O
vice-presidente da Comissão Europeia Andrus Ansip previu hoje (5) que, no
futuro, a infraestrutura móvel de quinta geração (5G) seja tão necessária como
a eletricidade, já que esta rede, mais rápida e potente, abrangerá toda “a vida
real”.
“Quando
não há eletricidade, enfrentamos sérios
problemas. Se, no futuro, não houver
5G, não haverá eletricidade, não haverá gás, não haverá vida, estaremos a
voltar atrás na história”, salientou o responsável pelo executivo comunitário
para a área do Mercado Único Digital em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas.
Assumido
como uma aposta da Comissão Europeia em 2016, altura em que foi criado um plano
de ação, o 5G será, segundo Andrus Ansip, “necessário para tudo e todos”.
“Não
só a indústria europeia vai precisar de 5G […], como todas as partes da vida
real. Os hospitais, os bancos, toda a vida vai depender do 5G”, precisou.
O
5G é a quinta geração de rede móvel e vem suceder ao 4G. Nesta nova tecnologia
móvel haverá mais velocidade, maior cobertura e mais recursos.
Além
de ser aplicado às comunicações móveis, o 5G será ainda crucial para áreas do
cotidiano, mas também para potencializar outros avanços tecnológicos,
nomeadamente nos carros autônomos.
Isto
porque a potência desta rede de quinta geração vai além da rapidez nos
‘uploads’ e ‘downloads’ e assenta, sobretudo, na redução da latência, ou seja,
do tempo de resposta de um aparelho a partir do momento em que recebe a ordem
até a executar.
Quanto
menor for a latência, mais rápida é a reação de um aparelho acionado à
distância.
Isto
aplica-se aos eletrodomésticos e a outros aparelhos, incluindo os que estão
ligados à internet, que passarão a ser mais eficientes, nas áreas do
entretenimento, agricultura, indústria, saúde, energia e na realidade virtual.
“O
5G não se centra só numa velocidade 10 vezes superior e num consumo 10 vezes
inferior, mas sim no aumento exponencial da informação. O 5G significa também o
fim da latência e isso é muito melhor [porque] permite usar o 5G em qualquer
área, como nas dos carros autônomos”, adiantou Andrus Ansip.
O
responsável notou que, tal como estava previsto em 2016, um dos objetivos de
Bruxelas continua a ser o de “as redes 5G atingirem, pelo menos, 100 Mbps
[megabyte] por segundo, quer sejam zonas rurais ou urbanas” da União Europeia
(UE).
“Os
operadores têm de comercializar redes 5G em pelo menos uma grande cidade por
país até 2020 e fazê-lo de forma abrangente até 2025”, referiu o
vice-presidente da Comissão Europeia.
Ao
todo, será necessário “um investimento de cinco mil milhões de euros” nesta
tecnologia nos próximos anos, estimou Andrus Ansip, tendo em conta a aposta do
setor privado, como também as verbas comunitárias alocadas.
Sobre
estes últimos fundos, o responsável admitiu ser difícil quantificar, já que são
aplicados em várias áreas, como a investigação, a inovação e, sobretudo, a
cibersegurança, setor sobre o qual a UE tem estado em alerta devido às
suspeitas de espionagem que recaem sobre os dispositivos da fabricante chinesa
Huawei.
O
programa digital europeu, lançado em meados do ano passado, apontava uma verba
de cerca de dois mil milhões de euros para a cibersegurança nos
Estados-membros.
Andrus
Ansip adiantou à Lusa que o 5G é, “definitivamente, uma prioridade” de
Bruxelas, razão pela qual o executivo comunitário tem feito e vai continuar a
fazer “investimentos em quantias notáveis”.
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