presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (Coex), Luiz Roberto Barcelos, a situação é decorrente da falta de chuvas na região sudeste nos primeiros meses do ano, o que aumentou a demanda por fruta no mercado interno. “ Os preços do mercado interno ficaram melhores do que os da exportação, por conta dessa condição climática”, explica. 

Outro fator preponderante para esse resultado, segundo ele, foi a competição com os países da América Central. “Houve um aumento do imposto sobre a importação do melão brasileiro de 5,3% para 8,8% no início do ano, enquanto nos países da América Central o imposto é zero. Estamos perdendo competitividade”, diz Barcelos.

De acordo com o presidente do Coex, a queda não chega a ser expressiva, mas é pode vir a se acentuar no futuro se a questão tributária não for revista. “Se o Brasil não fizer um acordo bilateral entre Mercosul e Comunidade Europeia, vamos cada vez mais perder competitividade”, ressalta.

O produtor de melão Francisco Vieira também vê a competição com os países da América Central como um dos fatores para a queda do produto na balança comercial potiguar. Além disso, diz ele, o gradativo aumento da salinidade dos poços que irrigam as plantações de melão poderá acarretar em novas quedas na pauta de exportação. “E nós temos um agravante: os preços do melão no mercado internacional faz quatro ou cinco anos que quase não teve aumento, mas os custos tem aumentado em 8% a 10%. Houve valorização do dólar frente ao real, mas isso não compensou os aumentos de custo”, analisa.

Área
De acordo com Luiz Roberto Barcelos, o aumento da concentração de sais nos poços poderá acarretar numa redução de cerca de 1 mil hectare na área de cultivo do melão no RN. “Deve baixar de 12 para 11 mil hectares de área plantada”, diz.

A produção média anual de melão é de 120 mil toneladas no Rio Grande do Norte. Na opinião de Barcelos, é possível que haja redução de cerca de 10% nesse valor em decorrência do aumento da salinidade dos poços, o que levaria a produção média anual para 110 mil toneladas. “Não é uma perda muito alta, mas ainda assim é uma perda”, completa.
Arte TNinfoinfo

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