quarta-feira, 24 de julho de 2019

Para além das fake news: os fake numbers, escreve Flamínio Fantini









Números podem ser uma arma poderosa.

Brasileiros são líderes em ser enganados.

História tem exemplos de falsa estatística.

Checagem segue como a melhor atitude.

Numa era em que se fala tanto em notícias falsas, as fake news, é necessário colocar foco também em outro membro da mesma família, os números falsos – ou fake numbers, caso pudesse ser adotada esta expressão, por analogia.

“Os números podem ser uma arma poderosa. Em mãos ágeis, dados adulterados, estatísticas fajutas e matemática ruim podem dar aparência de verdade à ideia mais acintosa”, alerta o americano Charles Seife, formado em matemática e professor de jornalismo na Universidade de Nova York.

Não se trata de discussão meramente acadêmica. Autor da obra “Os Números (Não) Mentem”, publicado no Brasil pela Editora Zahar, Seife sustenta que eles “podem ser usados para oprimir os inimigos, destruir os críticos e pôr fim à discussão”.

Vivemos sob a ditadura dos algarismos. Hoje, há cifra para tudo. Vai da rodada do futebol no fim de semana ao desempenho da economia, dos hábitos de consumo às preferências eleitorais, da criminalidade à audiência na internet, do uso do transporte público às exportações do agronegócio. As ferramentas de big data e analytics expandiram a quantificação de maneira assombrosa.

Neste cenário, o Brasil se mostra um terreno bem adubado para que prosperem as plantações daninhas de fake numbers. Pesquisa feita em 2018 pelo instituto Ipsos em 27 países revelou que éramos líderes mundiais em cair no conto do vigário da era digital. Nada menos que 62% dos entrevistados no Brasil admitiram, naquela época, já ter acreditado em notícia falsa até descobrir que não se tratava de verdade, muito acima da média mundial de 48%.

Talvez por já terem vivido a experiência de serem enganados no passado e quem sabe escaldados, os brasileiros figuram na dianteira em outra comparação internacional. É de nada menos que 85% a porcentagem de preocupados com o que é real e o que é falso no noticiário circulando na internet. O resultado consta do recente “Digital News Report 2019”, do Instituto Reuters, com dados de 38 nações, colhidos entre o final de janeiro e o começo de fevereiro deste ano. Infelizmente, ainda não há pesquisas específicas e de envergadura para os fake numbers.

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