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Adriano Machado
Pesquisa MDA/CNT revela: 51% dos brasileiros avaliam que a Lava Jato
está beneficiando o Brasil. Para 68,3%, as revelações contidas nas mensagens
trocadas por Sergio Moro e procuradores da força-tarefa de Curitiba no
escurinho do Telegram
não podem resultar na soltura de condenados. Na opinião
de 52%, o ex-juiz não deve deixar o posto de ministro da Justiça. É contra esse
pano de fundo que Jair Bolsonaro submete Moro a um processo de fritura.
A
mesma pesquisa informa que o desempenho pessoal de Bolsonaro na Presidência é
reprovado por 53,7% do eleitorado. A seis meses, o índice de reprovação era de
28,2%. O presidente consegue cultivar imagem pior que a de sua administração. O
governo é reprovado por 39,5% dos brasileiros. Para complicar, Bolsonaro começa
a ser visto como parte de um cerco à Lava Jato.
A
investida contra a operação envolve um pedaço do Congresso e uma ala do
Supremo. A novidade é que esses dois grupos passaram a enxergar Bolsonaro como
aliado no esforço para acender o forno e assar a grande pizza. Essa sensação é reforçada
pela presença de Moro na frigideira.
O
esforço anticorrupção recebeu várias pauladas nas últimas semanas. No Supremo,
Dias Toffoli suspendeu os processos com dados do Coaf, incluindo o inquérito
contra Flavio Bolsonaro. Alexandre de Moraes suspendeu investigação da receita
contra 133 contribuintes, entre eles as mulheres de Toffoli, Roberta, e de
Gilmar Mendes, Guimar.
No
Congresso, os deputados concluíram a aprovação da Lei de Abuso de Autoridade,
votada no Senado em 2017. No Executivo, afora o esvaziamento de Moro, houve o
desmonte do Coaf e as incursões de Bolsonaro na Receita e na Polícia Federal.
Tudo isso sob aplausos da oligarquia política e empresarial que sonhava com o
dia em que a Lava Jato se tornaria um assunto chato, momento ideal para dar o
troco.
Após
trocar 22 anos de magistratura por uma poltrona na Esplanada, Moro descobre da
pior maneira que ser político sob Bolsonaro é respirar o ar do Executivo e não
sentir o aroma de óleo quente; é acreditar no diálogo em que o poderoso fala e
ele escuta; é suportar humilhações diárias; é flexionar a espinha em longas
prostrações, à espera de um improvável minuto de atenção; é engolir sapos sem
ter indigestão.
Avalia-se
ao redor de Moro que a decisão de Bolsonaro sobre o projeto de lei que pune
abuso de autoridade será o derradeiro teste para a capacidade do ex-juiz de, no
meio das mais inaceitáveis desonras, encontrar sempre inacreditáveis saídas
honrosas. Se Bolsonaro não aceitar suas sugestões de veto, Moro finalmente
daria no pé, tornando-se um adversário instantâneo do ex-chefe. Nessa hipótese,
se os dados da pesquisa estiverem corretos, a fritura de Moro pode resultar
numa indigestão do mestre-cuca.
JOSIAS
DE SOUZA
https://www.blogdobg.com.br/
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