Eu nunca fui em nenhum show do Roberto Carlos´, disse ao UOL o corretor imobiliário Roberto Carlos Vieira, 55 anos, que está sendo processado pelo cantor por usar ´Roberto Carlos´ no nome de sua imobiliária, em Vila Velha, no Espírito Santo. ´O que eu posso fazer se eu
tenho esse nome desde que eu nasci? E o nome nem foi dado em homenagem ao cantor, e sim ao meu pai´, completou. O cantor entrou em 2014, por meio da Editora Musical Amigos LTDA, com o processo número 112383.2.59.2014.8.26.0100 na 15ª Vara Cível de São Paulo para que o corretor retire seu nome da imobiliária do qual ele é proprietário. ´Um Oficial de Justiça me entregou uma ordem mandando eu mudar o nome da empresa. Fiquei pasmo e surpreso´, disse Vieira. Caso não cumpra a decisão, foi estabelecida uma multa diária de R$ 1000. ´Estou sofrendo uma série de transtornos e perdas financeiras. Tive que tirar meu filho da faculdade e estou devendo na praça. Não estou falido, mas estou passando perrengues. Como profissional liberal, tudo o que eu tenho é o meu nome, do qual eu sou conhecido desde que nasci´, revelou. O cantor Roberto Carlos é dono de uma incorporadora imobiliária. A empresa, batizada de ´Emoções Incorporadora´, investe nas construções de apartamentos e escritórios em todo o Brasil. Na decisão judicial, ficou estabelecido que a marca é propriedade exclusiva do cantor e que o capixaba a usou sem a devida autorização, já que o compositor também tem negócios no ramo imobiliário. A Justiça mandou que o corretor se abstenha de utilizar a marca ´Roberto Carlos´ sob "qualquer pretexto ou forma, especialmente como elemento de nome empresarial, título de estabelecimento (nome de fantasia), marca, nome de domínio na internet (www.robertocarlosimoveis.com.br), materiais publicitários, totens, letreiros, notas fiscais e cartões de visitas´. Cabe recurso. ´Nunca relacionei o meu nome ao do cantor´, desabafou Vieira. Na escola, inclusive, ele não gostava da associação com o nome do artista. ´Eu sofria bullying. Meus amigos sempre gritavam para eu cantar alguma coisa quando a professora fazia a chamada´, lembra. O corretor, que se considera um "péssimo cantor", disse que a origem do nome vem do pai, que se chamava Antônio Carlos. ´Todos na minha família têm Carlos no sobrenome. Até a minha irmã, Roseana´. Vieira afirma que não tem condições de bancar uma briga judicial com Roberto Carlos, mas contratou um advogado para se defender. ´Eu fico imaginando o que ele vai ganhar com isso? Estou decepcionado´, desabafou. ´Ele é milionário e eu sou apenas um pobre mortal. Essas coisas poderiam ter sido resolvidas com um diálogo, mas me surpreendi ao ser abordado por um Oficial de Justiça´. O nome do corretor, aliás, não poderia ser uma homenagem ao cantor já que em 1961, Roberto Carlos tinha apenas dois anos de carreira e ainda não era conhecido nacionalmente. De acordo com o censo de 2010, o Brasil tem 437.288 ´Robertos´ no país. A pesquisa não informa os nomes compostos, porém em 1970, durante o auge do sucesso de Roberto Carlos, ocorreu o recorde nacional de registros de ´Robertos´ com 108.253 nascimentos. O cantor já havia processado no ano passado outro corretor de imóveis, desta vez na Paraíba. O alvo na ocasião foi Roberto Carlos Dantas, dono de uma imobiliária desde 2009. O paraibano recorreu e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu em dezembro do ano passado que a ação movida era improcedente e que o nome ´Roberto Carlos´ não estava sendo usado de forma indevida. O cantor ainda foi condenado a pagar as custas processuais. Procurada pela reportagem do UOL, a assessoria de imprensa do cantor Roberto Carlos disse que não iria se pronunciar sobre o caso. (UOL)
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