Uma opinião sobre o Debate da Band

Por: Ney Lopes
Desculpe o (a) internauta, mas é impossível conter o sentimento de discordância com a postura da presidente Dilma Rousseff, no debate de ontem, 14, na BAND.
Independente do mérito das questões e argumentos usados pela líder petista, notou-se claramente a sua opção por uma técnica oriunda do nazi-fascismo, que se resume no aforisma: “de tanto se repetir uma mentira, ela se transforma em verdade” (Goebbels).
Senão vejamos.
O escândalo da Petrobras (mais do que mensalão e tantos outros) tem nuances escabrosas e revoltantes.
São milhões e milhões de dólares desviados, roubados, por uma quadrilha com requintes de dolo nunca vistos no país (e quiçá no mundo).
O diretor da empresa confessou tudo, deu número de conta no exterior, aceitou transferir uma primeira parcela dos dólares roubados em depósito na Suíça.
Há alguma dúvida nisso?
Absolutamente nenhuma.
Se a presidente Dilma lamentasse e até se desculpasse por ter colocado e nomeado em seu governo tantos ladrões, poder-se-ia ter certa indulgência com ela.
Mas, não!
Ela simplesmente protege os “companheiros do PT”, tergiversa, tresler e a sua defesa é atacar com fatos “requentados” relativos a um ex-governador de Minas Gerais, que disse no debate, de alto e bom som, sem contestação da presidente: “nunca ter respondido a qualquer processo na vida pública”.
Se a presidente acusasse o seu opositor de posse de uma investigação na mão, ou autos de um processo judicial, tudo bem.
Porém, o comportamento da presidente no debate foi especular sobre um aeroporto construído (com o MP já tendo dado parecer sobre a inexistência de irregularidade), referencias vagas ao governo de FHC; fatos isolados do governo mineiro à época do seu opositor; nepotismo; e críticas impróprias e descabidas a uma possível nomeação de Armínio Fraga para a Fazenda, no governo Aécio.
Aliás, ao admitir essa nomeação, Dilma admitiu também que Aécio ganhará a eleição e colocará na fazenda um nome que, no passado, recebeu inúmeros elogios do PT e de Lula, no período de transição em 2002.
Nada de substancial, documental, objetivo, a presidente trouxe ao debate.
Por que a presidente agiu assim?
Os seus “assessores” aconselharam-na, que o importante não é a verdade.
Mesmo sem ter provas, teriam que serem repetidas acusações contra o adversário, com a única finalidade de encobrir os efeitos e conhecimento mais amplo da roubalheira da Petrobras, por exemplo.
De certa forma, o objetivo foi alcançado, em parte, na medida em que Aécio teve que usar o seu tempo para explicações do que lhe era perguntado.
Não poderia ser diferente.
Uma tática nazifascista usada por Dilma.
Aécio Neves não caiu na cilada.
Respondeu com firmeza e quando disse que a sua opositora não fosse leviana, agiu como qualquer mortal, diante da calunia repetida, em tom de verdade.
O debate de ontem, 14, se resume a uma Dilma “amedrontada”, partindo para o ataque a qualquer custo, repetindo argumentos que lhe “ensinaram” no treinamento.
As vezes chegou a trocar palavras, tal o nervosismo que demonstrava.
Aécio foi sereno, quando deveria ser.
E firme, quando a situação exigia.
Aécio revelou certa inquietação, por dois motivos básicos e justificáveis:
- A presidente nada esclareceu sobre os atos repetidos de corrupção no seu governo e quando a palavra lhe era devolvida fazia indagações genéricas para fugir ao tema. A culpa da falta de esclarecimentos sobre os escândalos não foi de Aécio, mas o público esperava isso.
- Não houve tempo para que Aécio expusesse as ideias mestras do seu governo, sobretudo em matéria econômica e social.
O debate da BAND poderia ter sido mais produtivo para o processo eleitoral.
Entretanto, a emissora está de parabéns, pois colocou em prática o modelo pioneiro do debate com pergunta direta dos candidatos.
Vamos aguardar o debate final na Globo.
Aécio já conhece as armas de sua adversária e ficará mais fácil exigir dela o que se recusou a explicar e responder ontem, 14.
Fonte: Blog de Ney Lopes
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