Daísa Alvesrepórter

As indústrias de leite têm encontrado dificuldades em contratar pequenos produtores do alimento no Rio Grande do Norte. A situação tem levado ao esvaziamento de licitações para contratação de fornecedores de leite a programas governamentais.
Júnior Santos O programa do leite distribui o produto, mas há dificuldadesO programa do leite distribui o produto, mas há dificuldades No edital lançado pelo Programa de Aquisição de Alimento – Leite, dos 30 lotes ofertados para contratação, nove deles não tiveram procura - o que significa 30% dos lotes ofertados. Atualmente, cinco ainda continuam sem acerto. Este último edital foi lançado em abril deste ano, e compreende o fornecimento de leite para 50 municípios do RN, no período de junho deste ano à agosto de 2015. Segundo Isaac Alves, coordenador do Programa do Leite pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RN), os noves lotes sem procura eram os com maior volume de leite a ser contratado, e a maioria era para fornecimento na região agreste e litoral do Estado. Dificuldades Questionado sobre o motivo do não comparecimento, ele expõe a dificuldade com a captação de produtor. “O que nos foi colocado é que está havendo dificuldades por parte das indústrias em encontrar produtores familiares”, confirma. Para participar do programa as indústrias, obrigatoriamente, tem de fornecer leite produzido no RN, e os produtores devem possuir a Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP, que qualifica a família como agricultura familiar. “Há uma dificuldade, não de encontrar pequenos produtores, mas de encontrar produtores que entrem nos parâmetros do programa. O que também causa desinteresse por parte dos produtores”, relata Luís Miranda Neto, presidente executivo do Sindicato das Indústrias de Leite (Sindleite). Ele lista a limitação de venda de 12 litros de leite por dia para cada produtor, como um desses parâmetros dificultadores. Outras questões é receber “somente R$ 4 mil por semestre”. O que ele considera como um valor baixo. E também os atrasos no repasse dos pagamentos aos produtores e usineiros. “A falta de credibilidade que o programa tem, devido a alguns percalços de questões burocráticas, que acarretaram em atrasos, também se portam como dificuldade”, relata. Segundo o presidente do Sindleite, a maior complicação para captação dos produtores familiares é na Região Metropolitana de Natal, onde faltam pequenos produtores. Inclusive, um dos lotes não contratados foi o de Natal, onde deveriam ser fornecidos 3.300 litros de leite. No caso, segundo José Alves, técnico da Emater-RN, a solução foi dividir o lote em três, e assim conseguiram credenciar os fornecedores para a demanda. O presidente do Sindicato de Produtores de Leite, Marcelo Passos, nega que haja falta de disposição dos pequenos produtores em venderem seus produtos aos programas governamentais. Ele questiona a “transparência” do programa, que, segundo afirma, não estaria esclarecendo quais os produtores que estão sendo contratados. “Não é verdade que tem dificuldade em encontrar pequenos produtores. A falta de credibilidade foi no passado, hoje não há mais. A verdade é que não estão comprando leite do RN. O leite no Estado está sobrando”, declara Passos. Ele não tinha, porém, informações de quanto seria a sobra. “A gente queria saber de onde estão captando. Mas, não temos a informação. Já procuramos pela Emater, mas não sabemos quantos nem quais são os produtores credenciados”.

As indústrias de leite têm encontrado dificuldades em contratar pequenos produtores do alimento no Rio Grande do Norte. A situação tem levado ao esvaziamento de licitações para contratação de fornecedores de leite a programas governamentais.
Júnior Santos O programa do leite distribui o produto, mas há dificuldadesO programa do leite distribui o produto, mas há dificuldades No edital lançado pelo Programa de Aquisição de Alimento – Leite, dos 30 lotes ofertados para contratação, nove deles não tiveram procura - o que significa 30% dos lotes ofertados. Atualmente, cinco ainda continuam sem acerto. Este último edital foi lançado em abril deste ano, e compreende o fornecimento de leite para 50 municípios do RN, no período de junho deste ano à agosto de 2015. Segundo Isaac Alves, coordenador do Programa do Leite pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RN), os noves lotes sem procura eram os com maior volume de leite a ser contratado, e a maioria era para fornecimento na região agreste e litoral do Estado. Dificuldades Questionado sobre o motivo do não comparecimento, ele expõe a dificuldade com a captação de produtor. “O que nos foi colocado é que está havendo dificuldades por parte das indústrias em encontrar produtores familiares”, confirma. Para participar do programa as indústrias, obrigatoriamente, tem de fornecer leite produzido no RN, e os produtores devem possuir a Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP, que qualifica a família como agricultura familiar. “Há uma dificuldade, não de encontrar pequenos produtores, mas de encontrar produtores que entrem nos parâmetros do programa. O que também causa desinteresse por parte dos produtores”, relata Luís Miranda Neto, presidente executivo do Sindicato das Indústrias de Leite (Sindleite). Ele lista a limitação de venda de 12 litros de leite por dia para cada produtor, como um desses parâmetros dificultadores. Outras questões é receber “somente R$ 4 mil por semestre”. O que ele considera como um valor baixo. E também os atrasos no repasse dos pagamentos aos produtores e usineiros. “A falta de credibilidade que o programa tem, devido a alguns percalços de questões burocráticas, que acarretaram em atrasos, também se portam como dificuldade”, relata. Segundo o presidente do Sindleite, a maior complicação para captação dos produtores familiares é na Região Metropolitana de Natal, onde faltam pequenos produtores. Inclusive, um dos lotes não contratados foi o de Natal, onde deveriam ser fornecidos 3.300 litros de leite. No caso, segundo José Alves, técnico da Emater-RN, a solução foi dividir o lote em três, e assim conseguiram credenciar os fornecedores para a demanda. O presidente do Sindicato de Produtores de Leite, Marcelo Passos, nega que haja falta de disposição dos pequenos produtores em venderem seus produtos aos programas governamentais. Ele questiona a “transparência” do programa, que, segundo afirma, não estaria esclarecendo quais os produtores que estão sendo contratados. “Não é verdade que tem dificuldade em encontrar pequenos produtores. A falta de credibilidade foi no passado, hoje não há mais. A verdade é que não estão comprando leite do RN. O leite no Estado está sobrando”, declara Passos. Ele não tinha, porém, informações de quanto seria a sobra. “A gente queria saber de onde estão captando. Mas, não temos a informação. Já procuramos pela Emater, mas não sabemos quantos nem quais são os produtores credenciados”.
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