quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Não há honra entre ladrões


 Gostaria, mais uma vez, de me reportar ao nosso tempo de moleque.
Já fiz isto antes quando relembrei aquela nossa velha locução do passado quando dizíamos: “quem mente rouba”.
Naquela época, quando ainda dávamos nossos primeiros passos na direção da moral e dos bons costumes, doutrinados através de aulas de Educação, Moral e Civismo, além de positivamente influenciados pelas lições de catecismo, nossa molecada abominava traidores.
Lembro-me muito bem de que, na escola ou na rua, por mais que sofrêssemos represálias coletivas, ninguém tinha coragem de contar quem praticara alguma irregularidade.
Todos nós tínhamos uma frase pronta:
– Ninguém aqui é Judas!
Judas Iscariotes para nós, moleques cristãos, era o protótipo da delação, pois havia traído Jesus Cristo, o ser mais divino que pisou na face da terra.

Aqueles moleques cresceram e, hoje, envelheceram e chegaram aos conturbados dias atuais deste
massacrado país chamado Brasil, com o Ministério Público Federal fazendo um brilhante e profilático trabalho, colocando na cadeia um bando de políticos e empresários desonestos.
Eis que surgiu na legislação brasileira um benefício legal aos criminosos que, porventura, queiram tirar o seu da reta: delação premiada.
Vou repetir: “quem mente, rouba”.
Sobejamente, sabemos do péssimo caráter de quem mente e rouba.
Mau-caratismo agora aflorado com a “delação premiada” que, diga-se de passagem, está acelerando os processos e colocando muito ladrão na cadeia.
Já podemos chamar aqueles que aderiram à delação premiada de mentirosos, ladrões e traidores?

Jamais houve honra entre ladrões!                                
Bar do Ferreurinha

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