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Isaac Ribeiro - Repórter
O brasileiro gosta mesmo de café. Isso ninguém pode negar. E provas não param de surgir. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café, o consumo da bebida no país bateu recorde entre 2011 e 2012 e deve continuar crescendo este ano. De acordo com os dados divulgados pela Abic este mês, foram consumidos 4,98 kg de café torrado per capita; o equivalente a 83 litros por pessoa ao ano.
A Associação Brasileira da Indústria de Café atribui o crescimento no hábito de beber café no Brasil, nos últimos anos, à retomada do desenvolvimento econômico do país, além do aumento do poder de compra das classes B, C e D, e ainda o aumento da renda no Nordeste e no Centro-Oeste.
O barista Paulo Guillen analisa o fato de o café não ter atingido marcas tão alvissareiras desde 1965 devido à grande concorrência com produtos como achocolatados, sucos prontos, refrigerantes e outros industrializados. "Então, esse recorde pra gente é para toda a cadeia produtiva, pois é um esforço de todos para melhorar a qualidade e a diversidade de métodos de preparo. É um marco significativo para nós", comenta.
O gosto pelo café por parte dos brasileiros é algo muito arraigado, algo próximo aos 95% da população, de acordo com a avaliação de Paulo Guillen.
"É uma coisa bastante constante. É um hábito; não é só modismo. E, na cidade, a gente tem percebido que uma das características é o consumo fora de casa que tem crescido. Percebemos o surgimento de muitas cafeterias, muitos pontos de venda de café", diz.
Além do aumento do poder de compra do brasileiro, o maior consumo de café também pode estar ligado à melhora da qualidade do produto - e um sinal disso são as cafeterias, que passaram a fazer parte do roteiro de muita gente. E cada um tem uma razão diferente para gostar de tomar um cafezinho.
O servidor público Marcos Sérgio, 45 anos, diz ir pelo menos duas vezes ao dia a uma cafeteria de um amigo seu, em um dos shoppings da cidade, sempre acompanhado da esposa, também apreciadora de café. Para ele, o pequeno ritual serve para aliviar as tensões cotidianas.
"Na verdade, o hábito de beber café me proporciona uma quebra de ritmo. Em casa eu não bebo café; bebo aqui. Para mim, o café serve como uma válvula de escape para o estresse, do trabalho, dos problemas", comenta ele, enquanto saboreia um expresso.
CAFÉ E SAÚDE
Mas além de possíveis modismos, ao café também são atribuídas propriedades terapêuticas. A cafeína é um estimulante natural, que ativa a memória - principalmente a de curto prazo - e ajuda à concentração. Além de estimular o sistema nervoso central e fortalecer processos psicológicos, a substância também possui efeitos broncodilatadores. Daí o fato de portadores de asma bebedores de café apresentarem menos crises respiratórias.
Mas as evidências de benefícios do café à saúde não param por aí. O hábito de consumi-lo de forma moderada e diária, de três a quatro xícaras, também está associado a uma menor incidência de câncer de cólon/reto, mama e fígado.
Estratégias para aumentar o consumo
O aumento no consumo apontado pela Associação Brasileira da Indústria de Café parece não nutrir nenhum tipo de comodismo no setor. Estão sendo sempre criadas novas estratégias para atrair novos consumidores. Entre eles, os mais jovens. Segundo o barista Paulo Guillen, muitas vezes o público jovem entra no universo do café pelos drinques feitos tendo a bebida como base, pela combinação com sorvete, milshakes, cafés com leite ou com caramelo. Eles começam a provar, simpatizam com o sabor e, a partir daí, vão conhecendo outras variedades.
"É um público que prova uma diversidade maior até adquirir o hábito de consumir o café. E a gente começa hoje a perder essa imagem negativa que o café tinha", comenta o especialista em café e proprietário de cafeteria.
Também é objetivo de quem produz e comercializa café divulgar os vários benefícios da bebida para a saúde, sempre baseado em pesquisas realizadas por universidades e entidades conceituadas.
A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, por exemplo, possui estudo afirmando ser o hábito de beber café um fator para a redução do risco de desenvolver câncer endometrial. As mulheres que beberem mais de quatro xícaras por dia, durante um período prolongado, reduzem em 25% o risco de desenvolver a doença.
A revista Cancer Research publicou, ano passado, um estudo afirmando ser a ingestão de cafeína capaz de diminuir o risco do tipo mais comum de câncer de pele, o carcinoma basocelular.
A cafeína também teria a capacidade de alterar os níveis de estrogênio, como indicou uma pesquisa realizada em mulheres na faixa entre 18 e 44 anos de idade, bebedoras de café ou de bebidas com cafeína em sua composição. O estudo foi publicado ano passado no The American Journal of Clinical Nutrition.
"Estamos tendo um esforço de divulgar essas características do café e estamos conseguindo também tirar essa imagem negativa que o café tinha", comenta Paulo Guillen, que acredita ainda haver uma falta de compreensão dos pais com relação ao aumento do consumo de café entre as crianças.
"Nós substituímos o café ou café com leite que elas tomavam pela manhã por achocolatados, enquanto está demonstrado que o café com leite traz muito mais benefícios que os produtos industrializados", analisa o barista. "O café ajuda às crianças a despertarem a memória de curto prazo, que vai ajudá-las muito no aprendizado, deixando ela mais esperta e mais concentrada. Já tem pesquisas que dizem que o café incluído na merenda escolar melhora o rendimento dos alunos."
Bate-papo
Paulo Guillen, barista e empresário
A Abic também fala em crescimento de 3% para 2013. Quais os desafios para esse consumo crescer ainda mais?
Está surgindo uma variedade de métodos de preparo. A gente percebe o crescimento de uso de máquinas de café espresso domésticas, de cafeteiras elétricas, - e esse crescimento é bastante notável no Nordeste. E a gente percebe fora de casa, nas casas comerciais, nas cafeterias, o que chamamos de monodoses, que são cafés preparados exclusivamente para esses clientes. Essa é uma tendência.
- A formação de mão de obra, a capacitação, tem acompanhado esse aumento no consumo?
Não. Ainda temos um déficit bastante grande de mão de obra qualificada. A gente percebe muito isso, não tanto em nível de cafeteria, mas em restaurantes, que não tem mão de obra qualificada. O barista que está lá, como não tem essa qualificação, muitas vezes não consegue servir um bom café, o que prejudica muito o trabalho de toda uma cadeia produtiva. Então, ainda falta muita formação desse profissional, que é bastante escasso.
Isaac Ribeiro - Repórter
O brasileiro gosta mesmo de café. Isso ninguém pode negar. E provas não param de surgir. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café, o consumo da bebida no país bateu recorde entre 2011 e 2012 e deve continuar crescendo este ano. De acordo com os dados divulgados pela Abic este mês, foram consumidos 4,98 kg de café torrado per capita; o equivalente a 83 litros por pessoa ao ano.
Alex Régis
Consumo
de café no Brasil bate todos os recordes de crescimento, chegando a 83
litros por pessoa ao ano, maior índice desde 1965. Perspectiva é
aumentar mais 3 por cento em 2013, segundo dados da Associação
Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Desde 1965 nunca se
bebeu tanto café no Brasil. E os índices apresentados pela Abic colocam o
Brasil à frente dos Estados Unidos, da França e da Itália no consumo
por habitante. A previsão é que o hábito de beber café cresça 3% em
2013.A Associação Brasileira da Indústria de Café atribui o crescimento no hábito de beber café no Brasil, nos últimos anos, à retomada do desenvolvimento econômico do país, além do aumento do poder de compra das classes B, C e D, e ainda o aumento da renda no Nordeste e no Centro-Oeste.
O barista Paulo Guillen analisa o fato de o café não ter atingido marcas tão alvissareiras desde 1965 devido à grande concorrência com produtos como achocolatados, sucos prontos, refrigerantes e outros industrializados. "Então, esse recorde pra gente é para toda a cadeia produtiva, pois é um esforço de todos para melhorar a qualidade e a diversidade de métodos de preparo. É um marco significativo para nós", comenta.
O gosto pelo café por parte dos brasileiros é algo muito arraigado, algo próximo aos 95% da população, de acordo com a avaliação de Paulo Guillen.
"É uma coisa bastante constante. É um hábito; não é só modismo. E, na cidade, a gente tem percebido que uma das características é o consumo fora de casa que tem crescido. Percebemos o surgimento de muitas cafeterias, muitos pontos de venda de café", diz.
Além do aumento do poder de compra do brasileiro, o maior consumo de café também pode estar ligado à melhora da qualidade do produto - e um sinal disso são as cafeterias, que passaram a fazer parte do roteiro de muita gente. E cada um tem uma razão diferente para gostar de tomar um cafezinho.
O servidor público Marcos Sérgio, 45 anos, diz ir pelo menos duas vezes ao dia a uma cafeteria de um amigo seu, em um dos shoppings da cidade, sempre acompanhado da esposa, também apreciadora de café. Para ele, o pequeno ritual serve para aliviar as tensões cotidianas.
"Na verdade, o hábito de beber café me proporciona uma quebra de ritmo. Em casa eu não bebo café; bebo aqui. Para mim, o café serve como uma válvula de escape para o estresse, do trabalho, dos problemas", comenta ele, enquanto saboreia um expresso.
CAFÉ E SAÚDE
Mas além de possíveis modismos, ao café também são atribuídas propriedades terapêuticas. A cafeína é um estimulante natural, que ativa a memória - principalmente a de curto prazo - e ajuda à concentração. Além de estimular o sistema nervoso central e fortalecer processos psicológicos, a substância também possui efeitos broncodilatadores. Daí o fato de portadores de asma bebedores de café apresentarem menos crises respiratórias.
Mas as evidências de benefícios do café à saúde não param por aí. O hábito de consumi-lo de forma moderada e diária, de três a quatro xícaras, também está associado a uma menor incidência de câncer de cólon/reto, mama e fígado.
Estratégias para aumentar o consumo
O aumento no consumo apontado pela Associação Brasileira da Indústria de Café parece não nutrir nenhum tipo de comodismo no setor. Estão sendo sempre criadas novas estratégias para atrair novos consumidores. Entre eles, os mais jovens. Segundo o barista Paulo Guillen, muitas vezes o público jovem entra no universo do café pelos drinques feitos tendo a bebida como base, pela combinação com sorvete, milshakes, cafés com leite ou com caramelo. Eles começam a provar, simpatizam com o sabor e, a partir daí, vão conhecendo outras variedades.
"É um público que prova uma diversidade maior até adquirir o hábito de consumir o café. E a gente começa hoje a perder essa imagem negativa que o café tinha", comenta o especialista em café e proprietário de cafeteria.
Também é objetivo de quem produz e comercializa café divulgar os vários benefícios da bebida para a saúde, sempre baseado em pesquisas realizadas por universidades e entidades conceituadas.
A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, por exemplo, possui estudo afirmando ser o hábito de beber café um fator para a redução do risco de desenvolver câncer endometrial. As mulheres que beberem mais de quatro xícaras por dia, durante um período prolongado, reduzem em 25% o risco de desenvolver a doença.
A revista Cancer Research publicou, ano passado, um estudo afirmando ser a ingestão de cafeína capaz de diminuir o risco do tipo mais comum de câncer de pele, o carcinoma basocelular.
A cafeína também teria a capacidade de alterar os níveis de estrogênio, como indicou uma pesquisa realizada em mulheres na faixa entre 18 e 44 anos de idade, bebedoras de café ou de bebidas com cafeína em sua composição. O estudo foi publicado ano passado no The American Journal of Clinical Nutrition.
"Estamos tendo um esforço de divulgar essas características do café e estamos conseguindo também tirar essa imagem negativa que o café tinha", comenta Paulo Guillen, que acredita ainda haver uma falta de compreensão dos pais com relação ao aumento do consumo de café entre as crianças.
"Nós substituímos o café ou café com leite que elas tomavam pela manhã por achocolatados, enquanto está demonstrado que o café com leite traz muito mais benefícios que os produtos industrializados", analisa o barista. "O café ajuda às crianças a despertarem a memória de curto prazo, que vai ajudá-las muito no aprendizado, deixando ela mais esperta e mais concentrada. Já tem pesquisas que dizem que o café incluído na merenda escolar melhora o rendimento dos alunos."
Bate-papo
Paulo Guillen, barista e empresário
A Abic também fala em crescimento de 3% para 2013. Quais os desafios para esse consumo crescer ainda mais?
Está surgindo uma variedade de métodos de preparo. A gente percebe o crescimento de uso de máquinas de café espresso domésticas, de cafeteiras elétricas, - e esse crescimento é bastante notável no Nordeste. E a gente percebe fora de casa, nas casas comerciais, nas cafeterias, o que chamamos de monodoses, que são cafés preparados exclusivamente para esses clientes. Essa é uma tendência.
- A formação de mão de obra, a capacitação, tem acompanhado esse aumento no consumo?
Não. Ainda temos um déficit bastante grande de mão de obra qualificada. A gente percebe muito isso, não tanto em nível de cafeteria, mas em restaurantes, que não tem mão de obra qualificada. O barista que está lá, como não tem essa qualificação, muitas vezes não consegue servir um bom café, o que prejudica muito o trabalho de toda uma cadeia produtiva. Então, ainda falta muita formação desse profissional, que é bastante escasso.
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