O
deputado Eduardo Costa (PTB-PA) apresentou nesta terça-feira voto para arquivar
o procedimento contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Conselho
de Ética da Câmara. Costa é relator da reclamação por quebra de decoro
parlamentar,
apresentada pelo PSL, partido que rachou após declarações do
presidente Jair Bolsonaro, que era filiado ao partido e saiu para tentar fundar
uma sigla própria. O relatório ainda não foi à votação por um pedido de vista,
concedido por dois dias úteis.
Costa
entendeu que o caso não deveria ser analisado pelo conselho de Ética da Câmara,
mas sim do partido. Para ele, as postagens de Eduardo são protegidas pela
inviolabilidade de discurso parlamentar, mesmo que realizadas pelas redes
sociais, “desde que presente o nexo causal entre a suposta ofensa e a atividade
parlamentar precedente”.
—
O membro do Congresso Nacional possui a garantia constitucional da imunidade
parlamentar em sentido material, sempre inviolável, por mais graves que sejam
as ofensas que alegadamente tenha proferido quando conexas a um determinado
contexto político e indissociável do desempenho do mandato legislativo —
justificou o relator ao proferir o voto.
O
partido apresentou reclamação no colegiado por ofensas feitas em redes sociais
à deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), durante a crise que dividiu o partido em
outubro do ano passado. O partido anexou à representação imagens divulgadas nas
redes sociais de Eduardo, afirmando que o deputado iniciou “um verdadeiro
linchamento virtual à deputada Joice Hasselmann através de suas redes sociais
com ofensas e ataques pessoais”.
—
Registra-se que as declarações foram externadas em um momento de intenso embate
político e ideológico entre membros do PSL, do qual fazem parte os deputados.
Neste panorama, as manifestações acerca do comportamento da deputada Joice
Hasselmann como líder do governo no Congresso não se mostraram, de forma
alguma, dissociáveis de sua atuação parlamentar, pelo contrário. Retrataram,
ainda que em tom jocoso, sua opinião crítica acerca da deputada no exercício do
cargo — completou o relator.
Eduardo
é alvo de três representações no colegiado e já há movimentações para puni-lo
em pelo menos uma delas. No fim do mês passado, integrantes do colegiado, em
condição de anonimato, afirmaram que uma sanção ao deputado — ainda que leve —
seria uma importante resposta do Congresso ao discurso de radicalização dos
Bolsonaro contra o Congresso. A reprimenda ao filho do presidente deve ser dada
no bojo dos casos que tratam das declarações do deputado sobre um novo AI-5.
O
Globo


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