
CHAPA ELEITA
CHAPA DERROTADA
A
família Antas sempre foi presente na política de PA.
Começou
com José Leoncio, vereador de Angicos, ainda quando Epitácio Pessoa pertencia
àquela cidade, depois veio Geraldo Antas prefeito, Leão Antas vereador e,
encerrando o ciclo, José Antas Filho vereador, vindo a falecer no mandato.
Ano de 1957, eleições em PA, candidatos
Geraldo Antas e José Carneiro, contra Luís Felipe da Câmara e Wilson Teixeira,
prefeitos e vice respectivamente.
Campanha difícil, mais difícil ainda para Tio
Zé Antas, que tinha um irmão e o sogro em disputa, mas, até onde eu sei, votou
no irmão.
Papai contava com a simpatia e o apoio de
lideranças políticas como Justino Xavier de Sousa, Geraldo Bezerra de Souza,
Manoel Linhares, Heráclito Furtado, Leopoldo Filgueira, Odilon Cabral e muitas
outras.
O comitê dos planos de campanha era na casa
de Sr. Justino, onde geralmente à noite se discutiam as estratégias e se
contavam os eleitores (na época o eleitorado era pequeno, em torno de dois mil)
.
Mas existiam as visitas às fazendas e uma delas
era a Barra do velho Manoel Linhares.
Uma
dessas visitas eu participei. Fomos na Ford 29 que meu pai possuía (que depois
Leopoldo tirou em um bingo), Papai, Sr. Justino e eu. Lembro-me bem do Sr.
Manoel Linhares deitado no alpendre da casa, conversando e olhando para um
curral cheio de touros, sevando com batatas , quando disse: “Geraldo, se
dinheiro valer, vc não perde essa campanha “.
Naquela época podia se dizer isso.
A campanha foi se desenrolando,
disputadíssima, não era fácil ganhar uma eleição para o Coronel Luís Felipe,
que já militava, havia muito tempo.
Existiam os comícios, que eram animados pelas
ala-moças (que naquela época era moças mesmo).
Se faziam comícios na cidade e nas fazendas,
se organizava a saída da cidade com o que se chama hoje de carreata, Papai na
Ford 29 na frente (e eu dentro), depois o Jeep de Sr. Justino com o serviço de
som (um alto falante preso no capô), os veículos menores, o caminhão das
ala-moças (cantando as músicas do candidato) e, por fim, os caminhões da galera.
As músicas eram compostas por Gersina e as
roupas das ala-moças eram confeccionadas lá em casa por uma equipe de
costureiras, capitaneadas por Mamãe.
Chegado o dia da eleição, Papai manda matar
um boi para dar de comer aos eleitores (naquela época podia), mobiliza os
veículos para apanhar os eleitores da zona rural ( também podia) e eu no meio
desse chafurdo, acompanhado tudo.
Encerrada a votação, enviam-se as urnas para
Lajes. O juiz da comarca era Dr. Amaro Marinho de Souza Filho. Para assistir a
apuração, vão no Jeep de Sr. Justino, Papai, Tio Leão, João Adauto, João Câmara
e outro que não me recordo, enquanto do lado de lá, foi o Fargo da Prefeitura
lotado, buscar a vitória.
Fiquei na maior expectativa, passei a noite
em claro, quando, por volta da meia-noite, retorna o Fargo, todos calados. A
partir daí já fui pra calçada, quando uma hora depois um clarão desponta no alto
da maternidade. Era o Jeep da vitória que estava trazendo a notícia.
A partir daí ninguém dormiu mais, acordaram
as ala-moças, instalaram o serviço de som no Jeep de Sr. Justino, que saiu
pelos quatros cantos da cidade anunciando o novo prefeito e vice da cidade.
E para completar a alegria de José Carneiro,
nasce nesse dia uma filha que foi batizada com o nome de Maria das Vitórias.
RECORDAR
É VIVER OUTRA VEZ
Engenheiro
Civil e Agropecuarista



Povo.honesto.
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