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Inteligentes — assim como os chimpanzés, são animais capazes de se reconhecerem no espelho —, osgolfinhos até que tentam se virar. Quando se deparam com um saco de plástico no meio do caminho, por exemplo, não o ingerem: preferem fazer do lixo um brinquedo. E, embora circulem de norte a sul, sabiamente têm ficado mais concentrados na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, atrás da Ilha de Paquetá. Mas, às vésperas dos Jogos
Olímpicos Rio 2016 e com o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) completando 21 anos sem resultados efetivos, se nada for feito, em 2035 pode não haver mais golfinhos saltando com o Dedo de Deus ou o Pão de Açúcar ao fundo.
Olímpicos Rio 2016 e com o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) completando 21 anos sem resultados efetivos, se nada for feito, em 2035 pode não haver mais golfinhos saltando com o Dedo de Deus ou o Pão de Açúcar ao fundo.
— Caso a situação não seja revertida, em 20 anos teremos uma população de raríssimos indivíduos ou não restarão mais botos-cinza. A espécie entrou, ano passado, na lista vermelha do Ministério do Meio Ambiente por causa da situação crítica da baía — lamenta o oceanógrafo Alexandre Azevedo, do Maqua.
Desde 1992, equipes da Uerj monitoram os golfinhos na baía. Em 1995, os oceanógrafos passaram a utilizar a técnica de fotoidentificação. Os botos-cinza nascem com a nadadeira dorsal lisa, mas, por conta da interação com o ambiente e, principalmente, entre eles (se mordem tanto nas brigas quanto nos cortejos), ganham marcas, que viram uma espécie de impressão digital. Passaram, então, a ser chamados por números e, em casos especiais, apelidos.
— Os golfinhos da Baía de Guanabara não são passantes, eles escolheram esse lugar como residência fixa — diz o oceanógrafo José Lailson Brito, a bordo da lancha Falsa Orca. — Aquela é a Titia. Está ao lado do filhote da Guapi. Ela cuida dos filhotes de várias fêmeas.A fêmea foi carinhosamente batizada de Titia recentemente.
Desde 1999, pesquisadores acreditavam que ela era ele, pois nunca tinha engravidado. Em janeiro do ano passado, enfim, Titia deu à luz, deixando todos confusos e contentes. A festa, porém, durou pouco: o filhote morreu dois meses após o nascimento. E não foi um caso isolado.
— Mais da metade dos filhotes não chega à idade adulta. Como todo mamífero, eles nascem com imunidade baixa e ainda são alimentados com leite contaminado das mães. Os elementos contaminantes não matam diretamente os animais, mas deixam a imunidade ainda mais baixa. E os filhotes acabam afetados por doença bacteriana ou viral — explica José. (O Globo)
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