Nadjara Martins
Repórter
Entrevista - Tenente Styvenson Valentim
Comandante da Operação Lei Seca no Rio Grande do Norte
Paladino da lei para uns, autoritário e abusivo para outros. Mas na visão do tenente Eann Styvenson Valentim Mendes, 37 anos, nada na vida é só bom ou ruim, certo ou errado – nem mesmo ele. Comandante da Operação Lei Seca no Rio Grande do
Norte, Styvenson coleciona elogios pela atuação rigorosa nas blitzen de trânsito. Somente neste ano, a operação abordou 30.424 condutores potiguares, dos quais 2.668 foram autuados por dirigir embriagados. Por outro lado, o tenente é alvo de polêmicas, como a recente sindicância aberta para apurar uma suposta lesão corporal contra um condutor. O tenente nega a ação, assim como o estigma de autoritário.
“O que eu tento passar para as pessoas não é medo, mas que se for pego dentro do canal da blitz não adianta fugir, deixar o carro, trocar de motorista, porque todo o esquema foi montado para ter a certeza de que você vai ser punido”, afirma o tenente, que já autuou jornalistas, advogados, médicos, motoristas da presidente Dilma Rousseff e até um padre.
Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Styvenson faz um balanço da operação da Lei Seca durante o ano, defende o aumento das penalidades previstas no Código Brasileiro de Trânsito e ampliação da estrutura da operação no RN. “A gente está vivendo o holocausto (no trânsito), mas ninguém sente, porque não foi seu pai, sua mãe, você não perdeu uma perna ainda...” Até outubro, 134 acidentes foram registrados no estado envolvendo álcool e direção. Em 2013, foram 239Balanço
Se fosse por termômetro, os três primeiros meses foram pesados. Os três seguintes as pessoas aceitaram. Quando o pessoal começou a ver guarda de Dilma Rousseff, promotor, juiz, foi decisivo. Hoje existe quem está contra, como tudo na vida tem o antagônico. A avaliação é positiva em rendimento, tratamento. Quase 5 mil CNHs recolhidas, mais de 700 pessoas presas e apenas 1 denúncia. O policiamento funciona, atende bem.
Estrutura
Em 2011, me chamaram para a Lei Seca. Me mandaram para o Rio de Janeiro. Estrutura magnífica, dispunham de tudo o que não temos no nosso estado. Para começar, lá é uma subsecretaria, só responde ao governador. Eles estão isentos que interferência lateral, só vem de cima. A gente foi montando com o que temos. Duas viaturas cedidas pelo Detran, duas Trollers e um Guincho. Uma viatura que serve de escritório Móvel. 12 policiais e dois tenentes. Preciso que as coisas funcionem, não é só apoio financeiro. Só quero o apoio, às vezes, básico. A gente faz muito no músculo. Não sei a quem eu peço por isso: governador, Senado...? Só peço que olhe se deu certo. Se deu certo sem nada, imagina se eu tivesse o mínimo? Nem o mínimo eu tenho. O que eu tenho já é difícil de manter.
Operação
O comandante (da PM, Francisco Araújo) não fica feliz quando eu prendo 80. Ele pergunta: isso nunca baixa? É difícil conscientizar pessoas. (O número) Não diminui pelo fato das pessoas usarem o Waze, Whatsapp ou qualquer outro dispositivo eletrônico. Acha que vai burlar, que não vai ser com ele. Além disso, o prazer de desafiar. É a blitz? Vamos morder o policial, morder, tentar dar um tiro. É a falta de educação, o desrespeito, a espécie de emoção do desafio. Ele só não quer obedecer, preservar a vida dele. Até onde tenho conhecimento, dentro da minha área de operação só morreu uma neste ano. Foi a senhora no cruzamento do Midway. E aquilo me revoltou, porque um dia antes eu fiz uma blitz naquela (boate) Pink Elephant. Eu fiquei entalado, parece que o trabalho foi mal feito. Fiz tudo e não salvei aquela vida, de que adiantou ter 500 pessoas presas? A impotência da nossa equipe é essa. De que adianta eu fazer 100 se morrer um? É uma estatística boa se você não conhece ninguém que sofreu.
Situações
Uma mulher foi para cima para me bater mesmo. Disse que ia jogar o sapato, dar em mim. Eu eu não podia fazer nada, não podia bater numa mulher. Mas ela não bateu não. De inusitado desde um caminhão do lixo, uma ambulância, um padre. História de cara que está com outra mulher e eu tenho que dar uma solução para ele. Tem muita coisa inusitada durante a noite. É inusitado para um blitz que as pessoas perguntam: por que não pega bandido? Pouca gente tem o conhecimento de que já predemos mais de 15 arma, quantidade considerável de drogas, carro roubado...
Legislação
O Código Brasileiro de Trânsito tem que ser mais rígido? Concordo. Principalmente se tratando de brasileiro. Estive em Brasília, na oficina internacional (sobre trânsito), países como Austrália dizem que é preciso colocar medo nas pessoas. Tem que estar sabendo que, se for pego na blitz, vai acontecer tudo que a legislação prevê para ele. O que eu tento passar para as pessoas não é medo, mas que se for pego dentro do canal da blitz não adianta fugir, deixar o carro, trocar de motorista, porque todo o esquema foi montado para ter a certeza de que você vai ser punido. Mas não adianta ter lei rígida, tomar milhões, expropriar o carro se eu não tiver o capital humano para fiscalizar, ou se eu der todo esse poder a um policial corrupto.
Punição
Acidente é algo que eu não tive capacidade de evitar. Será que eu beber e sair dirigindo foi acidente? Ou foi intenção? No momento em que você bebeu, assumiu a direção e matou uma pessoa, foi um acidente? É aí que o código brasileiro tem que mudar. O código não prevê o caso doloso, só o culposo. Quatro anos, não respondo, medida auxiliar. Eu tiro a sua vida com meu carro, tive a intenção e pago apenas quatro anos? Acidente não é falta atenção, é o que você não tinha previsão.
Comandante da Operação Lei Seca no Rio Grande do Norte
Paladino da lei para uns, autoritário e abusivo para outros. Mas na visão do tenente Eann Styvenson Valentim Mendes, 37 anos, nada na vida é só bom ou ruim, certo ou errado – nem mesmo ele. Comandante da Operação Lei Seca no Rio Grande do
Norte, Styvenson coleciona elogios pela atuação rigorosa nas blitzen de trânsito. Somente neste ano, a operação abordou 30.424 condutores potiguares, dos quais 2.668 foram autuados por dirigir embriagados. Por outro lado, o tenente é alvo de polêmicas, como a recente sindicância aberta para apurar uma suposta lesão corporal contra um condutor. O tenente nega a ação, assim como o estigma de autoritário.
“O que eu tento passar para as pessoas não é medo, mas que se for pego dentro do canal da blitz não adianta fugir, deixar o carro, trocar de motorista, porque todo o esquema foi montado para ter a certeza de que você vai ser punido”, afirma o tenente, que já autuou jornalistas, advogados, médicos, motoristas da presidente Dilma Rousseff e até um padre.
Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Styvenson faz um balanço da operação da Lei Seca durante o ano, defende o aumento das penalidades previstas no Código Brasileiro de Trânsito e ampliação da estrutura da operação no RN. “A gente está vivendo o holocausto (no trânsito), mas ninguém sente, porque não foi seu pai, sua mãe, você não perdeu uma perna ainda...” Até outubro, 134 acidentes foram registrados no estado envolvendo álcool e direção. Em 2013, foram 239Balanço
Se fosse por termômetro, os três primeiros meses foram pesados. Os três seguintes as pessoas aceitaram. Quando o pessoal começou a ver guarda de Dilma Rousseff, promotor, juiz, foi decisivo. Hoje existe quem está contra, como tudo na vida tem o antagônico. A avaliação é positiva em rendimento, tratamento. Quase 5 mil CNHs recolhidas, mais de 700 pessoas presas e apenas 1 denúncia. O policiamento funciona, atende bem.
Estrutura
Em 2011, me chamaram para a Lei Seca. Me mandaram para o Rio de Janeiro. Estrutura magnífica, dispunham de tudo o que não temos no nosso estado. Para começar, lá é uma subsecretaria, só responde ao governador. Eles estão isentos que interferência lateral, só vem de cima. A gente foi montando com o que temos. Duas viaturas cedidas pelo Detran, duas Trollers e um Guincho. Uma viatura que serve de escritório Móvel. 12 policiais e dois tenentes. Preciso que as coisas funcionem, não é só apoio financeiro. Só quero o apoio, às vezes, básico. A gente faz muito no músculo. Não sei a quem eu peço por isso: governador, Senado...? Só peço que olhe se deu certo. Se deu certo sem nada, imagina se eu tivesse o mínimo? Nem o mínimo eu tenho. O que eu tenho já é difícil de manter.
Operação
O comandante (da PM, Francisco Araújo) não fica feliz quando eu prendo 80. Ele pergunta: isso nunca baixa? É difícil conscientizar pessoas. (O número) Não diminui pelo fato das pessoas usarem o Waze, Whatsapp ou qualquer outro dispositivo eletrônico. Acha que vai burlar, que não vai ser com ele. Além disso, o prazer de desafiar. É a blitz? Vamos morder o policial, morder, tentar dar um tiro. É a falta de educação, o desrespeito, a espécie de emoção do desafio. Ele só não quer obedecer, preservar a vida dele. Até onde tenho conhecimento, dentro da minha área de operação só morreu uma neste ano. Foi a senhora no cruzamento do Midway. E aquilo me revoltou, porque um dia antes eu fiz uma blitz naquela (boate) Pink Elephant. Eu fiquei entalado, parece que o trabalho foi mal feito. Fiz tudo e não salvei aquela vida, de que adiantou ter 500 pessoas presas? A impotência da nossa equipe é essa. De que adianta eu fazer 100 se morrer um? É uma estatística boa se você não conhece ninguém que sofreu.
Situações
Uma mulher foi para cima para me bater mesmo. Disse que ia jogar o sapato, dar em mim. Eu eu não podia fazer nada, não podia bater numa mulher. Mas ela não bateu não. De inusitado desde um caminhão do lixo, uma ambulância, um padre. História de cara que está com outra mulher e eu tenho que dar uma solução para ele. Tem muita coisa inusitada durante a noite. É inusitado para um blitz que as pessoas perguntam: por que não pega bandido? Pouca gente tem o conhecimento de que já predemos mais de 15 arma, quantidade considerável de drogas, carro roubado...
Legislação
O Código Brasileiro de Trânsito tem que ser mais rígido? Concordo. Principalmente se tratando de brasileiro. Estive em Brasília, na oficina internacional (sobre trânsito), países como Austrália dizem que é preciso colocar medo nas pessoas. Tem que estar sabendo que, se for pego na blitz, vai acontecer tudo que a legislação prevê para ele. O que eu tento passar para as pessoas não é medo, mas que se for pego dentro do canal da blitz não adianta fugir, deixar o carro, trocar de motorista, porque todo o esquema foi montado para ter a certeza de que você vai ser punido. Mas não adianta ter lei rígida, tomar milhões, expropriar o carro se eu não tiver o capital humano para fiscalizar, ou se eu der todo esse poder a um policial corrupto.
Punição
Acidente é algo que eu não tive capacidade de evitar. Será que eu beber e sair dirigindo foi acidente? Ou foi intenção? No momento em que você bebeu, assumiu a direção e matou uma pessoa, foi um acidente? É aí que o código brasileiro tem que mudar. O código não prevê o caso doloso, só o culposo. Quatro anos, não respondo, medida auxiliar. Eu tiro a sua vida com meu carro, tive a intenção e pago apenas quatro anos? Acidente não é falta atenção, é o que você não tinha previsão.
Alex Régis
Tenente Eann Styvenson Valentim Mendes é a referência das blitze da Lei Seca em Natal
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