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Daniel Marenco
O
pacote de medidas apresentado nesta terça-feira (5) pelo governo federal foi
visto como um novo marco na economia brasileira por economistas ouvidos pela
Folha.
Claudio
Considera, pesquisador do IBRE/FGV, afirma que as medidas podem ser comparadas
em termos de importância ao Plano Real (1994) e ao PAEG (Programa de Ação
Econômica do Governo), elaborado em 1964 pelos ministros Octávio Gouvêa de
Bulhões e Roberto Campos.
“Está
se tentando fazer uma mudança institucional que prepara do país para voltar a crescer.
É uma transformação muito grande. Tirar o estado da economia e deixar o setor
privado prevalecer”, afirma o economista.
Considera
citou, por exemplo, as medidas emergenciais que permitem controlar melhor os
gastos públicos e que permitem cumprir as regras previstas na Lei de
Responsabilidade Fiscal.
“Acho
que o Congresso vai entender que não tem saída. Para o país voltar a crescer,
tem de fazer as transformações que estão lá.”
O
diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente), Felipe Salto,
afirmou que as medidas estão na direção correta para tentar melhorar a situação
das contas públicas.
Para
ele, a PEC da Emergencial é a principal medida neste sentido, pois retoma uma
ideia defendida pela própria IFI, de antecipar o disparo dos gatilhos previstos
na Regra do Teto de Gastos para frear o crescimento das despesas públicas.
Em
relação à PEC dos Fundos Públicos, Salto afirma que há uma controvérsia em
relação ao impacto da medida. O governo diz que o dinheiro será usado da única
maneira possível, para pagamento da dívida pública, com redução do
endividamento.
Para
a IFI, o efeito fiscal positivo da medida em relação ao estoque já se deu no
passado. “Do nosso ponto de vista, não reduz a dívida automaticamente. São
recursos que estavam vinculados e o governo não gastou. A decisão de não gastar
já aconteceu, e o primário e a dívida já foram beneficiados no passado”,
afirma.
Segundo
ele, ao tirar esse dinheiro da conta do Tesouro para pagar juros, o dinheiro
será recolocado na economia, e o Banco Central teria de retirar esse recurso de
circulação por meio de operações com títulos da dívida.
“A
dívida bruta, na nossa avaliação, não se altera. Se o governo conseguir reduzir
as vinculações e o número de Fundos vai haver feito sobre o fluxo. O efeito é
para a frente. Cada uma daquelas verbas carimbadas pararia de ir para uma
destinação específica e sobrariam recursos.”
Walter
Franco, professor de Economia do Ibmec SP, afirmou que são medidas difíceis de
serem aprovadas pelo Congresso, cujos resultados podem demorar a aparecer e não
deverão ser todos colhidos pela atual presidente.
O
próximo presidente da República, no entanto, terá a chance de gerir um estado
que entregue mais à sociedade e volte a investir, afirma Franco, que prevê um
período semelhante ao do governo Juscelino Kubitschek (1956-1961).
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