Por Juiz Gerivaldo Neiva
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| Imagem encontrada na Internet - Desculpe o autor pela falta do crédito |
Sofri com a história contada por este amigo virtual, mas ao mesmo tempo me senti confortado em saber que meu texto retratou tão bem a realidade de milhares de pessoas neste país que tem seus entes queridos presos e condenados como traficantes perigosos para a “ordem pública” pelo simples fato de portar certa quantidade de maconha para seu uso pessoal.Então, meu prezado amigo, o que posso te dizer agora é que estamos nesta luta e que abrace seu irmão por mim quando visita-lo na prisão.
Aceite ainda, você e sua família, um abraço forte e solidário.
(O autor da mensagem me autorizou expressamente a publicação da mensagem e omiti seu nome, cidade e o nome do juiz de direito.)
Prezado Excelentíssimo Sr. Juiz Gerivaldo Neiva,
Não sei se um dia o senhor responderá este e-mail, mas hoje ao ler o seu texto:"Amanhã, quando sair de casa, repense o que você pensa sobre drogas", fiquei muito feliz, pois encontrar uma autoridade com a tamanha responsabilidade que o senhor tem dentro do judiciário e com uma visão mais moderna sobre o tema drogas e com imensa sabedoria é raro.
Por coincidência, esta semana faz 3 meses que meu irmão está preso no sistema carcerário, usuário de maconha desde os 14 anos de idade e hoje com 32 anos, está prestes a ser condenado pelo crime de tráfico de drogas por possuir 70 gramas de maconha para consumo próprio. Detalhe: ele é réu primário, possui residência própria (construída com fruto do seu trabalho), é casado, tem um filho e até meados de dezembro de 2013 era proprietário de um restaurante e estava trabalhando como holding em eventos musicais.
Infelizmente, nas escutas telefônicas da polícia disseram que meu irmão ao falar de carne, açafrão, e outros produtos ligados a culinária, disseram que estes eram os apelidos por ele dado a maconha para sua comercialização, porém ao realizarem uma busca e apreensão autorizada por um juiz de direito, encontraram apenas 70 GRAMAS DE MACONHA na geladeira de sua casa (droga para consumo dele, pois como ele disse, é muito perigoso comprar droga, compro esta quantidade para não precisar voltar naquele lugar todo os dias).
No dia em que foi preso ele estava indo para o trabalho com a esposa e iam levar seu filho de 3 anos na escola. É triste, mas o que o senhor disse no texto é a realidade que meu irmão está vivendo hoje. Infelizmente nos familiares também estamos pagando por um crime, que meu irmão como usuário de drogas nunca cometeu. ELE NÃO É UM TRAFICANTE.
Meu irmão ainda tem sorte de termos o mínimo de condições para contratar um advogado, porém no dia da audiência de instrução e julgamento eu e meus pais não podemos presenciar o julgamento, porque o Juiz proibiu os familiares de entrar, sem comprovar os motivos desta restrição (Obs.: dentre os Juízes da vara de entorpecentes, ele foi o único a nos proibir de entrar na sala de audiência). Percebi naquele dia, que este seria um dos poucos momentos que eu como contratante dos serviços daquela empresa de advocacia, tive para avaliar o trabalho do advogado, ao menos nos debates orais, e o Juiz daquela vara nos tolheu desse direito.
Somente hoje, após este episódio que nunca esquecerei e marcará a vida da minha família e do meu irmão para sempre, percebo o quanto existe de injustiça nas prisões, nas investigações policiais e nos julgamentos, mas o que me acalenta é saber que existe alguém como senhor que ainda briga por aqueles que sofrem pelas injustiças de um Estado que protege uma minoria e abandona uma maioria.
Se for possível, gostaria que o senhor me informasse aonde encontro julgados do senhor, jurisprudências, ou seja, informações que possam contribuir para as alegações finais que serão apresentadas pelo o advogado do meu irmão ainda este mês.
Me desculpe tomar seu tempo, mas quando li o texto que o senhor escreveu me emocionei muito. Ah, detalhe: parei de beber desde quando meu irmão foi preso, pois eu também percebi que também estava consumindo drogas e podia tirar uma vida caso viesse dirigir alcoolizado ou por qualquer outro motivo.
Abraço e boa semana.
Respeitosamente,
LDA
Fonte: Gerivaldo Neiva
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