O desemprego
no Brasil avançou no trimestre encerrado em fevereiro, para 7,4%, uma
alta em relação ao trimestre anterior (entre setembro e novembro de
2014), quando fechou em 6,5%. Os dados mostram que a tendência de
estabilidade ou queda da taxa de desocupação, observada desde meados do
ano passado, foi interrompida. Os números divulgados na semana passada
pelo IBGE mostram uma tendência de alta no desemprego em 2015. Entre os
principais motivos estão o ajuste fiscal colocado em curso pelo
Planalto; cenário econômico desfavorável; diminuição do consumo; crédito
restrito, menor investimento de empresários e do governo, além da
inflação crescente.
“O baixo nível de atividade econômica tem elevado as demissões e reduzido as
novas contratações”, diz o economista Rodrigo Moura, da FGV/Ibre. “A forte contração econômica aprofunda as demissões em setores que já vinham apresentando desempenho ruim, como indústria, comércio e construção, e naqueles que passaram a sofrer mais com a recessão, como o setor de serviços.”
O ajuste fiscal promovido pelo governo também exerce pressão sobre o mercado de trabalho. O atraso no repasse de recursos públicos para programas federais de peso, como o “Minha Casa Minha Vida”, tem gerado demissões no setor da construção. Somado a isso, há a crise da Petrobras, que cancelou ou atrasou repasses para várias empreiteiras, que também cortaram trabalhadores.
“A perspectiva para 2015 é de desaceleração do mercado de trabalho”, afirma a economista Cecília Melo Fernandes. “Apesar de já ser esperado um aumento da taxa de desocupação no primeiro trimestre por questões sazonais, o enfraquecimento da economia em geral combinado a outros fatores aponta para uma tendência do aumento do desemprego em 2015.”
Segundo o IBGE, a população desocupada no trimestre encerrado em fevereiro aumentou 14,7% em relação aos três meses terminados em novembro, passando de 6,5 milhões para 7,4 milhões de pessoas. No mesmo período do ano passado, a população desempregada era de 6,62 milhões.
O cenário econômico negativo faz com que essa taxa seja a maior desde o trimestre de março a maio de 2013, quando foram registrados 7,6%. Para o IBGE, o desemprego vem aumentando porque, por um lado, há mais pessoas procurando trabalho. Por outro, a criação de novas vagas vem perdendo fôlego.
Apesar da diminuição do emprego, a renda média dos brasileiros cresceu 1,1% no trimestre encerrado em fevereiro, subindo de 1.793 reais para 1.817 reais. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o IBGE registrou um aumento de 0,7%, descontando a inflação. A pesquisa apontou, ainda, que a massa de rendimento real recebida por todos os trabalhadores aumentou 2,2%, passando de 161 para 162 bilhões de reais.
“Com o aumento do desemprego, a renda deve desacelerar, o que já vem ocorrendo, devido à redução do poder de barganha dos trabalhadores num cenário de tendência de aumento do desemprego”, diz Moura.
No fim de fevereiro, o governo dificultou o acesso ao seguro-desemprego por meio da MP (Medida Provisória) 665, com o objetivo de corrigir distorções e reduzir os gastos com a ajuda. Os custos do seguro explodiram na última década, mesmo com as baixas históricas do índice.
Segundo a MP 665, o trabalhador terá que comprovar o vínculo com o empregador por pelo menos 18 meses nos 24 meses anteriores para requerer o benefício pela primeira vez. Na segunda solicitação, ele terá que ter trabalhado por 12 meses nos 16 meses anteriores. A partir do terceiro pedido, o período voltará a ser de seis meses.
O governo federal chegou a admitir que pode rever as medidas, depois de pressão por parte de centrais sindicais. A exigência de um ano e meio deverá cair para um ano para que o trabalhador tenha direito ao benefício. A palavra final, agora, será do Congresso.
“A mudança vai afetar diretamente a estabilidade dos trabalhadores a longo prazo”, afirma o economista Felipe Leroy, do Ibmec/MG. “Contudo, possivelmente reduzirá a rotatividade dos trabalhadores nos postos de trabalho, o que de fato é muito positivo.”
Via Tribuanadonorte
| De acordo com o IBGE, população desocupada ou sob proteção do seguro-desemprego subiu para 7,4 milhões em fevereiro |
Vlademir Alexandre/TN
“O baixo nível de atividade econômica tem elevado as demissões e reduzido as
novas contratações”, diz o economista Rodrigo Moura, da FGV/Ibre. “A forte contração econômica aprofunda as demissões em setores que já vinham apresentando desempenho ruim, como indústria, comércio e construção, e naqueles que passaram a sofrer mais com a recessão, como o setor de serviços.”
O ajuste fiscal promovido pelo governo também exerce pressão sobre o mercado de trabalho. O atraso no repasse de recursos públicos para programas federais de peso, como o “Minha Casa Minha Vida”, tem gerado demissões no setor da construção. Somado a isso, há a crise da Petrobras, que cancelou ou atrasou repasses para várias empreiteiras, que também cortaram trabalhadores.
“A perspectiva para 2015 é de desaceleração do mercado de trabalho”, afirma a economista Cecília Melo Fernandes. “Apesar de já ser esperado um aumento da taxa de desocupação no primeiro trimestre por questões sazonais, o enfraquecimento da economia em geral combinado a outros fatores aponta para uma tendência do aumento do desemprego em 2015.”
Segundo o IBGE, a população desocupada no trimestre encerrado em fevereiro aumentou 14,7% em relação aos três meses terminados em novembro, passando de 6,5 milhões para 7,4 milhões de pessoas. No mesmo período do ano passado, a população desempregada era de 6,62 milhões.
O cenário econômico negativo faz com que essa taxa seja a maior desde o trimestre de março a maio de 2013, quando foram registrados 7,6%. Para o IBGE, o desemprego vem aumentando porque, por um lado, há mais pessoas procurando trabalho. Por outro, a criação de novas vagas vem perdendo fôlego.
Apesar da diminuição do emprego, a renda média dos brasileiros cresceu 1,1% no trimestre encerrado em fevereiro, subindo de 1.793 reais para 1.817 reais. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o IBGE registrou um aumento de 0,7%, descontando a inflação. A pesquisa apontou, ainda, que a massa de rendimento real recebida por todos os trabalhadores aumentou 2,2%, passando de 161 para 162 bilhões de reais.
“Com o aumento do desemprego, a renda deve desacelerar, o que já vem ocorrendo, devido à redução do poder de barganha dos trabalhadores num cenário de tendência de aumento do desemprego”, diz Moura.
No fim de fevereiro, o governo dificultou o acesso ao seguro-desemprego por meio da MP (Medida Provisória) 665, com o objetivo de corrigir distorções e reduzir os gastos com a ajuda. Os custos do seguro explodiram na última década, mesmo com as baixas históricas do índice.
Segundo a MP 665, o trabalhador terá que comprovar o vínculo com o empregador por pelo menos 18 meses nos 24 meses anteriores para requerer o benefício pela primeira vez. Na segunda solicitação, ele terá que ter trabalhado por 12 meses nos 16 meses anteriores. A partir do terceiro pedido, o período voltará a ser de seis meses.
O governo federal chegou a admitir que pode rever as medidas, depois de pressão por parte de centrais sindicais. A exigência de um ano e meio deverá cair para um ano para que o trabalhador tenha direito ao benefício. A palavra final, agora, será do Congresso.
“A mudança vai afetar diretamente a estabilidade dos trabalhadores a longo prazo”, afirma o economista Felipe Leroy, do Ibmec/MG. “Contudo, possivelmente reduzirá a rotatividade dos trabalhadores nos postos de trabalho, o que de fato é muito positivo.”
Via Tribuanadonorte
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