terça-feira, 3 de novembro de 2015

POR UMA CIDADE DEMOCRÁTICA

Movimento Muda Guamaré
        
Todos nós desejamos que nossas cidades sejam bem tratadas, funcionais e agradáveis para se viver. Sim, mas no cotidiano o que nos acostumamos a presenciar são cenas de desrespeito e o uso inadequado dos bens públicos pelo poder administrativo da cidade.
Desejamos uma cidade cada vez mais democrática o que significa a criação de melhores oportunidades para emersão de espaços de diálogo e maior interação entre a sociedade e, por conseguinte, seus cidadãos na constituição da mesma.
Para isso, dependemos de políticas públicas inovadoras que permitam a inclusão da população na condição de cidadão digno e capaz de tomar suas decisões e contribuir para o desenvolvimento e sustentabilidade da nossa cidade. Todavia, isso requer uma transformação cada vez mais urgente na nossa mentalidade no que diz respeito ao voto. À nossa participação e escolha por um partido, um candidato, um projeto para nossa cidade.
Infelizmente ainda carregamos uma herança que pesa muito sobre nós e que impossibilita as mudanças necessárias para que a nossa cidade possa caminhar para aquilo que no início eu chamei de uma cidade democrática, uma cidade para todos. E essa herança se chama voto de cabresto, que é um sistema tradicional de controle de poder político por meio do abuso da autoridade. Se em outros tempos o voto de cabresto significava a porteira fechada, hoje, ele significa a compra de votos e a utilização da máquina pública para favorecimento pessoal ou de simpatizantes políticos.
Nesse sentido a política vem se tornando um espaço de clientelismo eleitoral e não mais uma ação propositiva na melhoria do espaço público, isto é, no desenvolvimento e sustentabilidade da cidade e tudo aquilo que nela necessita ser melhorado: educação, saúde, cultura, leis e direitos. Por isso, a venda do voto implica o retardamento desse desenvolvimento bem como a inclusão daqueles que são excluídos por essa política clientelista. O voto consciente é uma ferramenta fundamental para influenciar os rumos da política e, por consequência, da cidade. Assim permitindo uma melhoria para própria população que usufrui e faz parte dela. 
A mudança no comportamento político da população reflete diretamente na possibilidade de criar uma cidade melhor. Não compactuar com os mecanismos esdrúxulos de parte de um setor político que usa a máquina pública em benefício próprio, é vislumbrar melhorias incalculáveis para todos e garantia de participação ativa na constituição de uma vida cidadã mais digna e com seus direitos garantidos. Ao vender o meu voto, eu torno aquilo que me é garantido como uma forma de intervir e mudar algo esvaziado de qualquer moralidade e assim sem força de cobrança pelas mudanças que enxergo necessárias para a cidade como um todo. O meu voto se torna localizado e pior, uma mercadoria, sem valor algum a posteriori.
Se queremos mudar e propor uma vida melhor, e desse modo, uma cidade, devemos começar pela mudança da nossa própria mentalidade. Pois assim, agiremos como cidadãos críticos de fato, cidadãos que poderão brigar por uma cidade mais digna, mais justa, mais sustentável, aonde todos poderão vislumbrar uma cidade para si e para seus filhos.
A venda do voto implica continuar como estar. E como está não possibilita melhorias, mas apenas continuidade de um sistema político parasitário que torna cada vez mais a máquina pública o reduto de poucos eleitos por esses governantes com essa mentalidade. Aquilo que deveria ser público, isto é, para todos, com todos, se torna privado, para poucos.
Lutemos por uma cidade mais democrática, para todos e com todos. 
Por: Alcimar Pereira de Oliveira


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