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Por *Cláudia Santa Rosa
Bela manhã de terça-feira, mês de janeiro, ano de 1988, a menina Clara, ainda adolescente, se depara com o amor da sua vida. Ela marca um encontro movida, unicamente, pela necessidade de ter acesso aos serviços profissionais prestados
por Lucas, sem esperar que, ali, seria o começo de uma linda história de amor.
De tão ansiosa, ela acorda cedo. Veste-se, atravessa a rua e chega ao seu destino. Depois de aguardar por alguns minutos, o seu nome é anunciado e ela adentra aquela sala gelada, que tem cheiro característico e um sonzinho de motor que impõe medo, dor e uma vontade danada de ir embora. Clara não estar sozinha, sua amiga Paula a acompanha.
Lucas as recebe com um sorriso largo. Instantaneamente, como se estivessem sozinhos, dane-se o mundo, os olhos daquele homem maduro encontram, para sempre, os olhos de Clara. Depois dos cumprimentos formais, ele não esconde o seu encantamento:
– Você já foi miss?
– Você já foi miss?
Clara responde, espantada:
– Não, imagine!
– Não, imagine!
Decidido a jogar todo seu charme, ele completa:
– Não foi porque não quis, mas você tem tudo para ser miss.
– Quantos anos você tem?
– Não foi porque não quis, mas você tem tudo para ser miss.
– Quantos anos você tem?
Clara agradece e responde que chegará aos 17 anos, em menos de três meses. Lucas mostra-se surpreso, até mesmo decepcionado:
– Só? Imaginei que tivesse mais!
– Só? Imaginei que tivesse mais!
Cumprida a finalidade da visita, minutos depois, Clara vai embora, deixando um novo encontro agendado. Lucas está fascinado e se pudesse já a teria em seus braços. Ela o leva em seus pensamentos, embora esquivando-se de admitir tal realidade, por ser maior o medo das consequências, de se machucar, do julgamento do mundo.
De verdade, Clara tinha receio de não ser amada, do sentimento de Lucas ser passageiro e, assim sendo, reduzido a uma mera atração física, apesar dela não se considerar exemplo de beleza. Clara admite, sim, que talvez exale vida e não exatamente qualidades estéticas. Acostumou-se, desde sempre, chamar a atenção das pessoas pela sua leveza, simpatia e a inteligência que muito cedo eclodiu no que diz e faz. Porém, para Lucas não é fácil esquecer aquela menina alta, magérrima, morena de pele clarinha, cabelos castanhos a escorrerem para além dos ombros, lábios bem definidos e sorriso marcante. Ele pensa:
– Os olhos de Clara falam!
– A sua conversa é de um jovem de pelo menos 20 anos.
– Eu devo ser louco, mas o que fazer para tê-la?
– Os olhos de Clara falam!
– A sua conversa é de um jovem de pelo menos 20 anos.
– Eu devo ser louco, mas o que fazer para tê-la?
Passou-se mais da metade de um ano, entre beijos e leves carícias roubadas, eles estão cada vez mais próximos. Conversam, se querem, se amam. Finalmente Clara vai ao encontro de Lucas, pronta para corresponder ao primeiro beijo, ao primeiro abraço, aos toques das mãos que não suportam mais a espera. Assim se fez. Nada além de um namoro ingênuo, embora não quisessem mais se desgrudar.
Um ano depois que se olharam pela primeira vez, aleluia! Clara e Lucas se permitiram sentir o prazer da entrega completa. Tudo assim, sem pressa, delicadamente. O amor existe!
*Professora, especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Articulista de temas relativos à Educação, quinzenalmente passou a publicar minicontos de amor, que são tentativas de incursão pelo universo da ficção. (educadora@claudiasantarosa.com)
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