São
enganosas as descrições que apontam um vídeo de uma mulher indígena chorando
como se fosse relacionado a incêndios recentes na Amazônia. A gravação original
foi feita durante um incêndio, de fato, mas no início de julho de 2019, na
aldeia Naô Xohã, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
A
própria mulher que aparece no vídeo, Celia Ãngohó,
afirmou ao Comprova que o
incêndio presenciado por ela ocorreu entre os dias 6 e 7 de julho, no município
mineiro de São Joaquim de Bicas. Segundo Celia, que é porta-voz e esposa do
cacique da aldeia, à época havia indícios de que o incêndio foi criminoso, pois
havia sido encontrada uma garrafa plástica com cheiro de combustível no local
após o Corpo de Bombeiros ter controlado o fogo.
A
TV Record Minas fez uma matéria sobre o ocorrido em julho. Segundo a produção
da emissora, que conversou com o Comprova, o vídeo foi enviado à equipe de
reportagem por um homem da aldeia, identificado como Lindomar. Celia Ãngohó
também afirmou que enviou o vídeo que ela gravou a Lindomar, para que ele
divulgasse à imprensa. O Comprova entrou em contato com ele por telefone, mas
não teve resposta até a publicação desta verificação.
Durante
o vídeo, Celia cita a mineradora Vale, responsável pela barragem da Mina do Córrego
do Feijão, em Brumadinho. Isso porque a mesma aldeia mostrada no vídeo foi
afetada no início do ano pelo rompimento da barragem. Uma nota da ONG Instituto
Socioambiental (ISA), que acompanhou o caso, afirma que o rio usado pela
comunidade foi poluído pelos rejeitos do acidente.
Esta
verificação do Comprova investigou informações divulgadas pelas páginas Direita
Cambé/PR, Catraca Livre e Sunrise Movement, que compartilharam o vídeo sem o
contexto correto no Facebook e no Twitter entre os dias 20 e 21 de agosto.
Estadão
Conteúdo
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