sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Por que o voto deve ser obrigatório?

Há argumentos favoráveis e contrários a esse dever que voltam à discussão em períodos de campanha. Se por um lado votar ajuda a ter um compromisso com a política, por outro o voto obrigatório pode gerar uma escolha sem critérios concretos.

Entretanto, sabemos quão nova é nossa democracia e, por conseguinte, quão frágil é nossa cultura política. Ainda estamos na fase da solidificação das nossas instituições democráticas bem como da criação de mentalidades críticas e democráticas. Tudo isso necessita de tempo e aprendizado. O desafio imposto pelas condições históricas (sociais e econômicas) pelo imaginário político (fortemente conservador, na nossa região), exige que em cada campo de atividade governamental se realize três trabalhos simultâneos: a mudança na mentalidade, a definição de prioridades voltadas para as carências e demandas das classes populares e a invenção de uma nova cultura política.
Desse modo, a preocupação está, sobretudo, com a estabilidade democrática e as condições culturais para o estabelecimento da mesma. A participação facultativa no pleito pode levar a ruina da estabilidade democrática por ser ainda no, nosso caso, muito recente essa cultura da participação. E mais, pode tornar ainda mais forte a prática do clientelismo, ou seja, a venda do voto. Se não houver mudanças sociais significativas, isto é, a criação de meios para que a cultura política possa fazer parte do dia a dia do eleitor o que poderemos ter é um eleitor que pode escolher ir, ou não, votar, mas que não carrega consigo a premissa democrática que é a do comum, do público. Nesse sentido alguém pode oferecer vantagens para que ele decida participar da eleição, mas a sua participação não é porque ele se ver responsável não só pelo seu clã familiar, mas com o todo que é a cidade, com todo que é população e faz parte dela. Nesse caso, fará a diferença no processo eleitoral aquele que conseguir mobilizar um grupo. E quem conseguirá mobilizar tal grupo? Aquele que tiver na sua mão a máquina pública. O voto poderá se tornar objeto de manipulação.
Por tanto, o voto não pode ser visto como obrigação e sim como um direito que possibilita mudanças significativas. A participação constante do eleitor no processo eleitoral torna-o ativo na determinação do destino da coletividade a que pertence, influindo, desse modo, nas prioridades da administração pública, ao sugerir, pela direção de seu voto, aos administradores quais problemas desejam ver discutidos e resolvidos; a omissão do eleitor pode tornar ainda mais grave o atraso socioeconômico das áreas pobres; também, leva o debate eleitoral para os lares e locais de lazer e de trabalho, envolvendo, inclusive, as crianças e jovens que serão os eleitores de amanhã.
Do ponto de vista da cultura política isto é muito caro e permitirá estimular formas de auto-organização da sociedade e sobretudo das camadas populares, criando o sentimento e a prática da cidadania participativa. Isso proporcionará mudanças significativas nas mentalidades e comportamentos dos cidadãos. O voto é um direito, é hoje uma forma de trazer para o debate aquele que desde sempre foi excluído da participação e construção do futuro da cidade, do público.

Vamos acreditar na força do voto. Mas para isso vamos também criar meios de uma maior participação da população na discussão da importância do voto, do voto consciente. E dessa forma que nossa cultura política vai se fortalecendo. Vamos levar essa discussão para nossas casas, bares, futebol etc. Pois a política não é feito por um, mas por todos. 

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