A Design na Pele pretende estimular o consumo agregando valores culturais às peças
por Teresa Raquel Bastos / Edição: Vinicius Galera de Arruda
O couro brasileiro pode ser empregado em diversos setores, como moda e decoração (Foto: Divulgação)
gera o aproveitamento de muitas outras partes do boi. E uma das mais nobres entre elas é o couro.
Versátil e de fácil uso na vida cotidiana, o produto é utilizado amplamente na moda, no design e no acabamento de automóveis. O Brasil exporta 70% da produção nacional. Um dos principais destinos da mercadoria é a Itália, referência fashion e automobilística e onde os cortumes brasileiros conseguem faturar mais. Em setembro deste ano, a indústria exportou o equivalente a R$ 220 milhões, um aumento de 35% referente ao mesmo período de 2012.
Há basicamente dois tipos de couro produzidos e exportados pelo Brasil: o wet-blue (in natura e pouco curtido) e couro acabado (com refinamento estético). O primeiro é responsável por perpetuar a tradição brasileira de fornecer matéria prima, quando o material é industrializado nos lugares destinados. Corresponde a 55% das exportações, mas gera apenas 40% do faturamento. Já o couro trabalhado por aqui, que abocanha os outros 45%, tem maior valor de mercado, e gera mais renda e lucro.
Diante dessa diferença econômica entre os dois tipos de couro e da necessidade de aumentar o consumo brasileiro e internacional do couro trabalhado, o Centro das Indústrias de Cortumes do Brasil criou o Design na Pele. De acordo com o coordenador do projeto, Maurício Medeiros, o viés cultural é a chave para atingir esse objetivo. "O que queremos tornar conhecido é o couro acabado. E o que temos de valor para agregar? A cultura criativa e o nosso repertório rico, que vai virar sinal de origem do couro brasileiro no mundo", explica.
A parte criativa no projeto fica por conta do estilista Ronaldo Fraga e da artista plástica Heloísa Crocco (Foto: Divulgação)
Os primeiros frutos desse objetivo foram colhidos durante a São Paulo Fashion Week, edição de inverno 2014, que aconteceu entre os dias 27 de outubro e 1° de novembro: o couro está entre os principais materiais utilizados na temporada, inclusive no desfile de Ronaldo Fraga. Isso mostra a potência criativa que liga o agronegócio e a moda.
O estilista Ronaldo Fraga utilizou couro em quase todas as peças da coleção Inverno 2014 (Foto: Portal FFW / Agência Fotosite)
Polêmica em torno do uso de peles
Entram
na conta também as polêmicas peles especiais, alvo de protestos em todo
o mundo. Avestruz, peixes, rãs e cobras estão entre os animais que são e
serão utilizados no design brasileiro. Maurício explica o caráter
importador do Brasil nesses segmentos, já que o país não permite
a exploração de couro animal sem ser de forma "reciclada", ou seja, com
origem nos abatedouros brasileiros destinados a alimentação. "A cobra,
por exemplo, serve de comida em países asiáticos. É de lá que importamos
o couro, como forma de aproveitar o que seria jogado fora".
O acabamento diferenciado é a aposta para os cortumes brasileiros (Foto: Divulgação)
O futuro dos cortumes
A
primeira etapa do projeto contempla apenas 13 cortumes. Em breve,
outros serão incluídos. E quais os resultados esperados a curto prazo?
Abocanhar um pedaço do mercado italiano, que fatura anualmente US$ 6
bilhões, mesmo com 94% de couro importado. "Eles não têm a produção da
pele, mas mesmo assim faturam quase o dobro do Brasil, que gera US$ 3,5
bilhões por ano", diz Maurício. Isso acontece porque agregam valor
utilizando o design. "Não há país no mundo com mais potencial para esse
feito do que o Brasil", finaliza.
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